3 de junho de 2012

Sobre tabus e estatúpidas


- Nadal é o mais jovem a ganhar 150 partidas de Grand Slam.

- Nadal venceu sua 250ª partida no saibro neste sábado.

- Nadal pode ser o primeiro heptacampeão de Roland Garros.

- O francês Max Decugis foi octa (1903-04, 07-09, 12-14) quando o torneio não convidava
estrangeiros.

- Federer tornou-se o recordista em vitórias em Grand Slam.

- Assim como em Wimbledon, um tenista da casa não é campeão há 142.857 anos.

- Djokovic pode fechar o Grand Slam e de maneira consecutiva.

- Os tenistas com melhor porcentagem de acerto de 1º serviço são Rogério Dutra Silva (81%) e João “Feijão” Souza (80%).

- Entre os que ainda estão vivos na chave, Almagro e Nadal lideram em pontos vencidos com o 1º serviço (80%). Depois, Tipsarevic (79%), Gasquet (77%), e Federer, Berdych, Murray, Goffin, Djokovic e Ferrer (76%).

- Em pontos ganhos com o 2º serviço, Djokovic (68%), Monaco e Nadal – sempre juntos – (63%), Gasquet (62%), Federer (61%), Berdych e Ferrer (60%) formam a lista.

- O ponto mais longo do torneio masculino foi entre Simon (óbvio) e Wawrinka, com 40 “passadas de bola”.

Isso todo mundo já sabe, já ouviu, já leu, imagina ou pode procurar. Agora, os tabus e as estatúpidas que poucos falam, mas todos podem distorcer usar da maneira que preferir. Porque tem hora que falta assunto. E nem sempre o “lembrando que o quinto set não tem tie-break” serve pra puxar um papo. Não, sempre serve, sim!

Novak Djokovic X Andreas Seppi
Djokovic nunca perdeu para Seppi (7 jogos).
Djokovic nunca perdeu para um italiano em GS (4 jogos).
Djokovic não perde para um italiano desde julho de 2004.
Djokovic não só nunca ganhou Roland Garros como nunca ganhou um GS usando Uniqlo.
Djokovic nunca ganhou um torneio usando Uniqlo.
Djokovic nunca passou das oitavas de final usando Uniqlo.
Djokovic nunca derrotou Seppi usando Uniqlo.
Djokovic está invicto contra italianos usando Uniqlo (d. Starace).
Seppi disputa oitavas de GS pela primeira vez na carreira.
Djokovic disputa oitavas de GS usando Uniqlo pela primeira vez na carreira.

Stanislas Wawrinka X Jo-Wilfried Tsonga
Wawrinka nunca perdeu para um francês nas oitavas de final de um GS.
Wawrinka nunca perdeu para um francês em RG (3 jogos).
Wawrinka nunca passou das oitavas em RG.
Tsonga nunca passou das oitavas em RG.
Tsonga nunca ganhou um GS quando alcançou as oitavas.

Roger Federer X David Goffin
Federer nunca perdeu para um belga em GS (6 jogos).
Goffin nunca perdeu para um suíço em GS.
Federer nunca derrotou Goffin.
Goffin nunca derrotou Federer.
Federer tem 86,9% de aproveitamento em GS.
Goffin tem 100%.

Juan Martin Del Potro X Tomas Berdych
Primeira vez que Del Potro joga tie-breaks nas três primeiras rodadas de GS.
Del Potro nunca perdeu para um tcheco em GS.
Berdych nunca perdeu para um argentino nas oitavas de final de GS.
Del Potro nunca perdeu oitavas de final em RG.
Berdych não perdeu oitavas de final para top 10 na temporada.

David Ferrer X Marcel Granollers
Ferrer nunca perdeu set para Granollers (3 jogos).
Ferrer está invicto em oitavas de final na temporada (8 jogos).
Granollers nunca perdeu oitavas de final em GS.
Granollers nunca ganhou de espanhol em GS (2 jogos).
Granollers nunca perdeu para espanhol em RG.
Ferrer nunca venceu em oitavas de GS depois de três vitórias em sets diretos (2 jogos).
Granollers nunca venceu em GS após uma vitória em 5 sets (4 jogos).
Ferrer sempre foi eliminado por um espanhol em Roland Garros quando enfrentou espanhóis na chave (3 vezes).

Richard Gasquet X Andy Murray
Gasquet não perdeu oitavas de final para britânico na temporada.
Murray não perdeu para franceses em GS na temporada.
Gasquet nunca perdeu partida de GS depois de uma bicicleta na rodada anterior.
Murray nunca perdeu para Gasquet em GS (3 jogos).
Gasquet nunca perdeu para Murray fora de GS (3 jogos).
Murray nunca perdeu para um francês em oitavas de final de GS.
Gasquet nunca passou das oitavas em RG.

Janko Tipsarevic X Nicolas Almagro
Tipsarevic nunca derrotou Almagro.
Almagro nunca derrotou Tipsarevic.
Tipsarevic nunca jogou oitavas em RG.
Almagro não derrotou sérvio na temporada.
Almagro nunca perdeu para um sérvio em RG.
Almagro nunca perdeu oitavas em RG.

Juan Monaco X Rafael Nadal
Monaco nunca venceu top 10 em GS (10 jogos).
Monaco nunca tirou set de Nadal no saibro (7 sets).
Nadal não perdeu para argentino na temporada.
Nadal nunca perdeu para argentino nas oitavas de GS.
Monaco nunca passou das oitavas em GS.
Monaco nunca perdeu para espanhol em oitavas de GS.



21 de maio de 2012

No más


Precisa gringo (tentar) fazer com que a prática jornalística se dê ao respeito.




Os exemplos são recentes. Uma rede de microblog O Twitter informou que o programa dominical “Da idade da pedra ao homem de plástico” continuou a piada e praticamente debochou de Herrera em relação ao ocorrido pós-jogo. Não sei, não vi. Mas não duvido de que o programa futebolístico diário da mesma emissora volte ao assunto logo mais, na hora do almoço. Afinal, (1) não aconteceu nada mais relevante no mundo esportivo no fim de semana e (2) dar o braço a torcer pra quê?

Com Loco Abreu, o repórter estava ouvindo a mensagem que o produtor/diretor/apresentador/narrador lhe passava, e não conversando com a mãe/esposa. Com Barcos, “foi Maikon Leite que mandou te entregar”. Sim, com aspas. E com Herrera, é tradição! Jogadores se matam pra fazer 3 gols domingo. Porque quarta-feira não ganha trilha sonora, então tanto faz marcar 1 ou 6 no meio da semana. Só falta começar a história da alegria, da descontração, da festa típica do povo brasileiro, que o jogador estrangeiro não tem, por isso não entra na brincadeira.

Variações sobre um mesmo tema
Não se trata apenas de sair pela tangente, mas sim de sair por cima. Lembra (um pouco) a resposta em língua brasileira do norte-americano Shamell, questionado pelo repórter em inglês (http://www.youtube.com/watch?v=qdtkwVaL4vE). Essa não está nos padrões atuais do jornalismo-piada, era um trabalho sério, uma pergunta séria pós-jogo. E não teve exaltação ou patada do jogador. Só não teve pesquisa/“estudo” suficiente para cobrir o não-futebol. Mas, se era sério, deveria ter tido. O que realmente lembra é o pós-ocorrido, a volta por cima, mantendo (e renovando) a piada. Outra matéria!

Um bate-papo descontraído entre o repórter e o jogador, agora em bom e claro português, para mostrar que os dois se divertiram com a situação e está tudo bem. Como se o espectador esperasse por um desfecho tal qual ao assistir a uma novela. E como se não tivesse sido um erro. E, ainda, como se pouco importasse o que o cara faz em quadra, como a equipe dele está no campeonato, etc. A relevância (ao menos para o pauteiro/editor) do atleta, da equipe E do esporte que ele pratica está no erro, ou melhor, na piada.

Várias variáveis
Poucas horas depois de Herrera se recusar a ganhar o bônus musical em reconhecimento ao seu feito, o basquete teve mais uma entrevista que lembra (bem pouco) o assunto mais comentado pelos brasileiros em uma rede social 1º lugar do TT BR (nem tem personagem estrangeiro). São José ganhou do Flamengo, “vamos pra quadra com o trabalho de reportagem”! Entrevista jogador, entrevista outro jogador e entrevista mais um jogador. Esse, o armador Fúlvio (quem não o conhece pode dar uma pausa no post para gugar se ele dá entrevista em latim, hebraico ou italiano).

A pergunta, que me pareceu sem ponto interrogação, mais ou menos, foi: “Uma vitória importante, em que São José chegou a tomar sufoco no final, mas fez 2 a 1 na série(?)”. A resposta, mais ou menos: “Eu discordo. Acho que a gente teve o jogo na mão e em nenhum momento deixou ele escapar. A gente abriu 10 pontos no segundo quarto e só relaxamos um pouco no final, aí eles meteram umas bolas de 3, mas a diferença poderia ter sido maior”. Na hora pensei: mais uma patada em repórter (mesmo que o tom de voz tenha sido tranquilo). Minutos depois mudei de ideia. Parece que pelo excesso de “Não, com certeza” e “grazadeus saímu com us 3 ponto” ouvidos em campo, a resposta em quadra foi um ponto fora da curva. Um susto. Mas com educação. Se o repórter tem o direito de fazer uma pergunta incluindo sua visão do jogo, o jogador também o tem. E as visões eram diferentes, só isso. Soa estranho porque foge do senso comum. Talvez o Fúlvio não esteja preocupado se não será mais chamado para participar de programas da emissora. Se não será mais procurado para entrevistas ao vivo pós-jogo. Talvez não tenha um patrocinador/assessor que o aconselhe a ficar o máximo que puder com um fone de ouvido e jogando conversa fora com apresentadores/comentaristas do estúdio porque gera retorno de mídia. Que gera mais patrocínio. Que gera mais entrevista (exposição). Que gera mais patrocínio...

Talvez ele não queira vender a sua imagem, só o seu trabalho. Talvez ele tenha consciência de que em um esporte que não atende pelo nome de futebol é quase impossível vender a imagem e ter contratos de patrocínio. O retorno tende a zero. Talvez seja muito “talvez”. Talvez o post tenha muita bobagem e o interneteiro ficou pelo caminho. Se não, permito-me concluir as bobagens.

Variando
Voltando a uma ramificação do jornalismo-piada, me lembro de uma coletiva do Rio Champions no final de 2011. Guga, Carlos Moyá, Alex Corretja (eles respondem em espanhol, não precisa gugar) à mesa. Pergunta (pedido) para Guga: “Queria que você falasse das qualidades de muso do Moyá”. O brasileiro (1) ouviu errado, (2) fingiu que ouviu errado ou (3) não queria acreditar que tinha ouvido certo. Resposta: “De músico!?”. Repórter: “Não, de MUSO. (Querendo enfiar a cabeça debaixo da cadeira) Me mandaram perguntar isso... tá aqui na pauta...”.

Às vezes o repórter se acha engraçado, quer ser engraçado ou procura uma pauta diferente de “X ganha de Y”, “Juninho diz que vai jogar com raça” ou “O técnico garante força total”. Resta encontrar uma torcedora musa, uma árbitra/bandeirinha musa, uma filha de jogador musa ou até uma gandula musa. A musa que passa a coroa para o próximo ilustre desconhecido que será o novo ídolo do próximo verão, dizia o poeta. “E o principal fica fora do resumo”, dizia outro poeta.

Escrever algo diferente, ainda que seja uma bobagem, gera mais comentário. Fazer um título que deixe uma dúvida no ar gera mais cliques. E mais comentários revoltados por clicarem na matéria pensando que era uma coisa e era outra. Ou não era nada. Não importa, o retorno de audiência é quantitativo. 200 comentários ridicularizando a matéria = 200 comentários. Na TV também. “Muita gente esculachando o repórter que perguntou em inglês? Vamos fazer mais uma matéria sobre o assunto, só que ignorando o assunto, certo?”.

Mas, às vezes, existe a necessidade da piada na pauta, independente do apreço do repórter pela comédia. E quem determina essa obrigatoriedade não é quem vai dar a cara à tapa em uma coletiva ou em um pós-jogo, mas quem fica no ar condicionado contando os cliques, comentários, likes, RT se curtir, etc, etc, etc.

Tempos difíceis esses...

Atualização 11h10
Tive o desprazer da vergonha alheia de ver a matéria dominical graças à indicação de Felipe Priante. Aos interessados http://www.youtube.com/watch?v=7pHa0hE41sY&feature=relmfu


3 de abril de 2012

1/3


Você já caiu nas inéditas piadas de 1º de abril, não ouve a palavra próspero há 3 meses, recebeu feliz ano novo depois do carnaval e este blog continua desatualizado (desatualizado é o melhor termo para substituir ruim. O blog poderia estar atualizado, com produção em série de posts ruins. Eu prefiro deixá-lo desatualizado com posts ruins). Enquanto isso, os estaduais se arrastam, mas você se emociona ao ver os gols de Rio Verde, 2, Itumbiara, 1, em rede nacional, logo depois de descobrir que Roger Federer virá ao Brasil. Roger quem? Exatamente.

Rio Verde já sonha com a classificação no Goianão

Esse cara aí teve uma matéria de quase 10 minutos no Esporte Espetacular do último domingo. De volta ao estúdio, um dos apresentadores disse algo do tipo: é muito especial poder ver um dos maiores atletas de todos os tempos escrevendo a história do esporte. Imagino quantos se perguntaram: “QUEM está vendo um dos maiores atletas...?”. Ou, por que não: “Qual esporte esse cara faz?”. Vida que segue, isso é assunto pra outro post (não esqueci a tática...).

O que aconteceu tenisticamente em 3 meses merece umas linhas. Se a temporada da ATP tem, oficialmente, 10 meses e 1/2 de torneios, o primeiro terço vem com 3 meses e 1/2, daqui duas semanas. Como nos próximos 15 dias acontece um fim de semana de Copa Davis e 2 ATPs 250, prefiro escrever agora a esperar os grandes torneios de Casablanca e Houston, conhecidos como 6º e 7º Grand Slam, respectivamente.

Considerando apenas GS e Masters 1000, esse terço da temporada é o que oferece menos pontos (4 mil, contra 7 mil do meio de abril até o final de julho, e 6 mil de agosto até o meio de novembro, fora 1500 extras do ATP Finals). Porém, o momento é propício pela transição para o saibro depois dos primeiros Masters do ano. E se até Kirilenko e Petrova anteciparam a páscoa é melhor antecipar tudo porque este post já ficou velho enquanto eu escrevia.

Bolinha de sabão
De 4 títulos que tinha para defender, Djokovic teve sucesso em 2 e nos outros 2 parou na semi. Sinal de alerta. Quanto drama. Nesse tempo, 1 vitória contra Nadal, 2 contra Murray, 2 contra Ferrer. Derrotas para Murray e Isner. Se não for desmerecer aqueles que o derrotaram justificando más atuações do número 1 e considerar que o sérvio não é mais o imbatível de 2011, imagina se fosse. Ganhar Miami, sem jogar seu melhor, passando por Baghdatis, Troicki, Gasquet, Ferrer, Monaco e Murray sem perder sets pode servir de alerta aos secadores.

Embalado pelas 17 vitórias de 2011 pós-US Open, o velho Federer iniciou a temporada com gás novo. Mais do que títulos, todo mundo quer acompanhar a (eterna?) busca pela liderança. Doha foi aquecimento (com WO na semi), AO foi a primeira chance de reduzir a diferença significativamente e Copa Davis contra Isner... Títulos seguidos nos 500 de Roterdã, Dubai e Masters de Indian Wells. Até então, destaque para vitória contra Nadal, Murray e 4 contra o freguês Del Potro. Aí chegou Miami. A boa fase credenciava o número 3 a principal favorito(?). Pelos menos no Fantasy, antigo Draw Challenge, do site da ATP, sim. Entre os chutadores, 47,4% apontaram Federer como campeão, contra 24,9% para Djokovic e 19,6% para Nadal. Na chave, o teórico duelo contra o número 1 na semi. Na prática, uma inesperada queda para Roddick na 3ª rodada. Se no jogo Federer pagou pela pressa, convertida em erros não-forçados, por um game ruim de serviço no 3º set e por um norte-americano anormalmente resistente / paciente (no 1º e no 3º sets), no resultado recebeu um balde de água fria na maior pretensão para a temporada. Ou na maior pretensão que os outros acreditam que ele tem...

Serpentina

As linhas sobre Federer vieram antes do Nadal por tomarem os 3 meses como base. No ranking desse período, o suíço é o vice-líder.

Aos secadores, a escassez de títulos de Nadal é motivo de preocupação. Em 2011, foram 3, todos no saibro, o primeiro ano desde 2004 sem troféu em superfícies diferentes. Nas últimas 11 decisões, são 8 vices, 7 para Djokovic. Os números seriam alerta se as quedas fossem precoces, mas, em 4 torneios, Nadal tem 1 vice e 3 semis. O equilíbrio da longa final do AO foi encarado como a descoberta de uma maneira para bater Djokovic. Apesar disso, depois vieram atuações irregulares contra Federer e o vento em IW e Tsonga em Miami e o WO de Miami. Se Nadal ainda não encontrou a forma ideal de combinar seu “antigo jogo” com mais agressividade e tem uma lesão batendo à porta, duas semanas de “descanso” pré-saibro são essenciais. Para aqueles que gostam de ver a temporada europeia de saibro como uma oportunidade de queda do espanhol, por ter muitos pontos a defender, há aqueles para lembrar que, desde sempre, Nadal nunca sentiu a pressão da defesa de pontos, principalmente no saibro. Entre 2005 e 2011, entre Monte Carlo e Roland Garros, foram 5 anos com 4 títulos e 2 anos “fracos” com 3 troféus.

Correndo

Sempre evito escrever sobre Murray, porque... ele é o Murray. Mas já escrevi qualquer coisa sobre o top 3, então vai. Título em Brisbane, exigir tudo de Djokovic no AO e depois derrotá-lo em Dubai trazem uma impressão. Perder em 2 sets para Garcia-Lopez na estreia de IW, outra. Para mim, cabe divagar sobre Murray e Djokovic, que têm 7 dias de diferença de idade.

ATENÇÃO, parágrafo-teoria abaixo sem embasamento científico.
Os dois surgiram para o top 10 entre 2007-2008 e até meados de 2010 foram os eternos 3º e 4º do mundo (a ordem variava). Em alguns torneios, conseguiam incomodar Federer OU Nadal, subiam à vice-liderança e depois voltavam à posição que lhes cabia. Para pôr fim a isso, o sérvio precisou atingir um nível absurdo E contar com ele por alguns meses. Assim, passou a incomodar Federer E Nadal. Acredito que o britânico tem condições de chegar a esse nível – em alguns jogos, mesmo em 2008 ou 2009, até já mostrou para quem não acredita. Os principais problemas passam a ser: manter o jogo elevado por alguns meses E incomodar não só Federer E Nadal, mas, agora, Federer E Nadal E Djokovic. A outra opção, que Djokovic também tinha, seria continuar jogando o jogo, satisfeito como 3º ou 4º da ATP, esperando Federer E Nadal sentirem uma lesão, entrarem em decadência, ficarem velhos, etc.

Procurando
Voltando ao ano de Murray, Miami rendeu bons números, já que ele tinha caído na estreia em 2011. Fora de quadra passou por Raonic e Nadal. Em quadra teve sonolentas e erráticas vitórias contra Simon e Tipsarevic, um 1º set totalmente dominado por Djokovic e um 2º resistente, sofrendo mais com o serviço do que o sérvio, mas forçando o tie-break.

Na reta
- Ferrer: Sem golpes acima da média e aos 30 anos, o espanhol consegue manter atuações que sempre exigem muito do adversário. Em 6 torneios, já são 3 títulos (ATP 500 de Acapulco e ATPs 250 de Auckland e Buenos Aires) e derrotas para Djokovic (2 vezes) e Istomin. Se não bateu jogadores de melhor ranking que o seu, o 5º do mundo vacilou pouco diante de tenistas “menos badalados” na gira latino-americana e em Miami. O tal aproveitar as chances, uma chave aberta, fraca...

- Del Potro: Todos esperavam que o argentino voltasse, aos poucos, aos bons momentos de sua 1ª carreira. Depois de um ano quase completo, o ex-número 4 voltou. Em 2012, tem o título do ATP 250 de Marselha, parou 4 vezes em Federer, 1 em Ferrer e 1 em Baghdatis. Somou, porém, 3 vitórias contra tenistas de ranking superior (Tsonga – 2 vezes – e Berdych). Interessante listar que, na 2ª carreira, Del Potro tem 0-5 contra Federer (todas em quadra dura), 0-3 contra Nadal (dura, saibro e grama) e 1-1 contra Djokovic (vitória na desistência do sérvio na Davis).

- Raonic: Assim como em 2011, o montenegrino-canadense faturou o ATP 250 de San Jose e na semana seguinte foi vice do ATP 500 de Memphis (nos 2 torneios, derrotou os números 89, 35, 94, 61, 70, 68, 51 e 284. O tal aproveitar as chances, uma chave aberta, fraca...). Em janeiro, havia vencido o ATP 250 de Chennai, onde derrotou os então top 10 Almagro e Tipsarevic. Se o jovem de 21 anos já tem 3 títulos na carreira, as lesões não permitiram uma temporada europeia inteira no saibro ou resultados expressivos nos torneios maiores. Em 2011, na terra batida, chegou a derrotar os então top 30 Simon, Llodra e Gulbis, mas depois amargou as estreias dos M1000 de Madri e Roma e RG. Afastado por 3 meses pós Wimbledon, ficou de fora do US Open e quando voltou venceu 5 de 10 jogos. Em 5 chaves principais de GS (talvez muito para sua idade), Raonic passou da 3ª rodada uma vez (talvez pouco pela expectativa que gera no público ao vencer torneios menores). Em 11 chaves de M1000, tem como melhor resultado as oitavas, uma única vez. Curiosamente, na lentidão de Monte Carlo, condição que (teoricamente) não combina com seu jogo.

Depois da curva
E o que esperar do top 4 no saibro pré-RG? Djokovic e Nadal à frente, Federer um pouco por fora e Murray um pouco mais por fora? Os dois primeiros dispensam comentários depois de 2011. Não dá pra esperar que repitam todos os resultados e confrontos que marcaram o ano, mas ainda parecem as apostas mais seguras depois de IW e Miami (lesão à parte). Federer depende de não deixar o melhor reservado apenas pra RG, pensando não só na adaptação ao saibro, mas também em somar pontos. Murray, que ficou de fevereiro a maio sem finais em 2011, tem uma boa oportunidade de embalar depois da boa (e sortuda) campanha de Miami. Se com 2 derrotas em estreias nos EUA em 2011 o britânico foi para os Masters europeus e fez 2 semis e 1 oitavas, chegando com um pouco mais de confiança dá pra pensar mais alto.

Últimas divagações: Djokovic ganhou tudo até RG, e ainda assim quem defende mais pontos antes do GS francês é Nadal. Seguem os pontos do top 4, desconsiderando-se RG.

Nadal: 2700 pontos
Djokovic: 2250 pontos
Murray: 810 pontos
Federer: 630 pontos

Quem mais tem a lucrar, pré-RG, é o suíço, claro. Na prática, uma boa oportunidade de tirar os atuais exatos 900 pontos de diferença para Nadal e a chance de ser o segundo cabeça-de-chave em RG. A possibilidade de enfrentar Nadal ou Djokovic somente na decisão – não que Federer dependa do sorteio para se dar bem em Paris ou que Murray não mereça respeito – deve agradar.

Ainda sobre Federer, o retorno à liderança do ranking parece distante em grande parte pelos resultados em GS. Ironicamente, o que sempre foi o ponto alto de suas temporadas. Nos últimos 8 GS, apenas uma final – chegar pelo menos nas quartas-de-final não é suficiente, para os padrões Federer ou para ser número 1.

Caixa de brita
Indagações deveras intrigantes?
- Se a maioria dos torneios mede a velocidade dos serviços e winners em milhas/hora, por que mostram a distância percorrida pelos tenistas nos pontos em metros, e não em milhas?

- Quanto aquele cara que fica ao lado do gol no campeonato paulista paga pra assistir à partida dali? É promoção de patrocinador?

- Pra onde foi a turma do Twitter que começou o ano contando “Page 1 of 366”? Depois de 31 + 29 ficou difícil somar?

Me ajudem aí a responder. Obrigado.

3 de março de 2012

Tá na cara...

Reprodução UOL

... que um cidadão que escreve um título desse não está preocupado em criar um post sensato. Porque no post não são raras as bobagens, que se transformam em comentários exaltados, que se transformam em grande número de comentários na reunião de negociação de anunciante / renovação de blogueiro.

Mas no título...  é só trocar comentários por cliques nas linhas acima. A velha máxima internetesca do falem-bem-falem-mal-mas-falem-de-mim. Um clique revoltado vale o mesmo que um clique interessado em ler o post, ou um que queira dar risada das babaquices que imagina que o mesmo contenha. No fim, números.

Alguém pode achar que “provocar” as 3 maiores torcidas de São Paulo e a maior do Rio de Janeiro não passa de coincidência. Hum... Se o título tivesse, por exemplo, “Palmeiras (ou São Paulo, ou Flamengo) tem jogo perigoso no final de semana”, as visitas seriam as mesmas?

Números, números... Talvez eu devesse aderir. Principalmente sobre futebol.

16 de fevereiro de 2012

Jornalismo cíclico (Parte 2)


Desde a última edição do jornalismo cíclico, tudo que ia acontecer aconteceu. E mais um pouco. Às vésperas do carnaval, a escassez de pautas dá as caras novamente e o que se vê em jornais, TVs e internet são apenas (poucas) variações de um mesmo tema. Para quem vai viajar – ou ficar inconsciente – nos próximos dias, mas quer se manter informado, algumas matérias que poderão ser vistas até quinta-feira já estão abaixo. Se alguém ficar isolado de informações e parar de ler este post aqui, também não terá perdido nada.

17 de fevereiro
São Paulo em véspera de feriado
- Trânsito recorde do ano na saída do paulistano para o feriado, no final da tarde. É o primeiro feriado prolongado, efetivamente, de 2012. Para quem não viu televisão antes de um feriado prolongado nos últimos 17 anos, atenção: Recomenda-se fazer uma revisão no carro antes de “cair na estrada com a família, para a diversão não virar dor de cabeça”. Um pequeno detalhe é que a “dica” da revisão só é noticiada no último dia antes do feriado, quando até os mecânicos já devem ter encerrado o expediente. Outras recomendações inéditas que o jornalista pedirá para que os policiais rodoviários deem: Diminua a velocidade se a estrada estiver molhada, se beber, não dirija, e não ultrapasse pelo acostamento.
- Os preparativos para o primeiro dia de desfile das escolas de samba de São Paulo.
- Viagem: Saiba quais são os seus direitos se a casa que você alugou na praia é um terreno baldio, se a sua bagagem foi extraviada, etc.
- Saúde: Dicas para se alimentar de algo diferente de miojo na casa alugada com mais 27 amigos, beba muita água, tome cuidado com o sol e use camisinha.

18 de fevereiro
- Alôôô bateriiiiiiiia. A hora é ééééééssa!
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Vai-Vai e Mancha Verde conquistam público no Sambódromo (Explicação: São as escolas que têm mais “torcedores” entre os presentes no Anhembi)
- Compilação de acidentes nas estradas na ida para o feriado. A operação descida no sistema Anchieta-Imigrantes continua e o número de carros imóveis na estrada também.
- O futebol sempre reserva pautas inovadoras. Principalmente para o repórter revolucionário que não viu as matérias feitas há um ano, no mesmo feriado. A rodada dos campeonatos estaduais, antecipada pela data de vadiagem oficializada, terá textos surpreendentes. Exemplos: “A comissão de frente do Itapipoca de Santa Gertrudes mostrou samba no pé nos 4 a 1 sobre o ....”, “O Atletiquense venceu a 4ª seguida e segue nota 10 no quesito evolução”, “Joãozinho Gaúcho e Joãozinho Paraense mostraram entrosamento em uma tabelinha a la mestre-sala e porta-bandeira e levantaram a torcida na passarela do futebol”, “O Operariano apresentou seu abre-alas logo aos 3 minutos de desfile, em lance pela direita. A comemoração de Joãozinho Baiano contou até com paradinha e coreografia da alas dos baianos”, “O Nacional Mineiro atravessou o samba e é o primeiro rebaixado para o grupo de acesso em 2013”.
- Maria Joana da Silva é flagrada no camarote de cerveja (isenção para propaganda). O “______  ______ é flagrado em camarote” é a versão carnavalesca do “______  _______ corre na orla e exibe boa forma de biquíni”.

Jennifer Lopez é flagrada em camarote da Brahma = Brahma paga R$ 2 milhões
para Jennifer Lopez vir ao Brasil e ficar uns minutos no camarote

19 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Gaviões encerra desfile aos gritos de “É campeã!”.
- Quantos mijões foram detidos nas ruas do Rio de Janeiro.
- Algum acidente com trio elétrico no Rio de Janeiro ou no nordeste.
- Carnaval de Olinda, Recife e Salvador na Band, nos próximos 3 dias. Pausa para uma tese sobre nada. Esse tipo de transmissão,  seja com o Leão Lobo ou com a Adriane Galisteu, é o ápice para que o telespectador (se alguém estiver assistindo) se questione: Por que eu ainda não me matei? E não se trata de gosto. Se você gosta de ficar em casa, dormindo o dia inteiro, com preguiça de levantar para pegar o controle e odeia as músicas de carnaval, ver um trio elétrico tocando ininterruptamente, cercado por milhares de foliões (palavra usada exaustivamente nessas “coberturas jornalísticas”) bêbados e se pegando, é motivo para suicídio. Se você gosta de ficar espremido(a), suado(a), em meio a pessoas bêbadas e está lamentando não ter comprado o abadá do Asa pra pegar geral, ver um trio elétrico tocando ininterruptamente, cercado por milhares de pessoas bêbadas e se pegando, vai te deixar com mais raiva por não estar lá. E isso é motivo para suicídio. De qualquer jeito, não há como se dar bem assistindo ao carnaval de rua da Band. ATENÇÃO, este blog não incentiva o suicídio e utilizou a palavra duas vezes de maneira hiperbólica.
- Alguém é flagrado em algum camarote.

20 de fevereiro
Bombom e Viviane Araújo: Vote e escolha a musa do carnaval
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Beija-Flor e Portela levantam a Sapucaí.
- As músicas que não saem da cabeça dos foliões / entrevista com os cantores.
- Entrevista com o gringo que adorou o turismo sexual a caipirinha, aprendeu a falar as palavras “oi”, “samba” e “mulata” e promete voltar no próximo ano.
- Saúde: Pautas sobre doenças transmitidas pelo beijo, o calçado adequado para “aguentar as horas de folia”, como curar a ressaca, etc.
- Alguém é flagrado em algum camarote. Se for beijando alguém casado(a) ou que tem namorado(a) rende mais cliques.

21 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Mangueira e Salgueiro levantam a Sapucaí.
- Apuração das escolas de samba de São Paulo terá briga entre corintianos, palmeirense e são-paulinos, “torcedores”, respectivamente, de Gaviões da Fiel, Mancha Verde e Dragões da Real. Se não no Sambódromo, em alguma estação de metrô. Gaviões, com samba-enredo sobre Lula, será campeã. Se atrasar ou algum carro quebrar, a campeã é a Vai-Vai, “levando mais um título do carnaval de São Paulo para o querido e tradicional bairro do Bixiga”.
- Alguém é flagrado em algum camarote. Se for um jogador de futebol, dobram os cliques na internet. Se o jogador for o Neymar ou o Adriano, octuplicam os cliques. Entre as mulheres, aquelas que já fizeram dezenas de capas de Playboy / Sexy aparecem em trajes minúsculos. Se o título da “matéria” ainda tiver um “paga peitinho”, você vai clicar, mesmo sabendo que todas já mostraram muito mais em outros carnavais, em outras publicações, em outras páginas...

22 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”. Próximo ao “final” do evento, a pauta pode ser substituída por “Confira o look das famosas que arrasaram no carnaval”. Resume-se a galeria + legenda, agregando fotos do dia 17 ao 21.
Sabrina Sato e Ellen Roche foram destaques na passarela do samba.
Confira a galeria com os looks das famosas e escolha a musa do carnaval
- Apuração das escolas de samba do Rio de Janeiro. Algumas agremiações cantaram a Amazônia, outras o nordeste, outras Machado de Assis, outras a chegada dos portugueses ao Brasil e outras homenagearam personalidades históricas dentro da própria escola. Com qualquer tema, a campeã é a Beija-Flor. Após alguns dias, o público digeriu as lições sobre os desfiles e virou expert em alegoria, evolução, mestre-sala e porta-bandeira. A apuração pode até se aproximar do fanatismo em um jogo de futebol. Outros 2 erros por excesso de confiança do folião de ocasião são: (1) Achar que rainha e madrinha de bateria são diferentes e (2) garantir que sabe a diferença. Na semana seguinte ninguém lembra que isso existe, as pautas são outras, a economia do país retomando o ritmo, os políticos voltando do recesso de fim de ano...

23 de fevereiro
- O saldo de mortes no feriado anterior. OBRIGATÓRIO comparar com os números do feriado anterior – o reveióm – e com o carnaval de 2011.
- Os foliões que se negam a deixar a folia. Algumas aspas de entrevistados: “A gente vai até domingo!”, “já vou procurar o pacote pra comprar e voltar no ano que vem”, “Muito bom... (o repórter continua com o microfone apontado, esperando outras palavras e o entrevistado não tem nada a falar. Aí conclui, 5 segundos depois)... muito bom mesmo!”.
A próxima pauta
- Passado o carnaval, é hora de fazer pauta no comércio com a próxima data apelativa: “Os mercados já estão assim (aponta o dedo para cima e a câmera inclina): cheios de ovos de Páscoa”. Entrevistas com mães dizendo que os ovos estão caros, mas, para agradar os filhos, em data que só tem uma vez por ano, vale tudo. Os filhos também são entrevistados: “Você gosta de chocolate? Gosto”. Pelo lado comercial, incluir um economista na reportagem para falar que os ovos estão 142% mais caros que no ano anterior e que mesmo se o aumento fosse de 857%, as vendas seriam as mesmas.

Derrapada
“Todo carnaval tem seu fim”, diz o poeta, e ele sempre vem entoado pelo Ricardo Chaves no célebre refrão: “Acabo-o-uô-o, aacaabô!”. Mas, fato é, que a saideira cada vez demora mais para chegar. Todo ano, os compositores reservam o ápice de criatividade para o carnaval e tomam as ruas de Rio de Janeiro, Salvador, Olinda, Recife, Ouro Preto e as rádios do resto do país. Depois, somem por 11 meses e retornam no carnaval seguinte. Por enquanto...

“Me agarra”, “me beija”, “me pega”, “vou te pegar”, “a dança do verão”, “tá calor”, “a galera sai do chão”, “o bloco vai passar” são alguns exemplos, para não entrar no campo das onomatopéias e dos duplos sentidos, mais óbvios que a campeã do carnaval carioca. Se falam que o Brasil só começa a trabalhar depois do carnaval, pelo menos algumas pessoas têm que trabalhar antes – ou durante –, lucrando com suas indispensáveis criações musicais. Mas alguém espera não ouvir os clássicos (e os quase clássicos) desprovidos de sentido, em qualquer carnaval?

Vou te comer(x37), o reboleixon-xon(x53), bom-xibom-xibombombom(x67)... E porque não o praieiro-guerreiro-solteiro, o Nero e a dança da manivela, andou na prancha, cuidado com o tubarão, o Araketu que deixa todo mundo pulando que nem pipoca, olha(x23) água mineral(x3), o cara que bate na mulher feito maionese(WTF?), o piu piô pirulitô(x9), a Miiiiiila, a dança que é uma bomba, é o bicho(x2) vou te devorar? Alguém tem a ilusão de que vai escapar dessas? Nada escapa da matemática simples: a cada ano, surgem novas criaturas musicais e NENHUMA música dos anos anteriores entra em extinção. Logo, chegará o tempo que não haverá tempo para reproduzir todos os minutos de deleite sonoro aos foliões. Ah, os foliões... E a tortura terá duração ininterrupta de 365 dias.

Enquanto o fim não chega, restam os anos bissextos e os clássicos sambas-enredos que merecem estar na lembrança.



9 de fevereiro de 2012

À direita

Choro após vitória na semifinal das Olimpíadas de Pequim, 2008
Este post poderia estar escrito há dois anos, como muitos obituários de famosos que estão engavetados em Word nas redações. Tempo sofrível para um atleta que tenta vencer, se não o tempo, o duro adversário chamado lesão. Aos 31 anos, o chileno Fernando Gonzalez anunciou seus últimos compromissos como tenista profissional: Brasil Open, ATP 250 de Buenos Aires e Masters 1000 de Miami. Quase 13 temporadas como profissional. Quase as 2 últimas inteiras com lesões, no quadril e no joelho. Ex-número 5 do mundo, Gonzalez deixa 11 títulos e 11 vices de ATP, 3 medalhas olímpicas e um forehand inadjetivável.

Seria só mais um. Só mais um ex-top 10. Só mais uma “morte anunciada”. Só mais uma carreira esportiva que o tempo (sempre) há de comer. Então, por que escrever, ler, procurar vídeos? Também não tenho certeza... Talvez pelo forehand mais absurdo que já vi no tênis (e eu conheço Del Potro). Talvez pelo backhand de uma mão, muito mais bonito que o de duas, cada vez mais raro. Talvez pelas 142857 horas em quadra para conquistar o bronze nas Olimpíadas de Atenas 2004 (vídeo abaixo). Talvez por voltar à quadra 15 minutos depois das 142857 horas para jogar mais um pouco (6/2 4/6 3/6 7/6(7) 6/4) e faturar o primeiro ouro olímpico da história do Chile, formando dupla com Nicolas Massu. Talvez porque, muitas vezes, a vontade de ganhar era a mesma vontade de destroçar uma raquete. Pode não ser legal, mas rendeu memoráveis acessos de fúria.

Se em Grand Slam (vice do Australian Open 2007), Masters 1000 (vice em Madri 2006 e Roma 2007) e Jogos Olímpicos (prata em Pequim 2008) ficou no quase, o que fica além do quase é a carreira até 2009. O 11/9 no set decisivo contra Blake, então top 10, na semifinal das Olimpíadas de Pequim. A virada contra Federer no ATP Finals 2007 (trechos em vídeo abaixo). A campanha do vice do Australian Open 2007, com vitórias em 3 sets contra Blake, Nadal e Haas, então 5º, 2º e 12º do mundo, respectivamente. Os 4 títulos em Viña Del Mar. As 31 vitórias em 44 jogos de Copa Davis. Forehands beirando 200 km/h.

Para quem não viu Gonzalez jogar, restam 3 torneios. Para quem não viu Gonzalez jogar em alto nível, restam os arquivos.

Compilação de forehands.
- 30s-50s: dois pontos contra Federer no último encontro entre eles, Indian Wells 2009.
- 1min01s: WTF!?
- 1min31s: WTF!!??
- 2min21s-3min10s: OS FOREHANDS contra Federer, ATP Finals (Masters Cup) 2007.
- 5min41s-6min41s: Semifinal contra Haas no Australian Open 2007, o último em quadra verde.
- 9min35s: WTF!!!???



Melhores momentos do bronze olímpico, em 2004, contra Dent.

http://www.youtube.com/watch?v=S6FIstf6OZA

Cinco grandes jogadas (a última, em 2min27s, realmente grande: passada de gran willy).



Devoluções sem compromisso contra Reynolds.


Um ponto incomum na semi das Olimpíadas de Pequim.



Duas quebras de raquete.



E um saque, literalmente, no corpo.



Depois da curva
A quem falar que seu jogo era só forehand: se eu tivesse um forehand desse, adoraria que meu jogo fosse dependente dele.

25 de janeiro de 2012

"Qualquer um dos quatro pode ficar com o título"



Esse é o tipo de frase que os heróis da nave maluca do Australian Open têm que ouvir madrugada adentro. Perto disso, o sono passa ao lado. Falta pouco para ver quem resistiu às duas semanas, quem vai sair da Austrália como número 1 da WTA, quem vai posar para fotos de algum prédio de Melbourne com o troféu segunda-feira, quem vai ganhar o primeiro Grand Slam da carreira (alguém?), quem vai levar mais um pra coleção (alguém?), etc.


No feminino, a regular irregularidade das tenistas sempre quebra qualquer previsão. A partir de 00h30, a primeira semifinal, Clijsters X Azarenka. Pelo caminho, a belga arrasou Hantuchova, venceu mentalmente um jogo perdido contra Li – com direito a torção no tornozelo – e jogou pro gasto contra Wozniacki. Azarenka confirmou o amplo favoritismo até as oitavas – perdendo 12 games em 8 sets – e nas quartas teve baixos e médios contra Radwanska, virando em 3 sets.


Jogo por jogo e experiência nas fases finais de GS, Clijsters seria a aposta mais segura. Para provar a imprevisibilidade da WTA, passei por um site de apostas, que aponta 1,90 para cada uma.


Entre Kvitova e Sharapova, a experiência pesa para um lado, a lembrança da final de Wimbledon 2011 para outro. Um dia ruim no saque e/ou ataque, de qualquer uma, afunda a balança pra algum lado. Pelo jeito que cada uma gosta de jogar, a teoria é que aquela que dominar primeiro os pontos leva a melhor. Correr e ser forçada a jogar na defesa não agrada muito a tcheca, Menos ainda a russa.


Entre as semifinalistas, Kvitova foi quem mais teve sustos inesperados (sim, na WTA alguns sustos são esperados). Três sets contra Suarez Navarro na 2ª rodada, um tie-break contra Ivanovic nas oitavas e até o duplo 6/4 contra Errani nas quartas. Para Sharapova, o único susto – esperado – foi o set que esteve abaixo contra Lisicki nas oitavas.


Antes de a chave começar, chutava que a final seria Azarenka X Kvitova, pelo momento de cada uma. Não errei tão feio, pelo menos as duas chegaram à semi.


Se no feminino as semifinais reúnem o top 4, “só” com a ausência da (ainda) número 1, o masculino tem o verdadeiro top 4. Fantastic Four. Awesome Foursome. Fab Four. Blá, blá, blá.


Djokovic, Murray e Federer só tiveram que passar por um cabeça-de-chave. Nadal, por dois. Em cinco rodadas, em que poderia haver três duelos entre pré-classificados, os jogos não ajudam a decifrar a real condição técnica (cada um está no seu melhor?) de cada um para as fases finais.


E a parte mental muito menos – que o diga Murray, que brincou em uma das entrevistas pós-jogo em quadra sobre os 100 anos sem um título britânico de GS. Já faz um tempo que as primeiras rodadas de GS não são problema para o britânico. E semifinal? E final? Ivan Lendl teria, em tão pouco tempo, modificado tanto a cabeça do tri-vice-ainda-sem-sets em finais GS?


Entre os quatro, diria que o único teste, em quadra, foi de Nadal contra Berdych. Os testes de Murray ficaram na teoria e Djokovic e Federer não deram espaço para que eles se tornassem prática, contra Ferrer e Del Potro, respectivamente.


Federer X Nadal
A partir de 6h30 de amanhã, mais um capítulo do maior clássico da década passada. Isso não é chamar os dois de velhos, só não dá pra eleger o maior clássico desta década depois de 1 ano e 1 mês da mesma.


São 26 jogos, 19 em finais, 8 em finais de GS. São 17 vitórias de Nadal, 13 em finais, 6 em finais de GS. Números, números e números. Nunca foi segredo que o jogo do espanhol incomoda o suíço, e os números só servem de prova. Mas, quem garante que o Federer do ATP World Tour Finals 2011 não estará em quadra amanhã? É, uma apresentação como aquela não acontece com frequência, ainda mais em melhor de 5 sets, em uma semifinal de GS, entre dois tenistas que se conhecem tão bem.


No encontro anterior a Londres, Federer entrou jogando Nadal para trás, vencendo pontos de tudo que é jeito. Ainda assim, voltou ao normal (mesmo que o normal do nível dos dois seja muito alto) para uma final de GS, Nadal cresceu e ainda deu tempo de fechar o 1º set. Roland Garros 2011. Federer forçou um tie-break no 2º set e levou o 3º por 7/5. Parecia tentar fingir que o jogo não tinha escapado logo no 1º set, que poderia ter fechado em uns 35 minutos.


Com tanto a se falar e esperar de mais um Federer X Nadal, resta chover no molhado (o Word indica que essa é uma expressão errada, mas não dá sugestões...) que desde o primeiro ponto, cada game, cada game point, cada break point é importante e pode mudar o jogo. Escolho reduzir o clichê para os 2 primeiros sets. Ah, se o Federer fizer 2 a 0 o Nadal não pode virar? Claro que pode. O poder de recuperação de Nadal não precisa mais ser provado para ninguém. Porém, mesmo sem querer, até os tops sentem um pouco um 2 a 0 contra.


Do jeito que vem sacando – dos 4 semifinalistas, Federer é quem fez mais aces, com um jogo a menos, e quem tem a melhor porcentagem de pontos ganhos com o 1º saque – acho que uma virada neste caso seria muito pouco provável. Fato é que, no confronto direto, em jogos que foram para o 4º ou 5º set, a vantagem do espanhol é de 8 a 3. Por isso, vejo que um 1 a 1 após 2 sets (lógico) já faz o jogo ficar um pouco mais para Nadal. E um pouco mais não é igual a vitória definida, logo, falei, falei e não disse nada.


Djokovic X Murray
O sérvio ainda não mostrou o nível que o fez chegar ao topo do ranking em 2011. Não foi exigido para tanto, é verdade. Murray, mesmo sem ser exigido, teve atuações beirando a perfeição. O ponto de interrogação em relação ao britânico sempre foi e, para mim, continua sendo, uma grande atuação em jogos pelos quais precisa passar. Djokovic e depois Federer ou Nadal. Em 5 sets. Já seria o bastante para não ter um favorito.


A lesão(?) que deixou Djokovic menos rápido contra Ferrer seria o bastante para apostar um pouco no britânico. As finais de GS e Masters 1000 de 2011, um ou dois dias pós-semifinal de intenso desgaste físico, são o bastante para não duvidar do atual campeão do Australian Open. Os apostadores, por exemplo, não duvidam.


Se para a semifinal Djokovic tem 1,45 e Murray 2,62, para indicar o campeão, o sérvio é quem paga menos, seguido por Federer e, empatados, Murray e Nadal. No feminino (xiii, vou me arriscara falar do feminino de novo), Kvitova é a favorita, seguida por Azarenka, Clijsters e Sharapova. Eu estranhei a bielorrussa ser a 2ª escolha e a russa a última. Enfim, é a WTA. A única aposta que eu faço é: se tiver o papo de grito / grunhido das tenistas durante o ponto, na transmissão e no Twitter, eu ganho R$ 50,00. Alguém fecha?


Caixa de brita
Quando um músico/banda anuncia turnê de despedida – calma, depois de alguns anos tem mais uma ou duas –, um jogador, de qualquer esporte, marca uma última competição como profissional – às vezes, também tem mais uma depois de alguns anos –, a babação e a atenção que a divulgação do fim gera são enormes. Talvez porque o público se recuse a acreditar que aquilo vai acabar. Mas está anunciado, decisão tomada. Federer ainda não marcou data, e mesmo que ele e muitos jornalistas / espectadores acreditem que seu estilo de jogo, menos dependente do físico que a maioria, possa lhe render mais alguns anos em alto nível, a aposentadoria pode estar próxima. Neste ano, pode ser depois de um eventual título nas Olimpíadas. Ou no final da temporada, se sair de Wimbledon ou das Olimpíadas com chances reais de voltar à liderança do ranking. Ou pode ser daqui 10 anos e este texto ser (ainda mais) inútil. Para o recordista de títulos de GS, o tempo que ainda tem em quadra pode não ser mais tão importante. Ou ele quer mostrar que não é. De qualquer modo, é melhor aproveitar para vê-lo em ação enquanto ele ainda está próximo do topo, podendo jogar de maneira competitiva dentro do Fantastic Four. Nunca se sabe que dia vai ser o último... Amanhã tem um.


Ah, e tem mais quatro fotos de despedida.




Retrospectiva em curso


“Até a semifinal não tem graça, sempre são os 4 primeiros mesmo, deviam sair adiantados na chave”. A frase de impacto só não é mais idiota porque depende de quem a reproduz. Geralmente quem assiste a uns dois jogos até chegar à semifinal. O top 4 na semi aconteceu no US Open 2008, Roland Garros 2011 e US Open 2011. O princípio básico é: Se só os 4 chegam, devem ter méritos. Às vezes, pode-se até somar um pouco de demérito dos outros. Antes de tudo, porém, cada um teve um caminho, com sustos, surras, lesões. Ou não.

Novak Djokovic
Chamar de treinos as 3 primeiras rodadas pode até ofender os adversários. Ou os verdadeiros treinos. Lorenzi, Giraldo e Mahut venceram, juntos, 10 games em 9 sets. Depois, Hewitt tirou um set como recompensa ao seu eterno espírito de luta em quadra e também contou com uma certa preguiça do sérvio após abrir 2 sets a 0. Nas quartas de final, mais um tenista que corre mais que a população pra saquear carga de caminhão tombado. Um set de 58 minutos e outro de 76. No segundo, um tie-break que o espanhol teve 4/2 antes de começar a errar e Djokovic atacar conscientemente, com margem de segurança. Cinco pontos seguidos pra fechar o set e a tradicional early break no quarto set.
- 1 set perdido
- 34 games perdidos

Andy Murray
Um primeiro set perdido para Harrison seguido de surras sobre Roger-Vasselin, o estilo peculiar de Llodra, o capenga Kukushkin e o jovem – e já histórico – japonês Nishikori. Com bons trechos dos 3 últimos jogos (os que vi), dá para falar que o britânico fez por merecer a energia que poupou em todos eles. O russo-cazaque e o japonês criaram um pouco de expectativa após surpreenderem cabeças nas rodadas anteriores. Só ficou na expectativa. Continuo dividindo os passeios entre méritos de Murray e inexperiência dos dois em jogos importantes. Kukushkin tinha tirado um set em Brisbane, na primeira semana do ano. Nishikori havia vencido três top 10 em outubro, mas só tinha 1 oitavas e 2 terceira rodadas como melhores resultados em GS. É a boa e velha história: Ganhar - ou complicar - em melhor de três é uma coisa. Em melhor de cinco é outra. Por isso que GS é GS, e vice-versa.
- 1 set perdido
- 39 games perdidos

Roger Federer
Um pouco de ritmo contra o qualifier Kudryavtesv, descanso pelo WO de Beck e nenhum ritmo contra Karlovic. Só vi melhores momentos desses, mas um tie-break contra o croata sempre é esperado. Os primeiros desafios chegaram a ser decepcionantes. Pelo controle que o suíço teve durante todo o jogo contra Tomic e Del Potro. O australiano somou 3 viradas nas rodadas anteriores, passando por 2 cabeças-de-chave, mas não conseguiu incomodar Federer em nenhum momento. O duelo contra o argentino era ainda mais aguardado. Um começo arrasador, um quase susto quando Del Potro devolveu a quebra no 1º set e a vaga na semifinal foi garantida com uma early break no 2º set.
- Não perdeu set (contou com um WO)
- 40 games perdidos

Rafael Nadal
Se o padrão eram 3 rodadas de treino, Nadal teve um extra contra Lopez nas oitavas. Como esperado, Kuznetsov, Haas, Lacko e Lopez não ofereceram resistência. Assisti ao alemão e ao começo dos jogos contra o eslovaco e o espanhol. Não há muito a acrescentar. O número 2 do mundo alterna o seu “novo jogo”, mais agressivo, buscando pontos mais curtos, com seu físico monstruoso. Mas nenhum jogo serve de parâmetro para avaliar as mudanças pós-2011 e com a raquete nova. Contra Berdych, talvez o jogo do torneio, tecnicamente, até o momento. Porque Djokovic X Hewitt, Tomic X Dolgopolov e Berdych X Almagro foram emocionantes e bons tecnicamente, mas têm um mas... O checo poderia ter colocado Nadal em uma situação muito delicada se confirmasse o set point da 2ª parcial, abrindo 2 a 0. Mesmo depois do 1 a 1, com dois tie-breaks, não sofreu um apagão, seguiu no jogo. O que não é suficiente pra derrotar Nadal em 5 sets.
- 1 set perdido
- 55 games perdidos

As estatúpidas de sets e games parecem indicar que Nadal teve mais trabalho, muito se deve ao jogo contra Berdych. De resto, o espanhol fez o que Federer está mais acostumado a fazer. Trocou os 6/0 ou 6/1, que muitas vezes cobram um preço por um desgaste desnecessário, por 6/2, 6/3 ou 6/4, sempre com o controle do jogo. Quando Nadal dava pneu em todo jogo e Federer não, era como se o espanhol gastasse energia buscando um game quando tinha 5/0 e o adversário sacava em 40/15. As surras ficaram mais para Djokovic e Murray, mas não parece haver desgaste. O sérvio – e o britânico um pouco menos – nem deixam o adversário sacar em 40/15 ou 40/30 – isso nas primeiras rodadas, com um abismo entre o nível de cada um. A explicação encontra-se, basicamente, nas devoluções, que logo criam um 0/30 ou 15/30 e passam a entrar na cabeça quando o oponente precisa jogar com o segundo saque.

Na reta
A (minha) tentativa de análise da chave logo após o sorteio nem foi completamente furada.  Os treinos para Djokovic nas primeiras rodadas se confirmaram. Alguma emoção contra Roddick ou Raonic não. Um pouco pela lesão do estadunidense e muito pelo misto Hewitt + torcida + pouca experiência de Raonic em Grand Slam. Nesse quadrante, Roddick X Haase não teve nada de mais, Sweeting foi a quase surpresa (contra Ferrer) e Gasquet foi Gasquet (também contra Ferrer), perdendo em 3 sets tranquilos depois de eliminar Tipsarevic em outros 3 sets tranquilos.

No segundo pedaço, quase tudo errado. A teoria de que Murray teria Monfils nas oitavas e Tsonga ou Simon nas quartas ficou na teoria em função das quedas dos franceses para Kukushkin, Nishikori e Benneteau, respectivamente. Entre os brasileiros, Bellucci teve jogos jogáveis, venceu Sela em 3 sets e perdeu para Monfils em 4. O que mais vi em sites, blogs e redes sociais foi que o número 1 do Brasil não conseguiu manter o nível do 1º set. Eu (vi os 2 primeiros sets inteiros e pedaços dos outros) ainda acho que Monfils mais perdeu a 1ª parcial do que Bellucci ganhou. E aí teria que avisar o francês que ele deveria manter o nível do 1º set por, pelo menos, mais dois. Parece muito ingênuo. Mello bateu um qualifier em 3 e caiu para Tsonga em 3. Mas não foram 3 sets que fizessem o jogador sair de quadra envergonhado, o que não é raro acontecer quando o nível técnico é muito distante. Apesar de o francês parecer levar o jogo como quis, sabendo que ganharia quando precisasse, o brasileiro sacou em 4/2 no 1º e no 3º set. Feijão perdeu para um tenista da casa em 3 sets, em jogo que não vi. Então vou ficar na minha.

Meu chute de que Federer só poderia ter graça em um possível duelo contra Del Potro foi acertado, já que o confronto aconteceu. Mas não teve graça. Sobre Tomic, não dá mais pra falar em promessa australiana. Ainda com 19 anos, ele já vai se firmando no top 40, mas terá sua primeira temporada com pontos a defender. Muitos ficam estagnados nesse primeiro momento ou despencam umas 30, 40 posições e depois recuperam o ranking. Ou não.

A terceira rodada de Nadal teria Isner, Lopez, Davydenko ou Nalbandian. Má fase do russo e má arbitragem contra o argentino no caminho e um 5º set sem muita graça entre o estadunidense e o espanhol. Contra Nadal, sem graça. Contra Berdych, um pouco de emoção. Foi o quadrante com menos surpresa, até porque era difícil arriscar uma surpresa com tanto espaço em branco para os qualifiers.

Próxima curva
Mais tarde tem musas, mais chutes e estatúpidas sobre as semis com o top 4, musas, o top 4 da semi feminina, em que “só” faltou a número 1, e musas.