4 de maio de 2013

O pelotão pede passagem. Ah, Itália...


Começa hoje a sequência dos Grand Tours, as provas mais importantes da cada temporada. Giro d”Italia (04-26 de maio), Tour de France (29 de junho-21 de julho) e Vuelta a España (24 de agosto-15 de setembro). Sequência, sim, porque um mês de descanso entre o término de um e o início de outro é tempo pra qualquer EPO ser requisitado para quem sonhar em competir nos 3. Nos últimos 20 anos, somente 13 ciclistas completaram as 3 competições em um mesmo ano. Pensar em ganhar, então...

Os mais sensatos – ou menos insanos – se contentam com a tentativa de uma “dobradinha”. O último a fazê-lo foi o espanhol Alberto Contador, em 2008, mas tendo “pulado” o Tour. A última conquista dupla em seguida data de 1998, com “o pirata” Marco Pantani vencendo Giro e Tour. Se sua trágica morte deixou o domínio do esporte para Lance Armstrong, a não menos trágica “morte” do estadunidense deixa o ciclismo para...

Gesink, Basso (desistiu anteontem), Wiggins, Hesjedal (atual campeão), Nibali, Sanchez e Evans

A montagem acima traz os principais candidatos ao título do Giro, com o atual campeão ao centro. Contador e Chris Froome não estarão, logo, as atenções recaem, principalmente, sobre Bradley Wiggins e, na sequência, a Ryder Hesjedal e Vincenzo Nibali.

Na subida
As podium girls já estão prontas
Depois de uma temporada fora de série, vencendo qualquer troféu-imprensa de TV, rádio, internet, revista e jornal de “melhor atleta do ano no Reino Unido”, Wiggins assume o risco de tentar vencer Giro e Tour e, ao não priorizar um deles, fracassar em ambos. Se a 100ª edição da prova mais tradicional do ciclismo colocou mais escaladas, o atual campeão viu o caminho para o bi ficar mais tortuoso (ah, os trocadilhos com estradas, percursos, altimetria, etc).

Mais interessante que seu próprio desempenho é a novela sobre quem manda na Sky Pro Cycling e deve ser O cara pra ganhar o Tour. Geraint Thomas, companheiro de equipe de Wiggins e Froome, já adiantou à BBC que "We don't want it to go down the football route and it become a soap opera but I think the odd story like this is good", que é só a equipe falar quem ele deve ajudar e se tiverem 2 da equipe no pódio, como em 2012, está tudo certo. Wiggins diz que não está definido e garante que pode ganhar os dois. Froome declara que já decidiram: ele vai ser o britânico da vez na prova francesa.

Como quem não quer nada – além de jogar lenha na fogueira – Contador já diz desde o ano passado que Froome, vice-campeão do Tour, tem condições de vestir a camiseta amarela. Algo como “não sei como esse cara se sujeita a ser o coadjuvante se pode ser o protagonista”, obviamente em uma tentativa de semear a discórdia dentro da própria equipe – coisa que ele viveu tão de perto na Astana, sua antiga equipe.

Voltando a quem está no Giro, Nibali aparece não só como o favorito da torcida, mas também no provável grande rival da forte Sky. Além de bater Froome na Tirreno-Adriatico, em uma disputa que parecia perdida até uma estranha penúltima etapa, o italiano ainda ganhou o Giro del Trentino. Suas fichas estão apostadas nas montanhas.

Hesjedal não ganhou nada em 2013, mas, como o ciclismo é primordialmente um esporte de equipes, colaborou com a conquista de Daniel Martin na Volta a Catalunya, que usou como preparação para o Giro, seu grande foco na temporada. O atual campeão sempre deve ser lembrado nas casas de apostas.

Os demais candidatos da foto acima parecem maiores incógnitas – exceto por Ivan Basso, campeão em 2006 e 2010, que desistiu da prova anteontem devido a um cisto no períneo (um dos riscos de se ficar muito tempo no selim...). Cadel Evans parece estar indeciso sobre apostar no Giro ou se preparar para o Tour. Samuel Sanchez lidera a Euskaltel-Euskadi e busca... um pódio! Sem nunca ter ganhado um Grand Tour, mas com dois pódios na Espanha e um na França, além de vitórias em etapas, o ciclista das Astúrias volta ao Giro depois de 7 anos e declarou que seu objetivo é alcançar o pódio que falta no currículo. Falta ambição? Robert Gesink, bem, nunca esteve em um pódio e compete no Giro pela primeira vez.

Com a largada em Napoli, a prova já começa em pizza.
E o prefeito chamou Taylor Phinney para o delivery

Depois da curva
O percurso de 3455km em 21 etapas tem 3 time trials e 5 dias com chegada em montanha. O primeiro contrarrelógio, no domingo, é por equipes, e o último, na quinta-feira (dia 23), antecede duas etapas íngremes e escala quase 1000 metros ao longo de 20,6km. É onde o Giro deve ser decidido, para cumprir tabela no domingo.

As etapas de montanha estão reservadas para os dias 14, 18, 19, 24 e 25. Além das duas últimas, que definirão quem vestirá a maglia rosa,  destaque para o domingo, 19, quando os ciclistas invadirão a França para a escalada do histórico Col du Galibier, encerrando o dia.

Na reta
Entre os brasileiros, Murilo Fischer, da Française des Jeux, e Rafael Andriato, da Vini Fantini, estarão lá. Quem “não estará” no Giro é a Radioshack Leopard. Além da ausência dos irmãos Schleck, Fabian Cancellara pensa no Campeonato Mundial e, para isso, pretende pular o Giro e o Tour e usar a Vuelta como preparação.

As podium girls já estão prontas para as cerimônias de entrega das maglias, o prefeito de Nápoles já chamou Taylor Phinney para o pizza delivery e o Mark Cavendish e o Matthew Goss não estão nem aí para a classificação geral e vão ganhar algumas etapas. Vai começar.

Mark Cavendish e Matthew Goss, rindo à toa: "Vamos ganhar
umas etapas e eles que se matem  nas montanhas"

10 de março de 2013

Froome, Sky e companhia mandam o recado de olho nos Grand Tours


Semana movimentada no ciclismo de estrada. Nomes que vão duelar pelos Grand Tours estão na encharcada Tirreno-Adriático e outros fugiram das escaladas na Paris-Nice. Enquanto a prova italiana será decidida em um time trial na terça-feira, a corrida francesa teve este mesmo tipo de etapa neste domingo e o vencedor também levou o título geral.

Choveu um pouco na Itália nas primeiras etapas

Richie Porte, da Sky Procycling, chegou ao último dia com vantagem de 32s sobre o vice-líder, o estadunidense Andrew Talansky, e ainda colocou 22s de frente no contrarrelógio, tornando-se o primeiro australiano a conquistar a Paris-Nice. O francês Sylvain Chavanel foi quem teve o maior prejuízo no dia, caindo da 3ª para a 5ª colocação e deixando o pódio para o compatriota Jean-Christophe Peraud. A camiseta verde serviu de consolação para Chavanel. A prova ainda teve nomes como Andreas Kloden, Denis Menchov, Nicolas Roche, Philippe Gilbert e Ivan Basso.

Os coloridos campeões em Nice
Mas interessante mesmo está a Tirreno-Adriático (e seria mais interessante se tivesse um site decente), mesmo que sejam só 7 dias de disputa. Segundo embate do ano entre os espanhóis Alberto Contador e Joaquin Rodriguez, o britânico Christopher Froome, o australiano Cadel Evans, o italiano Vincenzo Nibali, o estadunidense Christopher Horner, entre outros.

E se a Sky comemorou o título na França, na Itália assumiu a liderança neste domingo com Froome, que leva 20s de vantagem para Contador e Nibali. Como a segunda-feira não terá montanhas, a decisão fica para o time trial de terça. Vice-campeão do Tour de France em 2012, Froome venceu o Tour de Omã, há um mês, batendo os mesmos adversários (Contador, Evans, Rodriguez, Nibali, Rinaldo Nocentini, etc).

O ataque decisivo de Joaquin Rodriguez neste domingo
A vitória neste domingo foi de “Purito” Rodriguez, que colocou 8s em Froome, Contador e Horner com um ataque a menos de 2 km para o fim da etapa. A liderança do britânico veio como consequência de seu contraataque no sábado, em grande resposta a Contador no quilômetro final. Poderia ter colocado até mais vantagem se não controlasse as ações tão tardiamente. Os 9,2 km de terreno praticamente plano de terça-feira prometem.

No alto da montanha
A Sky aparece tão forte que foi até curioso ver Porte respondendo a perguntas sobre suas pretensões para o Tour de France após o título em Nice. Ele, é claro, citou que a equipe tem Froome e Bradley Wiggins, atual campeão, e está pensando mais no Giro D’Italia. O Grand Tour italiano começa em 54 dias, enquanto faltam mais de 100 para o 100º Tour de France. Se fosse um quase-esporte, diriam que o professor está com aquele problema bom com a dificuldade para escalar o time...

Froome, líder na Itália, possível grande nome no Tour de France
Desde que a rota francesa foi divulgada, com percurso duro para “comemorar” a centésima edição, há a especulação de que Wiggins não tentará defender o título e irá focar no Giro. A escalação oficial das equipes ainda não foi divulgada e também deve envolver questões com patrocinadores, mas não duvido disso. Oficialmente, os 21 dias da edição 2012 tinham 9 etapas planas, 4 de montanhas médias e 5 mais íngremes (2 com chegada em montanha). 2013 terá 7 no plano, 5 montanhosas e 6 mais inclinadas (4 terminando em montanha).

Obviamente ganhar provas de etapas curtas não é o mesmo que faturar um Grand Tour, mas o começo de ano de Froome é notável. Além do vice em 2012 na França, o britânico foi vice na Vuelta a España em 2011 e 4º colocado em 2012. Um pouco de bagagem importante. E a equipe é mais importante ainda. Nos dois dias com montanhas, Froome sempre esteve com pelo menos 2 companheiros de equipe cortando o vento e forçando o ritmo do pelotão. Entre seus rivais, Contador teve o tcheco Roman Kreuziger um pouco ao seu lado e o resto tem se virado como pode, cada um por si. Froome pode ficar sem o título terça, em uma etapa exclusivamente individual, mas a equipe mostrou muita força. 

Caixa de brita
- Evans aguentou muito pouco o forte ritmo da Sky nas escaladas de sábado e domingo.
- No terceiro dia que acompanhei a transmissão da RAI, ouvi o nome de Andy Schleck a primeira vez hoje. Resta tempo até o Tour, mas a volta às provas depois de muito tempo lesionado ainda está apagada.
- Michal Kwiatkowski, 23 anos. O leste europeu dá as caras mais uma vez. 4º colocado, 24s atrás do líder. Olho no polonês da Omega Pharma-Quick Step nos próximos anos.

Derrapada
Citei acima o site oficial das provas e o da Tirreno-Adriático é sofrível. Escrevo mais de 2 horas depois da etapa de domingo e ainda não há relatos sobre a mesma, sem contar a dificuldade de encontrar informações.

Por outro lado, a Paris-Nice “se apropria” do site oficial do Tour de France no período em que é disputada. Outras provas fazem o mesmo e, ainda que não tenham tanta importância, ganham visibilidade ao contar com o importante apêndice da internet para o público acompanhar a prova. Não sei como funciona para o letour.fr hospedar temporariamente outras provas, mas chuto que possa ter relação com o fraco Le Crédit Lyonnais.

Ah, Itália...








... e um pouco da França





Entre passeios e surpresas, playoffs se aproximam com a mesma cara de sempre


Rodada com alguns resultados inesperados no NBB5. Palmeiras ganhou de Franca e somou a 3ª vitória seguida, Paulistano bateu São José e, fora de casa, Bauru marcou a 3ª derrota do Flamengo em 27 jogos. Com praticamente 80% da fase de classificação disputada, os playoffs começam a ganhar forma e é hora da última arrancada pra tentar uma vaga e entrar embalado na fase eliminatória.

Paulistano encerrou série de 6 vitórias de São José
Vi Pinheiros X Mogi das Cruzes e o domínio dos mandantes foi tão grande que nem há muito a escrever. À equipe da capital, a segunda vitória nos últimos cinco jogos, uma oscilação que pode custar a vaga no G4 depois de derrotas para Minas, Limeira e São José. Mogi é muito dependente do Babby e quando marcaram a 3ª falta do pivô ainda no 1º quarto deu pra ver que o time, que luta por vaga nos playoffs, ofereceria pouca resistência. Pra completar, o banco só tinha 4 reservas. 36 pontos de frente para o Pinheiros (e só não foi mais porque a arbitragem evitou estourar o Babby em faltas e compensou em vários momentos), que ainda sofre pra ter o elenco completo – Morro está fora – e dá uma pausa no NBB para disputar a Liga das Américas entre sexta e domingo, assim como o Flamengo.

Nos outros jogos, Bauru e Palmeiras estão em um nível parecido de surpresa. A forte equipe do interior contou com 21 pontos de Gui Deodato e 20 pontos e 6 rebotes de Ricardo Fischer para surpreender o líder Flamengo no Rio de Janeiro. Um número interessante foi o de assistências: 17 a 9 para Bauru. Mostra um pouco de como os cariocas têm jogado.

Depois de um 1º turno vergonhoso, o Palmeiras parece outro time e venceu a 6ª em 9 jogos no 2º turno. Vindo de um jogo decidido após 4(!!!!) prorrogações contra Uberlândia, a vítima da vez foi o então top 4 Franca, com 18 pontos e 13 rebotes de Tiagão. O pivô parece a alma da equipe e sua intensidade sempre conquistou a torcida dos times que defendeu. Há duas semanas, contra Mogi, a comemoração de todo o elenco com o triunfo na prorrogação pareceu final de campeonato – de certa forma era, diante de um time “ganhável” para se distanciar do rebaixamento. E a cena do Tiagão em quadra, pulando e gritando o hino do clube que o revelou, merecia que eu subisse o vídeo tosco que fiz. Poupá-los-ei.

Cada vez mais, o Paulistano se firma como um time que em um dia pode derrotar um top 4 e n’outro ressuscitar alguém nas últimas posições – e nos playoffs não é fácil ter 3 dias como o primeiro. Nem mesmo o double-double de Jefferson (20P + 10R) e a costumeira boa atuação de Fúlvio (13P + 8R + 8A) foram suficientes para o São José, que se distancia do G4.

De resto, as vitórias de Brasília (sem Alex), Uberlândia e Liga Sorocabana contra times que provavelmente não estarão nos playoffs – Joinville, Suzano e Tijuca – confirmaram a lógica. Os catarinenses ainda têm chances, mas a equipe paulista e a carioca estão cada rodada mais próximos da “repescagem” para o rebaixamento. Completando o sábado, o Basquete Cearense, sensação do 1º turno, segue em queda livre e perdeu para Limeira. Com 2 vitórias e 7 derrotas no 2º turno, os nordestinos estão no limite para a vaga nos playoffs.

Depois da curva
Classificação mais visualizável no site da LNB
A rodada de quinta-feira tem 3 jogos envolvendo os times entre a 6ª e a 11ª colocação. Franca X Paulistano, São José X Minas e Liga Sorocabana X Limeira. Interessante. E se o Palmeiras superar Brasília no Distrito Federal já pode interditar o clube para encerrar as atividades e sair por cima.

Vitórias contra Uberlândia e Franca praticamente
garantiram o Palmeiras na "série A"
No geral, Flamengo e Brasília não devem deixar as 2 primeiras posições. E alguém vai impedir a final entre os dois maiores elencos do NBB? A briga pela condição de entrar nos playoffs apenas nas quartas de final deve ser boa e muito importante para o Pinheiros, que ainda precisa de físico para a Liga das Américas. A tabela, porém, não é favorável, tendo que visitar Franca, receber o Flamengo no encerramento do turno e viajar a Bauru na antepenúltima rodada, em jogo que pode ser decisivo para o G4. Os compromissos de Uberlândia também não são dos mais fáceis. Franca, que tem muitos confrontos diretos pela frente, e São José ainda podem incomodar.

No bloco intermediário, Paulistano e Minas devem confirmar a classificação sem problemas e brigar pelo mando de quadra nas oitavas de final. Os dois times desafiarão Brasília, Uberlândia, Bauru e Franca. Os paulistas ainda recebem o Flamengo e os mineiros visitam São José. Previsões impossíveis para as sequências diante da inconstância de ambas as partes. E para o Paulistano vale tentar apagar a varrida que tomou de Franca na temporada passada, somando duas derrotas feias em casa nas oitavas de final.

No grupo que briga pelos playoffs, a tabela mais favorável é da Liga Sorocabana. Mogi deve sofrer nas últimas cinco rodadas contra SJO, UBE, FRA, BRA e CEA. Joinville pode aproveitar os jogos contra Tijuca e Suzano e tem os duelos diretos com Liga Sorocabana e Limeira. Com os rivais que ainda tem pela frente, Vila Velha deve pensar mais em não cair do que em classificação, enquanto o Palmeiras pode sonhar. Na atual sequência, não custa nada. Mas a equipe alviverde precisa de, pelo menos, 4 vitórias em 8 jogos, sendo que muito provavelmente não terá resultados positivos contra Flamengo, Brasília e Bauru. O time deve pagar pelo 1º turno horrível e se contentar em permanecer na “elite” com a boa segunda metade de torneio. Suzano e Tijuca? Não vai estar rolando.

Fotos: Ale da Costa/Divulgação e Fábio Menotti/Divulgação.

7 de março de 2013

Deixa estar, que eu... eu sigo em frente

Comentar mortes é algo impossível de ser feito. Se elogiar, dirão: “só fala bem porque o cara morreu”. Se criticar, rebaterão: “agora que o cara morreu é fácil meter o pau”. Não há como escapar. E se não falar nada, questionarão: “pô, o cara morreu e você não vai escrever nada?”. Críticos de música devem entender (difícil acreditar que escrevi a frase “críticos de música devem entender”). Portanto, fim do post.

O que segue são só lembranças. Lembranças da dita “melhor fase da vida” fora da curva do gosto popular interiorano. De ver a irmã, sete anos mais velha, encarar a TV sem piscar por alguns minutos enquanto anunciavam a morte de Renato Russo. De perceber uma sensação estranha nos pais depois de um domingo em família ao chegar em casa e ver homenagens a Tim Maia na TV. De não entender, alguns anos depois, às vésperas do reveiom, porque ninguém em casa teve reação semelhante quando soube de Cássia Eller.

Hoje eu entendo. Que cada geração tem seus ícones (seja músico, ator, atleta, brasileiro, estrangeiro, etc). Que, acima de uma geração, cada pessoa tem os seus ícones. Ou ao menos alguém que admira, gosta ou, quem sabe, apenas respeita. Que essa pessoa pode sentir mais a morte de um saxofonista de uma banda obscura que outras 20 pessoas conhecem do que o desfecho hollywoodiano da vida de Michael Jackson. E que eu sinto muito por aqueles que nunca vão ter essa sensação.


Vivendo nesse absurdo
Não me considero um fã de Charlie Brown Jr. A primeira condição que criei para ser fã de banda/cantor é comprar CDs originais (sim, eu compro CDs. Poucos, mas compro). Acho o mínimo que se pode fazer em questão de reconhecimento a um ídolo na música. Não tenho nenhum original. Não tenho todos “alternativos”, mas enchem uma mão. Em janeiro nostalgiei com uns três deles. Os “rascunhos” no lado que fica em contato com o leitor, criados há quase uma década, ainda estão lá e continuam funcionando, no mesmo rádio.

Nunca fui a um show. Não comprei camiseta. Não escrevi trechos de música em cadernos. Mas ouvia. Via. Gostava. Depois de um tempo falaram que não podia mais, que tinha acabado – ou que merecia ter acabado.

Não vou apelar para o clichê do “eu quero que se foda essa porra de sociedade”. Cada um fala o que quer e ouve o que quer. Realmente. Já me convenci de que o melhor gosto musical é o de cada um. E talvez isso se estenda a outros gostos (como por filmes, esportes, roupas, etc). Se parei de ouvir foi porque quis.

Chorão não foi gênio. Pelo que relatam, foi genioso. Entre brigas e discussões públicas, dentro ou fora da banda, parecia ter suas convicções e tentava defendê-las. Como compositor, fez a maioria das letras do Charlie Brown. Desde clichês e frases feitas a revoltas, ironias, drogas, Deus, amor, vida. Prato cheio para os “protestos” que toda rebeldia juvenil quer. Pra escrever no caderno. Ou pra pensar. Ou só pra ouvir, porque, no fundo, era o que muito jovem queria que alguém falasse. E bastava.

A vida cobra muito sério, você não vai fugir. Não pode se esconder e não deve se iludir.
Se for fazer uma coisa, então faça com vontade. Seja você, não fure os olhos da verdade.
O que eu não gosto eu me livro e digo não.
Você não pode se fechar para o mundo com medo de se machucar. Senão você se machuca por não viver.
Você devia dar uma importância maior pras coisas corriqueiras da vida. Você devia dar uma importância maior pro que realmente tem valor na sua vida.
Que mundo é esse que ninguém entende um sonho? Que mundo é esse que ninguém sabe mais amar?
A vida corre pelas ruas numa busca sem sentido enquanto o mundo está em guerra por paz.
Eu não sei fazer poesia, mas que se foda. Eu odeio gente chique e eu não uso sapato, mas que se foda.
Eu vou vencer assim mesmo, eu já nem lembro de você.
Não vem me rotular, você também nem é ninguém.
Um dia você vai descobrir que o esquema é só pra te roubar e mesmo você sendo contra eles vão te recrutar. Te raspar a cabeça inteira, vão te uniformizar, te dar uma arma e licença pra matar.
As flores são bonitas em qualquer lugar do mundo, muita gente tem forma, mas não tem conteúdo.
Só o que é bom dura tempo bastante pra se tornar inesquecível.
Eu sei que eu já fiz muita coisa errada, mas o fato de eu ser maluco não quer dizer que eu não dei valor pras coisas e nem pra você.
Livre pra poder sorrir, livre pra poder buscar o meu lugar ao sol.
Eu não preciso de promessas e acho que você também. Eu não tento ser perfeito e acho que você também.
Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor, eu vou com você pra onde você for.

Hoje eu só procuro a minha paz
Mas Chorão marcou uma época. A quantidade de depoimentos espalhados pela internet nesta quarta-feira provou isso. Gente famosa que teve contato com o cantor e que, acredito, não estava apenas a fim de exposição. Gente não-famosa que nem gostava mais da banda, mas lembrou o quanto ouvira há alguns anos. Músicos mais velhos falando sobre os anos 1990 e 2000. Músicos mais novos falando como fãs. Não-músicos falando que gostam e os filhos adoram. Sim, agora todo mundo adora...

Toda morte de pessoa pública chama atenção. Morte antes da hora necessariamente chama mais atenção. E gera comoção. Só no final de um dia estranho percebi: da “minha” geração, de quem gosto ou gostei na adolescência, Chorão foi o primeiro a ir. Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo. Não resisti.


Os neurônios batendo em retirada, vivendo nosso momento irracional como se fosse tudo normal
Logo surgem as teorias de que tudo que Chorão atravessava estava nas suas letras. “Minha vida é tipo um filme de Spike Lee, verdadeiro, complicado, mal-humorado e violento” e por aí vai. Como se a criação artística obrigatoriamente fosse um reflexo da realidade.

Já ouvi de algumas pessoas que Kurt Cobain foi o último roqueiro da história. Depois de ler a excelente biografia do ex-líder do Nirvana, é difícil defender o contrário, pensando no sentido mais amplo (ou completo) da palavra roqueiro. E Chorão foi o último roqueiro brasileiro? Ou o cargo já estava ocupado antes de ele existir? Ou os roqueiros continuam aí?

4 de março de 2013

Boa noite, meus amigos. Boa noite, vizinhança

Teve fim no último sábado o torneio de Acapulco como tradicional ponto alto que fechava a gira latino-americana de saibro. Depois de muitos anos, o ATP 500 se despede sem dizer adeus jamais e a partir de 2014 troca a terra batida pela quadra dura, assim como era antes deste que digita ter nascido.

O torneio do México se desintegra do saibro da América do Sul e passa a encerrar a sequência dos ATPs 250 de Memphis e Delray Beach. Na mesma semana, fará “concorrência” ao Brasil Open, que fecha o saibro de Viña del Mar-Buenos Aires-Rio de Janeiro. E o que restou da última gira Chile-Brasil-Argentina-México? Para os brasileiros, pouca coisa.


A gira-2013 foi uma das menos aproveitadas pelos brasileiros. Ou nem isso, já que alguns nem tentaram aproveitar.  Thomaz Bellucci, campeão em Santiago em 2010, nem foi a Viña del Mar. O que é compreensível com o torneio grudado na Copa Davis e compensando ao jogar na Argentina. Porém, uma vitória e três derrotas – para 88º, 166º e 73º do mundo –, além de um saldo muito aquém do esperado/desejado, mostraram que o paulista está em um mundo à parte.

E outro mundo à parte é o de tenistas entre os 100 e 200 do mundo. Nessa faixa, atletas e técnicos por vezes optam por torneios menores, geralmente justificados pelos fatores distância, dinheiro e piso, e, nos últimos anos, se apoiaram no inchado calendário de Challengers no Brasil – e também em países vizinhos. Não imagino que seja das decisões mais fáceis para o atleta tomar. Muitos dizem que jogando Challengers conseguem apenas se bancar – com pouco lucro – e se estivesse nessa situação realmente pensaria muito antes de montar o calendário.

Mas não sou tenista. E nem monto calendários (se alguma proposta compensar, posso estudar...). Explicações à parte, o quadro muda ao pensar nos 4 torneios do circuito mais próximos do Brasil e no piso preferido da maioria dos brasileiros. Contas rápidas: financeiramente, passar uma rodada do quali de Acapulco praticamente equivaleria às quartas do Challenger de Salinas. Furar o quali renderia 64% a mais do que o título no Equador. A chave do quali não teve nada de extraordinário em relação à maioria dos Challengers que os brasileiros disputam durante o ano. Deixo de lado a questão de ter a oportunidade, eventualmente, de medir forças com nomes como Rafael Nadal, David Ferrer, Nicolas Almagro ou Stanislas Wawrinka, mas lembro que o próximo torneio “perto”, “barato” e no “melhor” piso para os brasileiros será daqui 11 meses (aspas = relatividade).

Pois o país atualmente tem Rogério Dutra Silva, João Souza e Thiago Alves entre 100 e 150 da ATP. Alves não está entre os maiores fãs de saibro. Assim como Bellucci, estava na Copa Davis nos EUA e “pulou” Viña del Mar. Jogou o qualifying em São Paulo, teve uma semana sem torneios e... voltou aos EUA para o ATP 250 de Delray Beach! Se as escalas/conexões podem fazer Acapulco ficar mais longe do que os EUA (para os brasileiros) e o piso é favorável, ele fez a escolha. Não conseguiu passar da 1ª rodada, mas deve seguir no país e tentar qualifyings maiores, dos Masters 1000 de Indian Wells e Miami.

Com Rogerinho e Feijão, difícil entender a decisão de não tentar Acapulco, onde seriam cabeças de chave no quali, e jogar em Salinas – aquelas 3 justificativas praticamente se equivalem ao comparar os dois torneios. Acapulco é mais longe, claro. Mas entrar em um quali de ATP 500 como cabeça e tendo muito mais dinheiro a ganhar do que no Equador estaria no outro prato da balança (balanças de pratos estão em desuso, exceto por provas de física no vestibular, mas alguém deve saber como são...). Os outros ATPs 500 no saibro no circuito são Barcelona e Hamburgo. Mais perto? Mais fácil de bancar? Mais tranquilo de furar o quali?

 Na gira, Rogerinho caiu na estreia no Chile e na 2ª rodada do quali em SP e BsAs. Talvez os resultados tenham colaborado para não ir ao México... ou não. Feijão parou na 1ª rodada do quali e depois teve uma boa semana em São Paulo, furando o quali e avançando uma rodada para duelar com Nadal. Na semana seguinte, estranhamente sem Challengers no mundo todo, não disputou BsAs e encerrou com semi em Salinas.

Em um patamar completamente diferente, o top 20 de duplas Bruno Soares saiu do título em SP para as quadras duras do ATP 500 de Memphis e imediatamente retornou ao saibro em Acapulco. Imagino que a escolha passou por cima de premiação e piso e se deu mais por buscar um torneio maior e alguns pontos. Como tem 4 títulos e 1 vice de ATP 250 entre seus resultados, dificilmente somaria algo se jogasse BsAs. Independente do ranking, todos convivem com escolhas. Acertadas? Equivocadas? Complicadas.

Na reta
Diz o clichê que a sorte aparece para quem trabalha. As últimas semanas tiveram alguns agraciados e o maior deles talvez tenha sido o argentino Martin Alund – que fez a gira completa. Aos 27 anos, sem ao menos um título de Challenger no currículo, jogou o primeiro ATP da carreira em Viña del Mar. Caiu na estreia. Em SP, perdeu no tie-break decisivo do qualifying, entrou na chave como lucky loser, venceu 3 rodadas – uma delas em um jogo que não queria terminar contra o francês Jeremy Chardy, top 30 – e parou na semi diante de Nadal. Ganhou a vaga na chave de BsAs e até teve sorte ao estrear contra um qualifier, mas não passou da estreia. Fechou a gira em Acapulco, onde ganhou duas partidas normais no quali e pegou um convidado local 429º do mundo na chave principal! Encontrou Nadal novamente pelo caminho e saiu com um “pneu” na 2ª rodada. Saiu, mas, pra sair, primeiro tinha que estar lá, diria o poeta. E aproveitar as chances que apareceram pra figurar no top 100 pela 1ª vez e ganhar mais de 20 posições em 1 mês.

Menção honrosa: Daniel Brands. O alemão joga muitos Challengers e vez ou outra passa um quali de ATP. Nesta semana aproveitou as chances. Duas vitórias no quali do ATP 500 de Dubai, estreia na chave principal contra outro qualifier(!) e segunda rodada contra o russo Mikhail Youzhny. Daquelas pra entrar sem responsabilidade, nada a perder. Duplo 6/4. Parou nas quartas diante do argentino Juan Martin Del Potro. Além de Dubai, Brands disputou Doha, Australian Open e Roterdã em 2013. Em todos os torneios furou o quali. Foi semifinalista no Qatar e fez 2ª rodada na Austrália. Em 2 meses, ganhou 79 posições e está perto dos 70 do mundo.

Menção honrosa que não deveria ser feita por motivo de relaxo: Ernests Gulbis. O cara que não precisa pensar em um dos fatore$ para montar seu calendário é 0% confiável. O letão pode perder para o 500º do mundo e ficar um ano sem vencer mais de 2 jogos seguidos, como o fez entre agosto de 2011 e de 2012, ou incomodar muita gente no circuito. E nas últimas semanas incomodou. Entre as oitavas de Roterdã – onde precisou passar o quali –, Marselha e o título em Delray Beach (mais 3 jogos no quali), ganhou de Tommy Haas (18), Sam Querrey (21), Robin Haase (50), tirou set de Tomas Berdych (6) e endureceu contra Del Potro (7). Será que agora vai?


Haveremos de nos reunirmos muitas vezes mais
Viña del Mar, Buenos Aires, Rio de Janeiro (500) e São Paulo. O que esperar da nova gira no saibro sul-americano? A princípio, o torneio carioca deve ser o mais favorecido, em oposição ao paulista. Não dá pra imaginar muitas mudanças nas listas de inscritos no Chile e na Argentina.

Também no continente americano, a partir da semana de BsAs, teremos Memphis, Delray Beach e Acapulco (500) em quadra dura. Ainda que concorra com o rico ATP 500 de Dubai, o torneio mexicano agora pode atrair quem quiser antecipar a viagem para os Masters de Indian Wells e Miami sem sofrer com a mudança de piso.

Depois de uma exceção como Nadal, São Paulo deve voltar a receber somente quem faz a vida na terra batida, assim como sempre foi. Por sorte – e dinheiro – dá pra pegar carona e arrastar alguém que tiver passado pelo Rio na semana anterior. Se o top 10 não tiver mudanças “drásticas” em um ano, chuto que são grandes as chances de David Ferrer visitar o Brasil em 2014.

Fotos: Gaspar Nobrega/inovafoto e Google

11 de fevereiro de 2013

Evoluindo em harmonia sem atravessar o samba

O carnaval em curso e eu percebo que perdi toda a originalidade esportiva que deve estar por aí com "Defesa do Santos atravessa o samba", "Comissão de frente nota 10 do Paulista", "Palmeiras peca em evolução, mas nega queda: Grupo de acesso é pra conjunto pequeno", "Forlán é destaque do abre alas e deixa a mocidade alegre no Acadêmicos do Beira-Rio", "Em tom maior, Tite esbraveja após empate e garante que ataque com pato vai vai dar samba", etc, etc. Ficou tudo pra 2014.

Apesar dos pesares, lembro um texto do produtivo período da festa popular brasileira de 2012, também conhecido como marketing pessoal, e vejo que está tudo em harmonia no jornalismo enquanto atividade de apuração. As (pseudo/semi/sub) celebridades e os sambas-enredo mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão. O que aconteceu continua acontecendo e ainda vai acontecer de novo. Me perdi nos tempos verbais, mas, desta vez, o principal e o resumo sambam no mesmo tom, embalados pela bateria e dignos de uma embolada entre mestre sala e porta bandeira.

Depois da curva
Post de 2 parágrafos. Estou a caminho da mercantilização de ideias e comercialização do espaço digital a nível de blog. Aceito propostas de possíveis patrocinadores. Tratar com a minha assessoria.

Alguma musa de alguma escola em algum desfile
para render mais cliques e atrair parceiros financiadores

6 de fevereiro de 2013

Entre títulos e cliques, o principal e o resumo


Alguns títulos vistos pelo território livre digital nas últimas 2 semanas.

Mulher de Luizão dá barraco e apela para ponto fraco para ofender colega de reality show
Namorada de Piqué, Shakira tem alta do hospital quatro dias após parto do primeiro filho
Filha de Cerezo fala em arrependimento após cirurgia e recebe 1ª mensagem de apoio do pai
Em clima de romance, Ronaldo é visto com namorada em restaurante no Rio
Em reality show, mulher diz que faz sexo com Luizão mais de três vezes por semana

Quatro dessas chamadas estavam na editoria de esportes. É difícil imaginar por quê? Ou mais difícil pensar qual não estava?

Lógica simples do batido “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Se celebridade/fofoca/barraco/“flagra” dá audiência (lembrando que um clique para reclamar/xingar/espernear, no fim das contas, ainda é um clique), que seja. A coisa mais importante dentre as menos importantes ataca para todos os lados e, para quem só conseguiu pensar na segunda questão, parece já ter vencido a guerra. E o principal fica fora do resumo, como diria o poeta.

Depois da curva
Quem clica (= audiência) perde muito do direito de reclamar das matérias que habitam cada vez mais o jornalismo.

4 de fevereiro de 2013

Domingo eu quero ver


Você liga a televisão no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo. É no Brasil. Tem brasileiro competindo! Deve valer alguma coisa.

Você assiste e até acha interessante. É bom ver um esporte diferente de vez em quando e não tem nada melhor nos outros canais mesmo. Você torce, afinal, tem brasileiro, p#**@! Você acha que o cara tá certo em sair correndo e deixar todo mundo pra trás quando ainda faltam mais de 20 km. Você fica nervoso quando o pelotão (depois de alguns minutos você já é especialista e aprendeu os termos do esporte em animadas animações da emissora) alcança a fuga restando apenas 1 km e xinga o cara que não teve perna e deixou todo mundo chegar. Mas você se irrita mesmo na chegada, quando 90 brasileiros perdem para um dos 9 argentinos que estavam na disputa. “Argentino de m&*#@! Vem aqui no Brasil e ainda ganha da gente (você estava na competição!). Por isso que isso aí não vai pra frente!”.

Por mais algumas horas – mais precisamente até 16h – você ainda fica indignado e comenta com amigos e/ou parentes que te ligam/encontram na rua: “Cê viu aqueles brasilêro na bicicleta? Nem pra ganhá dos argentino! Perdi 1 hora vendo aquilo lá”, lembra, arrependido, antes de ligar a televisão de novo e perder mais 2.

Você entra na internet no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo (os streams de hoje em dia fazem milagre e você vai parar na Al Jazeera Sport Global). É no Oriente Médio. Deve valer alguma coisa! E tem brasileiro competindo.

Você assiste e acha interessante. “Mas eles vão correr no meio da areia? O Rio de Janeiro é mais bonito”. Nem dá pra identificar o solitário brasileiro em meio a quase 150 ciclistas. Você não torce. Assiste. Britânico, norueguês, italiano, suíço. A transmissão destaca os favoritos. “Tem gente do mundo inteiro e o tal brasileiro nem estava no Rio de Janeiro competindo”, questiona. Sim, é apenas mais um no pelotão, correndo por uma das maiores equipes do mundo, contra os principais adversários que ele pode ter na sua área, o ciclismo de estrada. Ele não aparece – e se aparecesse não estaria cumprindo sua função na equipe direito.

Outros 3 aparecem. Uma fuga restando 15 km. Por quase 20 minutos, a etapa é deles. Você escolhe um para torcer. Depois de alguns minutos até esquece o brasileiro. “É, o deserto nem é uma paisagem tão feia assim”. E ninguém foi até lá pela paisagem (pelos dólares petrolíferos talvez). O terceiro não aguenta o ritmo e o sprint final é disputado por dois competidores. A etapa chega ao fim e, para o seu desespero, o vencedor não foi o vencedor. “Eles fazem isso de domingo porque é pra acabar no domingo, p#**@!”. Ainda vão pedalar 587 km nos próximos 5 dias. “E quem ganhou? Um americano? Ah, deve ser da turma daquele drogado que deu entrevista, falaram que era importante. Duvido que ele ganha amanhã de novo”, aposta, ainda meio contrariado.


Na reta
O ciclismo foi um exemplo a partir de transmissões que aconteceram no último mês. Poderia ser um futebol de praia ou o famoso desafio internacional de vôlei de praia 4x4 misto Brasil X Estados Unidos. Atrações que são os frutos de parceria com alguma(s) promotora(s) e cobrem a grade enquanto a Fórmula 1 não volta. Alguns desses eventos têm muito pouca importância – sendo generoso – e outros um pouco mais. O skate de ontem, por exemplo, tinha.

Cada um pode entrar na internet pelo celular, sem ao menos se levantar do sofá, para pesquisar se aquele é um “jogo de verão” ou um torneio sancionado internacionalmente, consolidado dentro da modalidade e que atrai os principais nomes do esporte para a TV na manhã de domingo. Ou seja, relevante. Isso, é claro, se o telespectador achar relevante estar informado sobre detalhes assim...


Banca de areia
Um dos grandes pontos positivos da internet é quantidade/variedade/oportunidade seguidas do poder de escolha. Dia desses fui parar em uma transmissão ao vivo de um ITTF na Áustria. Pra quem gosta de acompanhar competições mundialmente importantes, é o lugar certo. Pra quem gosta de torcer por competições bairristicamente importantes, acabou de perder alguns minutos aqui e imagino que não perderá mais tempo nessa perda de tempo, vulgo blog.

Depois da curva
A quem interessar possa, o Tour of Qatar tem mais cinco etapas, terminando sexta-feira, e as transmissões de cada etapa deverão estar disponíveis neste link, por volta de 8h (Brasília). O vencedor da etapa de domingo foi o norte-americano Brent Bookwalker, da BMC Racing Team. Murilo Fischer chegou em 19º, junto com os 40 primeiros do “pelotão”, e leva na camisa o número 43, da Française de Jeux (FDJ).

Há alguns anos como principal nome do Brasil no ciclismo de estrada, o catarinense tem no currículo a conclusão (o que já não é pouco) dos tradicionais Giro d’Italia e Tour de France. Na prova francesa, já chegou em 3º em uma etapa, quando tinha a missão de “lançar” um companheiro de equipe para o sprint e, consequentemente, acabava ficando entre os primeiros.


Fotos: (1) Divulgação, (2) Print screen, (3, 4, 5 e 6) ASO/B. Bade

31 de janeiro de 2013

Um turno, um time


Tem início nesta quinta-feira o segundo turno do NBB, que, para os desavisados, não é A NBB, pois o significado é Novo Basquete Brasil. Logo, O. (Se depois de 5 anos o apresentador do futebolístico da emissora proprietária dos direitos de transmissão do torneio ainda fala A NBB, vale tirar a dúvida).

A primeira rodada do returno já tem uns 4 jogos equilibrados/importantes para os playoffs e para o rebaixamento. Antes, dá pra lembrar a campanha perfeita do Flamengo e quem surpreendeu ou decepcionou após 17 jogos. Falar do nível técnico dos jogos ou da arbitragem não seria muito produtivo. Até pela enorme exposição e divulgação que o campeonato tem...

Marquinhos contra a ex-equipe: Pinheiros
deve estar satisfeito com transferências
Quando o Flamengo começou a formar a “seleção” para o NBB, restava aos secadores imaginar que um time cheio de estrelas tem (e sempre tem) a chance de não dar certo (para quem é anti-Lakers tem dado...), não engrenar, dar liga. Mas deu. Talvez até pelo fato de poucos times conseguirem manter por muito tempo o esquema com jogadas trabalhadas, em conjunto, e sempre apelarem para uma “jogada” individual (o Flamengo não tem nenhum jogador entre os 27 primeiros nas estatísticas de assistências). Ou pelos principais destaques do time terem vindo da mesma equipe e estarem “entrosados”. 17 jogos depois, Marquinhos e Olivinha são os dois jogadores que ficam mais tempo em quadra e que mais pontuam pelo Flamengo. De quebra, o ala é o cestinha do torneio (22,1 pontos/jogo) e Olivinha é o principal nome nos rebotes (10 por jogo).

Ainda acho que o Pinheiros, que também perdeu o armador Figueroa para Franca e o ala Renato Lamas para Minas, saiu perdendo nas transferências, mesmo tendo contratado 5 jogadores. Fato é que os “apertos” do time carioca foram 2 vitórias por apenas 5 pontos, quando visitou Bauru e Franca. Difícil imaginar a equipe deixando a primeira posição ao final da fase de classificação. Deve chegar com tranquilidade para ter o mando de quadra em qualquer confronto nos playoffs e ser favorito ao título. Diriam as más línguas que a grave lesão e o consequente afastamento de Marcelinho colaborou para a invencibilidade no 1º turno...

Antes do NBB5 começar, via alguns blocos de times para brigar pelas primeiras posições, para surpreender, por vaga nos playoffs e para não cair.

1º - Flamengo, Brasília, Pinheiros e São José
2º - Bauru, Uberlândia, Paulistano e Minas
3º - Tijuca, Mogi das Cruzes e Suzano
Os demais 7 times imaginava na briga pelos playoffs, entre o 2º e o 3º bloco.

Flamengo e Brasília corresponderam. Pinheiros e São José sofreram um pouco mais pelo calendário esdrúxulo que juntou 3 torneios simultâneos em meio à série final do Campeonato Paulista. Aos poucos a ressaca passa, mas os pivôs Morro e, principalmente, Murilo fazem falta ao time da capital e de São José dos Campos, respectivamente. Apesar de algumas derrotas inesperadas, os dois times se mantém em boas condições de brigar pelas vagas entre 2º e 4º colocados para os playoffs.

Flamengo X Brasília: maiores elencos do
NBB no "ótimo" Jogo 1000
No 2º bloco, Uberlândia é a surpresa positiva e Minas a negativa. A equipe comandada por Hélio Rubens perdeu a invencibilidade em casa na última rodada, para o líder Flamengo. Nas outras 4 derrotas, a única “normal” foi diante de São José, já que Liga Sorocabana, Joinville e Mogi das Cruzes não deveriam incomodar.

Sobre o outro time de Minas Gerais, pude acompanhar no ginásio o jogo válido pela 6ª rodada, contra o Paulistano, e a falta de padrão tático foi de assustar. A inconstância da equipe que tirou Betinho da capital paulista e contratou o veterano Renato pode ser exemplificada pela vitória por 20 pontos diante de São José e, dois dias depois, em casa, perder para o fraco Mogi das Cruzes.

No bloco que imaginei no meio, lutando pelos playoffs, os times dos técnicos Lula Ferreira e Alberto Bial são os destaques positivos e o Palmeiras, disparado, o negativo. O resto corresponde às expectativas, com Joinville, Limeira e Liga Sorocabana, hoje, se classificando. A jovem equipe de Franca é discreta com destaques individuais e perdeu jogos “perdíveis”, para os “grandes” Flamengo, Brasília, Uberlândia, Pinheiros e São José. A única derrota para o time pior classificado até o momento veio fora de casa diante de Limeira. Lula e companhia já devem saber onde estão e o que podem fazer nos playoffs.

A empolgação do Basquete Cearense foi freada no final do turno, com 4 derrotas nos últimos 6 jogos. Abrir o 2º turno em casa contra Uberlândia e Franca deve ser interessante. Não menos interessante é a “final” entre Suzano e Palmeiras contra o rebaixamento. O time da capital só tem 2 vitórias no NBB, uma exatamente contra o Suzano e outra contra São José, no dia seguinte(!!) à conquista do título paulista dos joseenses. Suzano soma 3 triunfos, contra os adversários diretos na luta contra o rebaixamento (Mogi das Cruzes, Vila Velha e Tijuca).

Limeira e Paulistano fazem duelo importante pelo meio da tabela e, pelo topo, as atenções ficam com Brasília X Franca e Bauru X São José.

Derrapada
Um campeonato que busca destacar o nível técnico (como qualquer outro) deixa a emissora oficial na TV por assinatura transmitir Flamengo X Palmeiras, há 2 semanas, porque é o “clássico do futebol”. Não aumento a identificação com o basquete exibir uma surra anunciada (106 a 61) entre o líder e o lanterna. E justificar a escolha pela tradição que o clube paulista tem no basquete não minimiza a mediocridade do elenco atual.

Flamengo X Palmeiras, o clássico do futebol; Ou o líder contra o lanterna

Fotos: Alexandre Vidal/Fla Imagem, Ricardo Cassiano/LNB e João Pires/LNB

29 de janeiro de 2013

O pós-Australian Open de cada um



A cena se repetiu pelo terceiro ano seguido, o quarto nos últimos 6. O palco do primeiro título de Grand Slam do sérvio Novak Djokovic é também o torneio que o atual líder do ranking se sente mais à vontade em quadra e começa a estabelecer recordes. Em uma versão mais concisa do momento da WTA, é hora de falar das 2 últimas semanas e imaginar as próximas 48 na ATP.

O agendamento público foi favorecido pela ausência do espanhol Rafael Nadal e da semi-ausência de novidades na forma como Djokovic entrava em quadra e passava por seus adversários. Assim, holofotes no suíço Roger Federer e no britânico Andy Murray deram luz à nova Era no tênis depois da resistente derrota do ex-número 1 na semifinal. Mesmo sem encontrar explicações para garantir o contrário, ainda não entrei na onda de que os próximos títulos de GS ficarão restritos aos dois finalistas do US Open-12 e Australian Open-13. Antes, algumas colocações e muitas dúvidas.

1 – Murray lida muito melhor com seus pontos exaustivamente citados como fracos, principalmente o mental, desde a derrota para Federer na final de Wimbledon e conseguiu acrescentar a agressividade às suas armas no jogo. Um título olímpico e de um GS não vêm por acaso.


2 – A obsessão da imprensa britânica do britânico por um título de GS pode ter deixado outros torneios importantes, como Masters 1000 e ATP Finals, de lado. Em 2012, Murray só fez duas finais (perdeu para Djokovic) de Masters e nos demais seis torneios caiu na segunda rodada em 4 deles e na estreia em outro. Se o seu objetivo passar a ser a liderança do ranking, vai perceber que um número 1 não se faz em duas semanas bem jogadas.

3 – Federer não deve mais ter como foco figurar no topo da lista da ATP por algumas semanas. Deixar o Masters 1000 de Miami de lado em 2013 ajuda a exemplificar isso. O físico foi importante na derrota para Murray, mas quantas vezes Federer ganhou 2 jogos seguidos em 5 sets em GS? Nenhuma. Simplesmente porque nunca havia JOGADO duas partidas de 5 sets seguidas em GS. Aos 31 anos, não deve ser fácil.

4 – Aos 31 anos, fazer jogos como o das quartas de final contra o número 8 do mundo ainda impressiona. O norte-americano Andre Agassi conquistou seu último GS no Australian Open-03, prestes a completar 33 anos, e meses depois reassumiu a liderança do ranking. Nos três anos seguintes, Agassi só conquistou mais dois títulos, um então Masters Series e um atualmente ATP 250 (e foi vice do US Open contra um tal de Federer e vice do Masters canadense contra um tal de Nadal). Depois do último título de GS da carreira, o norte-americano continuou no circuito e por quase 40 meses se manteve no top 10, enfrentando a idade e competindo em um esporte que odiava, conforme publicou em sua autobiografia. Resta saber quanto Federer odeia o tênis. Talvez ele não tenha se perguntado. Ou ainda não saiba a resposta. Ou nunca saberá. Ou não...

5 – Como Nadal irá voltar? O espanhol teve seu(s) auge(s) muito novo, mas é só 1 ano mais velho que Djokovic e Murray. Se os dois, hoje com 25 anos, aparecem como os principais nomes do circuito, alguém garante que o espanhol não volte à sua grande forma em 6, 12 ou 18 meses? Prefiro esperar.

Depois da curva
Foi um Australian Open sem muitas surpresas – e o fato de não haver nenhuma alteração no top 10, entre os que estão em atividade, aponta para isso. Diria que a única surpresa envolvendo possíveis candidatos a incomodar o top 3 foi a queda do argentino Juan Martin Del Potro para o francês Jeremy Chardy na 3ª rodada. Del Potro foi o tenista que perdeu menos games somando as 2 primeiras rodadas e, em um péssimo dia, caiu precocemente.

Como todo mundo sabe, o argentino foi apontado por muitos como o futuro número 1 depois de superar Nadal e Federer na conquista do US Open-09. Veio a lesão e o ex-número 4 se viu incapacitado de disputar mais que 3 torneios em 2010. 2 títulos em 2011 e 4 em 2012 foram colocando o ranking e a segunda carreira de Del Potro nos trilhos. Mas, e os grandes torneios?

Desde então, são 3 quartas em GS e 3 semis em M-1000 como melhores resultados. Em 9 GS disputados, Del Potro não conseguiu ganhar de um top 5, somando derrotas para Djokovic (2), Federer (2), Nadal (1) e Ferrer (1). A eliminação para Chardy é um balde de água fria em um início de temporada, mas pode ser amenizada com um mero “dia ruim”. E como superar os tops? Depois da pausa forçada na carreira, o argentino tem 2-4 contra Djokovic, 2-7 contra Federer e 0-4 contra Nadal enquanto procura uma resposta...

Em outras eliminações precoces de cabeças de chave, a má fase e a falta de ritmo colaboraram na estreia do argentino Juan Monaco, o alemão Tommy Haas ainda não começou a temporada, o russo Mikhail Youzhny não inspira muita confiança há tempos e o croata Marin Cilic é uma constante incógnita.


Dois tenistas que chamaram a atenção (positivamente) foram o francês Jo-Wilfried Tsonga e o suíço Stanislas Wawrinka. Os dois já fizeram grandes exibições, tiveram resultados expressivos no circuito – mais notadamente o francês – e estão no top 30 há mais de 5 temporadas, o que não é pouca coisa. Sobre as derrotas em cinco sets para os números 1 e 2 do mundo, ficam duas sensações antagônicas. Por um lado, a expectativa para que eles possam apresentar esse nível de jogo mais vezes ao longo da temporada. Por outro, se jogando o que jogaram acabaram derrotados por Federer e Djokovic, o que falta e – mais importante – como alcançar o que ainda falta?

Não engrosso o coro de saudade do Nadal por causa da surra que o espanhol David Ferrer levou na semifinal nem defendo que Tsonga, Del Potro ou o tcheco Tomas Berdych mereciam estar à sua frente no ranking. Portanto, tenho pouco a dizer sobre o espanhol que nesta segunda aparece em sua melhor posição na ATP, em 4º, às vésperas dos 31 anos (já diz muito, não?). Ignoram que, contra tenistas do top 10 em 2012, Ferrer teve 9-9 e não perdeu para ninguém abaixo do top 4. Daí pra frente, a distância realmente é grande, como a semifinal contra Djokovic deixou claro. De forma semelhante foi a campanha de Berdych, com 4 vitórias em sets diretos e com propriedade antes de se ver sem solução para diminuir a freguesia contra Djokovic.

Entre as “promessas”, o fim de ano problemático com a polícia parece ter feito bem ao australiano Bernard Tomic. Ao menos nas entrevistas, o 43º da ATP se mostra diferente depois do primeiro título da carreira, uma semana antes do GS, em Sydney. A temporada promete.

O canadense Milos Raonic já está entre os 30 primeiros do mundo há quase 2 anos e mostra que, sem lesão, não deve sair daí tão cedo.  O top 10 está próximo, principalmente com a possibilidade de somar pontos até Wimbledon, depois de defender título em San Jose e vice em Memphis. Então, cabe esperar o que o tenista de 22 anos poderá evoluir para fazer frente aos tops. A Copa Davis contra a desfalcada Espanha, no Canadá, também deve ser interessante.

Se mesmo depois de 3 títulos e 2 anos de regularidade muita gente ainda tem um pé atrás com Raonic, tenho todos os pés atrás com o polonês Jerzy Janowicz. Antes da campanha excepcional no Masters 1000 de Paris, não passava de um top 100 que ascendeu por meio de Challengers. Justo. A temporada começou com queda na estreia do ATP de Auckland para o norte-americano Brian Baker e terceira rodada no Australian Open, resistindo por 2 tie-breaks contra o espanhol Nicolas Almagro. Nada para acender o sinal vermelho. Um ano entre os favoritos em quase todos os torneios que disputar é muito importante, tanto para o jogador quanto para as expectativas sobre ele. Sem pressa.

Sobre o brasileiro Thomaz Bellucci, a Copa Davis pode dar uma força. E por falar em Davis, algumas linhas outro dia, já que muitas desistências/substituições ainda estão sendo anunciadas.