27 de janeiro de 2013
26 de janeiro de 2013
O pós-Australian Open de cada uma
Sobrou tempo pra perder tempo aqui, então dá pra escrever
umas linhas sobre as duas semanas do torneio que acabou hoje. Li algumas
afirmações e alguns questionamentos às jogadoras sobre o domínio do top 4 da
ATP estar aparecendo no top 3 da WTA. A pontuação no ranking, pelo menos, colabora
com a “teoria”. Fato ou não, vejo a WTA mais previsível (isso não é uma crítica
– negativa) ou, pra ser elogioso, com jogadoras mais “confiáveis”.
Aí apareceram a chinesa Na Li e a estadunidense Sloane
Stephens e as semifinais que caminhavam tranquilamente para a cópia do modelo
masculino dos 4 principais cabeças de chave caíram por terra.
Para começar, não vai ser de um torneio que vão sair todas
as conclusões e avaliações de cada tenista. Ainda assim, continuo com a ideia
de que as “favoritas” (me divirto pensando que na WTA não existe surpresa, todo
jogo é 50% de chance pra cada lado...) estão pelo menos um pouco favoritas.
No Australian Open só uma quadrifinalista não era cabeça. Esta
foi a russa Svetlana Kuznetsova, uma ex-top, campeã de 2 Grand Slams, que na
semana anterior ao torneio havia vencido 5 jogos – um contra a 18ª e outro
contra a 10ª do mundo – e, é lógico, conhece os grandes torneios. Surpresa? O
ranking ilusório é explicado porque a ex-número 2 não jogava desde Wimbledon
(nem todo mundo se chama Rafael Nadal, tem o direito de sair do circuito por um
semestre e ainda ficar com 5 mil pontos na conta antes de entrar no cheque
especial).
As quedas das principais
cabeças nas rodadas iniciais ainda estão aí, mas o ponto é que já foram mais
frequentes – acho. Voltando ao US Open-2012, as quartas de final tiveram 8
cabeças e a mais baixa delas era a 20ª. As semis viram 1 x 3 e 4 x 10.
Surpresa?
Se a minha sugestão se confirmar, ao menos um ganho garantido
para o tênis feminino seria a atenção da mídia. O que a rivalidade Nadal X
Roger Federer fez para o esporte nesse aspecto mundialmente é indiscutível. Para
o público em geral – no caso brasileiro – ainda há resistência sobre quem é
Novak Djokovic – mas qualquer um sabe que o Enílton, de 15 anos, é a maior
promessa do esporte mundial – mesmo depois de 2 anos sendo um monstro quase em
tempo integral. E para a própria mídia o Andy Murray passou a ser alguém que
merecia algumas linhas nas notícias somente depois das Olimpíadas / US Open. O
trio Victoria Azarenka, Serena Williams e Maria Sharapova seria muito
interessante para a categoria diminuir a dependência de musas, musas e musas
para conhecimento do público.
Na reta
A final deste sábado não foi das melhores, logicamente. A
número 1 confirmou 1 game de serviço e sofreu 4 quebras no 1º set. Li não tinha
problemas para começar as trocas de bola no saque da adversária, mas o serviço
da chinesa também nunca foi uma arma. As quebras excessivas continuaram, chegou
uma torção, fogos de artifício, outra torção, uma cabeçada no chão e a decisão
se arrastou por 2h40. Tempo de pouco jogo, muitas paradas e mínimos pontos de
alto nível. Azarenka prevaleceu sobre o excesso de erros em um jogo sofrido,
faturando o 2º GS e mantendo a liderança.
Já foi, hora de olhar pra temporada e errar previsões (o
site do Australian Open já usou a bola de cristal para algumas jogadoras ontem). Como saem do primeiro GS do ano nomes relevantes da WTA. Não
tenho o vício jornalístico de criticar desde um forehand mal executado a um
cadarço de uma cor que eu não goste de toda e qualquer pessoa que adentre em
seu ambiente de trabalho (também conhecido como quadra, Arena, Estádio, etc),
mas, enfim.
- Em alta
Victoria Azarenka – Dizer que a campeã sai por cima é desnecessário. Mesmo sem uma exibição
primorosa na final, título é título, ninguém vai reclamar, ainda mais em um GS.
Se não precisou medir forças com Serena nem com Sharapova, aguardemos os
próximos torneios.
Na Li – Mesmo derrotada, a chinesa voltou à decisão de um
GS, sem perder sets, em campanha que incluiu vitória com propriedade sobre
Sharapova. Mesmo que só sua equipe possa avaliar o trabalho ao lado do técnico
Carlos Rodriguez, ex-treinador da belga Justine Henin, ele parece ter feito bem
à tenista, que pode render mais em
2013. (Em várias coletivas a chinesa ouviu perguntas sobre o trabalho com
Rodriguez. Mesmo se estivesse tudo dando errado, acredito que a resposta seria:
Está ótimo, ele tem me ajudado no físico, técnico, tático, mental, etc. Imagino
quanto do sucesso de um treinador já reconhecido é “criado” pela imprensa, que
por saber quem ele é, cita seu trabalho – sem, de fato, conhecê-lo – a todo
momento. Não apenas no tênis...).
Sloane Stephens – Tendo a ser menos empolgado com a jovem do
que a maioria. Foram quatro jogos bons, mas com tenistas que nem eram cabeças. Depois,
Serena baleada e derrota para Azarenka. Uma boa campanha para a top 20 (na
lista de segunda-feira) pode ser só o começo. O mais importante parece ser a postura dentro e fora da quadra,
principalmente quando foi forçada pelos jornalistas a criticar o atendimento
médico de Azarenka e não entrou na polêmica por 10 perguntas seguidas na
entrevista coletiva.
Svetlana Kuznetsova – Já escrevi algumas linhas acima. Aos
27 anos, a russa tem a minha torcida para voltar
a mostrar o tênis que tem com
mais frequência.
- Em baixa
Sara Errani – Campeã de 3 dos últimos 4 GS nas duplas, a
italiana não parece ter jogo de top 10 (e o top 10 apresenta um padrão de
jogo?). Mas um bom calendário e algumas chances
aproveitadas rendem semanas ali. A derrota na primeira rodada descontou
quase 500 pontos, mas a concorrência colabora... O vice de RG, algumas chances até
a semi do US Open e títulos em WTAs de menos prestígio também. Veremos como vai
ser sua primeira temporada entre as favoritas em praticamente todos os torneios
que disputar. Diria um francês que os hormônios femininos aparecem em momentos
assim.
Petra Kvitova – Nem precisa de muitos comentários. Segunda
rodada em Brisbane e estreia em Sydney. Há um ano a tcheca estava na semifinal
em Melbourne e se conquistasse o título viraria a número 1 (se a memória não me
trai a possibilidade era essa). A derrota cheia de tensão na segunda rodada é a
continuação de um ano em que Kvitova
mais se perdeu do que se encontrou. Uma pena.
Nadia Petrova – Fazer dois games na estreia de um GS, diante
da número 100 do mundo, que, por acaso, tem 42 anos de idade não pode ser
positivo – com todo respeito aos mais velhos. A ex-número 3 do mundo encerrou
2012 com o título da exibição de luxo
de Sofia. E o começo de 2013 não foi animador.
Venus Williams – A forma como Sharapova a varreu de quadra
foi impressionante. Enquanto não recupera o bom ranking, Venus está sujeita a
enfrentar as tops nas primeiras rodadas. Daí a levar uma surra em horário nobre – o que só é legal em novela, diriam – vai
uma distância. E recuperar o ranking passa por torneios além de GS, o que pode
não estar nos planos da (condição física da) ex-número 1 aos 32 anos.
- Na mesma ou com
pouca variação
Maria Sharapova – A surpreendente derrota na semifinal faz a
russa sair por baixo. Mas a maneira como
ganhou cinco jogos anteriores não pode ser ignorada. Nos últimos anos
Sharapova reencontrou um jogo digno para brigar por títulos importantes e não
sofrer contra adversárias fracas nas primeiras rodadas ajuda. Não dá pra
duvidar em 2013 por causa de uma derrota inesperada.
Serena Williams – Fez o
que era esperado. Atropelou quatro adversárias. Sofreu com uma(s)
lesão(ões) e não conseguiu pedir um atendimento médico a tempo contra
Stephens... (Sobre o ranking, algumas linhas no final).
Ana Ivanovic – Variação um pouco positiva. Boa vitória
contra Jelena Jankovic e queda nas oitavas para Radwanska podem ser normais.
Mas o top 10 não parece tão distante
para esta temporada.
Agnieszka Radwanska – Abriu o ano com 13 vitórias seguidas e
ainda assim a variação é um pouco negativa. Estão a ponto de comparar a
polonesa com a Era trocadora de bola
de Murray. Top 5 consolidada, chega às rodadas finais e não consegue incomodar
as adversárias de melhor ranking. Desta vez ainda foi surpreendida por uma boa atuação
de Li antes da esperada semi. Sobre um estilo diferente de olho nos GS, precisa
ver isso aí...
Caroline Wozniacki – Li as mesmas críticas de sempre à ex-número
1. Só 1 vitória em 2 torneios antes do AO e queda nas oitavas do GS não merecem
comemoração, de fato. Mas não vejo nada
de diferente do que Wozniacki tem feito já há algum tempo. As 3 derrotas
foram em 3 sets, 2 delas para Kuznetsova. Em condições normais, se as duas
estiverem bem, são resultados mais do que esperados.
Samantha Stosur – A queda da cabeça 9 na segunda rodada pode
ser uma grande surpresa. Mas a relatividade de uma zebra passa pela certeza que
se atribui ao favorito. Do mesmo modo, o
tamanho da decepção é diretamente proporcional à expectativa criada. Stosur
na Austrália? Pra mim sai na mesma, as expectativas eram mínimas.
Angelique Kerber – Sinceramente, não consegui ver nada dela.
Passo.
Marion Bartoli – Também não vi. Apesar da queda na terceira
rodada, seu histórico de só ter passado da 3ª rodada uma vez em 12 anos no
AusOpen se encaixa no caso de Stosur. Sem
expectativa, sem decepção.
Depois da curva
Ainda sobre o ranking, algumas linhas sobre Serena ser a
virtual número 1. Tenho a tendência de concordar com Ivanovic e dizer que o
ranking não mente. Lesões a parte, a estadunidense não joga alguns torneios
porque não quer – a lista de entradas de Indian Wells saiu nesta semana e as
únicas top 30 fora dela são... Serena e Venus.
O ranking pode até não indicar quem é a melhor jogadora, mas
indica quem jogou melhor os torneios que se propôs a jogar nas últimas 52
semanas e que vão contar pontos para o ranking. Em 2012, Federer jogou torneios
que “não gosta”, que não jogaria (e não vai jogar) em outras temporadas, que
eram muito fáceis para seu nível de jogo. E? Pontos são pontos, diria um
ranqueado poeta. Se essa fosse a preocupação de Serena – tenho minhas dúvidas
que seja – um único torneio que acrescentasse ao calendário já seria
suficiente.
Ah, mas ela ganhou Madri, Wimbledon, Olimpíadas, US Open,
WTA Championships, Brisbane, Desafio Internacional Brasil X Uruguai e Copa São
Paulo! Sim, e perdeu na estreia de Roland Garros e da Gillette Federer Tour. E
as 89 vitórias seguidas que Azarenka teve no início de 2012? Ah, mas nenhuma
foi contra a Serena. O ranking não vê adversário, diria um filósofo ranqueado.
Enfim. Logo esses pontos serão descontados e a ordem
restabelecida para que tenham fim as discussões de mesa redonda que não cansam
de andar em círculos.
Ou não.
Fotos: Site australianopen.com
20 de dezembro de 2012
Retrospectiva do inútil ao desagradável
Ah, o fim de ano. O dia que vira noite às 15h, o
motorista que arrisca passar pela água, as pessoas que se protegem como podem
no ponto de ônibus, o aeroporto que fica 40 minutos fechado, as árvores
centenárias que vão ao chão, as terras que deslizam e bloqueiam rodovias e...
as retrospectivas! Somam uns 90% da utilidade jornalística na época.
Por fora da curva, o jeito é pensar na união do inútil ao
desagradável. Logo, esporte + redes sociais. Se, por acaso, alguém chegou até
este texto, deve estar mais preocupado em conseguir trocar o presente do
inimigo secreto, em acionar a salvação divina para o carro inundado, em
reclamar da escolha divina da miss universo, em xingar quem está xingando algum
time, em saber quando tem o próximo Casados x Solteiros de ex-futebolistas, em
discutir se ideia tem acento ou não, etc (esses são os 10% restantes de útil).
Que seja breve. O que teve de importante (pra quem?) em algumas
modalidades em um tuíte. A retrospectiva fast-Freud, como diria o poeta. Porque
o mundo não espera – mas o fim dele podia pelo menos ser depois do horário
marcado no salão de beleza, diria a madame.
Tênis
Federer trezentas e umas. Djokovic 1 de novo. Nadal foi.
Murray apareceu. Há relação? Sharapova em RG. Acabaram 2 piadas. 1 GS para
Soares
Ciclismo
Wiggins
inédito e histórico(2x). Contador voltou. Schlecks querem esquecer. Armstrong foi.
Vai mudar algo?
Basquete
LeBron finalmente. Brasil voltou ao que se espera. Acabaram 2
piadas. 3ª idade ainda manda no NBB
Velocidade
Regularidade do Alonso não deu. Regularidade do Lorenzo deu. F-1
em extinção pelo ret$rn$ e pelos pilotos no Brasil. Rossi em 2013(?)
Vôlei
Continua na mesma. Disputa títulos. Se ganha é o melhor do
mundo. Se perde é o pior.
Vôlei
de praia
Na mesma do vôlei
Natação
Medalhas
em Londres dependem do ponto de vista . Valem ouro ou lata. Phelps foi
Atletismo
Nem
o vento londrino parou Bolt. As corridas de rua estão dominando as ruas e não
precisam do futebol para serem promovidas com sucesso
Boxe
Falcões
Badminton
Teve trambique em Londres. Volta às notícias quando alguém
for preso / morrer DURANTE O JOGO
Canoagem,
hipismo, remo, taekwondo e tiro
Não vi e, diferentemente de outros esportes ou de
outras pessoas, prefiro não comentar
Desportos
na neve e no gelo
Em extinção
Esgrima
Teve polêmica em Londres. Volta às notícias quando alguém
morrer
Ginástica artística
Arthur Zanetti
Handebol
Teve
trambique na França. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE
O JOGO
Judô
Sobrevivendo vitoriosamente como poucos esportes no país
Lutas
Não, obrigado
Rugby
Vai ser grande
Vela
Não lembro
Futebol
Ainda prefere discutir se a bola entrou, se foi dentro da
área, se estava impedido, se a bola tá muito leve, etc. E a C$pa d$ Mund$ tá aí
Depois da curva
Invariavelmente, o jornalismo cíclico dá as caras nesta época
do ano. Como aproveitar as sobras de comida da ceia/reveióm, como distrair os
filhos nas férias e outras pautas eternas.
O jornalismo podia tirar férias de 15 dias. Mas aí, como também diz o poeta
sobre determinadas greves, o perigo é a população perceber que não precisa do
serviço prestado pelos grevistas...
Derrapada
O fim do mundo está marcado para o primeiro dia do verão.
Atenção ao simbolismo e à conexão entra as duas tragédias.
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tênis
29 de novembro de 2012
Estranhos no ninho, peixes fora d'água e outras frases feitas em competições esportivas
Não é novidade pra ninguém que assistir a uma competição
esportiva in loco gera situações e
experiências muito diferentes de acompanhar pela TV. Emoção, decepção, maior
proximidade do campo/quadra/piscina/etc, olhar para aquilo que a transmissão
não mostra, entre outras coisas. Mas um aspecto no mínimo interessante se passa
pelas conversas entre as “pessoas presentes”.
(Pessoa presente: aquele ou aquela que está em uma “praça
esportiva” contra a vontade. Ex: namorada que vai para acompanhar o namorado,
filho que vai para acompanhar o pai – geralmente hiperativo, às vezes se cansa
mais correndo na arquibancada do que os próprios jogadores –, pai que vai para
acompanhar o filho – e dorme na arquibancada –, convidado que vai porque foi
convidado).
Neste último pacote, lembro a final de duplas do Brasil
Open-2011. Marcelo Melo / Bruno Soares X Pablo Andujar / Daniel Gimeno-Traver.
Área reservada aos convidados na Costa do Sauípe. Tie-break do primeiro set. Ouço
de uma voz feminina: “Quem são os brasileiros?”. Já tinham sido jogados 12
games! As prioridades ali, obviamente, eram outras. Como são na grande maioria
das áreas VIP de qualquer esporte, não apenas o tênis. Faz parte.
O dia no ginásio do Ibirapuera na última terça-feira gerou
infinitas situações sobre um tipo peculiar nos eventos: o segurança. Nenhuma
delas aconteceu comigo, mas ouvi algumas conversas e SE diverti. Outras pessoas
se irritaram, tenho certeza. Reproduzo algumas situações.
Situação 1
Espectador, sentado a 2 m do portão de acesso à
arquibancada, atende o celular no meio de um ponto e, naturalmente, se levanta
para dar dois passos e sair discretamente.
Segurança: Tem que ficar sentado.
Espectador não entende direito, conversa um pouco com o
segurança até finalmente se sentar.
- Poderia ter
atrapalhado mais os jogadores do que se o segurança permitisse sua saída.
Situação 2
Funcionário da organização, credenciado, subiu os degraus da
arquibancada tranquilamente, no meio de um ponto, enquanto o árbitro Carlos
Bernardes olhava para ele com cara de poucos amigos. Quando chega ao final da
arquibancada, segurança diz que não pode sair. Fica sentado 1 minuto e
segurança abre o portão no 3/3.
- O cara estava
credenciado, já tinha atrapalhado um ponto inteiro e não pôde sair. Abrir os
portões na soma par é algo que precisaria de uma opinião da arbitragem, que
sempre se mostra orgulhosa e satisfeita com os seguranças quando isso acontece.
Situação 3
4/3 no primeiro set entre Victor Hanescu e Aljaz Bedene.
Segurança barra público que queria sair e diz que só pode deixar quando acabar
o set.
- Barrar quando alguém
quer SAIR é uma questão que exige muito mais bom senso do que regra. Nem acho
que os seguranças são mal orientados. Acredito que nem são orientados. Estão
ali a trabalho, em um ambiente que não lhes é familiar. Como um norte-americano
no saibro. Alguém deveria ser responsável por instruí-los. Mas, no Brasil, acho
que seria pedir muito. A qualquer segurança, em qualquer evento esportivo.
Situação 4
Hanescu fecha tie-break e muita gente se levanta. Como uma
massa quer sair, segurança abre o portão e fala com outro segurança: Acho que
acabou, né?
- ... ... ...
Situação 5
Ainda no mesmo jogo, 2/2 no 2º set. Espectador tenta entrar.
Segurança: Só pode quando acabar o set
- Terça-feira, por
volta de 16h. Acredito que TODO o público que está no ginásio para ver Hanescu
X Bedene gosta / acompanha tênis e entende as regras básicas do esporte.
Imagino o que a pessoa em questão pensou ao ouvir, no 2/2, que só poderia
entrar quando acabasse o set.
Situação 6
Mesmo jogo, 5/5 no 2º set. Espectador se levanta bem, beeem
longe do portão e sobe degraus sem pressa.
Segurança, já impaciente: Senta lá, senta lá!
Ele se senta. Game demora e ele diz que precisa sair.
Segurança: Não pode levantar. Só quando acabar o set.
Dois pontos depois, Bedene faz 6/5.
Segurança: Agora pode.
- Se ainda restava
dúvida, está certo que houve um pequeno mal entendido a respeito de termos que
representam o fim de uma “subdivisão” da partida de tênis.
Situação 7
Fim do dia. Troca de lado quando Thomaz Bellucci tinha 6/4
5/6 contra Guido Pella.
Segurança 1 sobe os degraus e pergunta: Quem tá ganhando
essa bagaça aí?
Segurança 2: O argentino.
Segurança 1: Que isso, rapaz!?
- Quando a bagaça foi pro saco no terceiro set,
alguns presentes devem ter se perguntado a mesma coisa.
Depois da curva
Situação extra, desta vez envolvendo os famosos “ambulantes”.
Aquecimento de Gastão Elias X Paolo Lorenzi.
Vendedor de sorvetes diz para o vendedor de crepe (que,
diga-se, praticava um assalto voluntário a alguns presentes por módicos R$ 7):
Pode andar (pela arquibancada), não começou. É só treino.
28 de novembro de 2012
Vim, vi e consegui voltar
Foi uma noite belutesca. Os famosos altos e baixos que dão
as caras desde que Thomaz Bellucci disputa os principais torneios da ATP
puderam ser vistos de perto. Pior que estejam tão presentes nas últimas – e raras
– atuações frente ao público brasileiro – ATP Challenger Tour Finals de 2011,
Brasil Open e agora o Challenger Finals da temporada atual. Ou pré-temporada...
Um atendimento depois de 3 games para re-remendar a mão
esquerda. Um primeiro set de trocas de bola do fundo de quadra e o argentino
Guido Pella, também canhoto, aceitando encarar as cruzadas de forehand com o
número 1 brasileiro. No backhand ficava claro que o classificado sem convite
não conseguia empurrar Bellucci para o fundo ou deslocá-lo suficientemente para
as laterais. 1 set a 0.
Uma quebra no game inicial do 2º set. E aí começou. Pella devolve
a quebra imediatamente e tem break point para abrir 3/1. A postura e a
movimentação de Bellucci são diferentes das do início do jogo. E as emoções dos
presentes também. Se no primeiro set pontos bonitos vencidos por Pella eram
recebidos com slow claps entre duas ou três pessoas espalhadas pelo Ginásio do Ibirapuera, agora a
torcida passou a ser público, se esqueceu de que “ganhar de argentino é melhor”
e aplaudem o que precisa ser aplaudido. Não que torçam contra Bellucci. Os
pontos e momentos delicados para o brasileiro têm volume – e gritos – muito maior.
Talvez porque tenham sido muitos momentos delicados.
No tie-break, Pella erra um voleio curto que dificilmente
Bellucci chegaria na bola, o que o deixaria com vantagem de 4/1. Público
inflamado, já que o brasileiro devolveu o mini break. A torcida estava lá. No
ponto seguinte, um erro não forçado de forehand do brasileiro para fora – de onde
eu estava, bem fora. Uma leve reclamação de Bellucci com o árbitro e tímidas
vaias dão as caras. Para a escolha da jogada em um ponto importante? Para o
erro? Para a reclamação? Por que acharam que a bola foi dentro? Não descobri.
Mas os longos aplausos voltam dois pontos depois, em um ponto... do argentino!
Um grande voleio para abrir 6/3 no tie-break e, depois, aproveitar o terceiro
set point. Nesse momento, muita gente deixa o Ibirapuera, ao que retornarei
linhas abaixo (vídeo aqui).
Com o público desfalcado, Bellucci abre 3/0 e parece
recolocar a vitória certa em curso. No sétimo game, três break points para
abrir 5/1(!). Não aproveitados. Pella confirma, quebra e confirma para empatar
o set decisivo por 4/4. Bellucci no saque com 40/15 antes de um longo e
dramático nono game. Na sequência, Pella volta a igualar o set após um slice
angustiante do brasileiro. Reflexo, não só de como estava o físico ou o
psicológico do convidado, mas do que virou o jogo. E o 5/5 veio para coroar,
com Bellucci sacando em 15/40 antes de enfrentar infinitos break points. O
primeiro salvo com pancadas de forehand e backhand no fundo e no meio da quadra.
O segundo com um bom saque. Outro com um saque aberto + backhand cruzado. Outro
com uma paralela de backhand que nem ele acreditou. Até que, em uma curtinha
nem tão curta seguida de um lob nem tão lob, o serviço é quebrado. Pella saca
para o jogo, fecha depois de 2h53min. Bellucci sai, sem o esperado (ou
programado?) discurso com o microfone no meio da quadra para agradecer quem
ficou até minutos para 01h00 no Ibirapuera se angustiando em sua companhia.
Depois da curva
“Não é fácil ir dormir às três da manhã para jogar no dia
seguinte de novo”, disse Bellucci após a derrota. Não deve ser mesmo. E como diz o poeta, não tá fácil pra ninguém.
No mesmo dia em que começou o ATP Challenger Tour Finals,
teve início na cidade de São Paulo a segunda fase da Liga Sul-americana de
Clubes de basquete. Três dias seguidos com rodada dupla em um quadrangular com três
das cinco melhores equipes do Brasil – Brasília, Flamengo e Pinheiros – e um
time venezuelano. Os jogos, a serem realizados na sede do clube paulista, foram
marcados para 20h e 22h10(!!). Na expectativa de que o jogo de Bellucci,
marcado para 21h, pudesse começar sem atrasos e, com o esperado 2 sets a 0,
acabar antes de meia-noite, troquei o basquete, que não tinha chance de acabar
antes de 00h, pelo tênis. Hoje e amanhã trocarei os dois pela televisão.
Por acaso, durante o jogo que precedia a estreia de Bellucci,
Sheila Vieira, Felipe Priante, que neste ano compareceram ao ATP World Tour
Finals e aos Jogos Olímpicos, respectivamente, e eu conversávamos sobre um dos motivos que afasta o público de
eventos no Brasil: a famosa acessibilidade. A certeza de não apenas chegar ao
local de um jogo, show, etc, mas também de conseguir voltar para casa
dependendo de transporte público.
Sim, a duração de uma partida de tênis é imprevisível, etc,
etc, etc. Um ponto não é problema dos eventos. Esses eventos acontecem e deixam
de acontecer. O transporte segue o jogo na cidade durante os demais 364 dias do
ano. O primeiro jogo do dia, entre Victor Hanescu e Aljaz Bedene, teve apenas
dois sets e durou 2h17min. Tivesse terceiro set ou outro jogo também durasse
isso... Uma prorrogação na rodada dupla de basquete, ou apenas um jogo decidido
no final, com infinitos tempos técnicos dos dois lados, atrasaria tudo.
Que não se faça drama com um #classemédiasofre. O drama
aconteceu em quadra. Fora dela, ficam as opções e escolhas. A de não ir. A de
sair antes do final. A de ficar até o final e assumir riscos.
Então volto ao vídeo lá de cima, no momento em que Pella fechou o tie-break do
segundo set: 23h40. A debandada do público passa por algumas explicações. Desânimo
/ frustração com a queda de rendimento de Bellucci. Trabalho cedo no dia
seguinte. Residência longe – mesmo de carro ou táxi pode ser um problema.
Dependência do transporte público. RÁ! No 4/4 do terceiro set, fiz as fotos
abaixo dos locais do Ibirapuera que tinham mais público, que era muito menor do que na partida anterior, marcada para 19h, entre Adrian Ungur e Ruben Ramirez-Hidalgo.
Passada a teoria, vamos à prática. Assumi o risco. Deixei o
Ibirapuera 00h47, para um destino perto. Menos de 6 km segundo o Google Maps. Não há estação de metrô perto do ginásio e mesmo se houvesse, não estaria mais funcionando pelo avançar da hora. Andar todo o caminho não parecia uma escolha prudente. Um ônibus e 1h esperando outro... Resolvi passear a pé por quase 2 km pelo cartão
postal paulistano (tirando as pessoas que te pedem dinheiro e as que te obrigam
a dar dinheiro, uma caminhada na madrugada de SP pode ser agradável. O problema
é que na madrugada de SP só está acordado e andando quem vai pedir dinheiro ou
te obrigar a dar dinheiro). Enfim, outro ônibus. Cheguei em casa 02h47. Acho
que tive sorte. As madrugadas de São Paulo têm sido muito mais dramáticas para outro
tanto de família nas últimas semanas. Concordo com Bellucci.
Créditos das fotos não-tiradas com uma mísera câmera digital 12.1 megapixels: Wander Roberto/inovafoto.
2 de novembro de 2012
O que o ranking (não) explica nos ATPs 500 de 2012 + o último Masters 1000 do ano
Aos moldes das estatúpidas dos
rankings e os ATPs 250 de 2012, que fiz na última semana, demorei com as dos
ATPs 500 e não tem nada muito relevante (os 250 também não tinham...). Então
junto umas ideias do Masters 1000 de Paris. Segue a tabela, pequena, mais uma vez, tirem as próprias
(in)conclusões.
Evitando
as distorções óbvias
- Em Acapulco, Ferrer pegou um
convidado que era 563º do mundo na estreia, aí a média dos tenistas que ele
precisou derrotar ficou astronômica. Os outros quatro derrotados foram 54, 50,
80 e 27, respectivamente.
- Os dois torneios com last direct
acceptance mais baixos são facilmente explicados. Barcelona tem a chave maior e
Washington caiu na semana dos Jogos Olímpicos. Depois vem Dubai (com 8 top 10
de seeds!) e Hamburgo.
- Memphis teve os inscritos com
rankings baixos. Ao mesmo tempo, Melzer precisou bater cinco top 60, três deles
cabeças, para ser campeão.
- Diferentemente dos ATPs 250, que têm
muitos “entráveis” no segundo semestre, os 500 que fecharam com melhores
rankings foram os quatro últimos, no top 70. Curiosamente, quatro torneios que
dividem as semanas em que acontecem: Pequim / Tóquio e Valência / Basileia.
- Como as primeiras rodadas de
qualquer torneio reservam aos seeds (prováveis campeões) tenistas com rankings
baixos, a média dos derrotados no caminho para o título não tem diferença
significativa entre os ATPs 250 e os 500. Nos cinco torneios que tiveram o
número mais baixo na última coluna da direita, três são ATPs 250 (Halle,
Marselha e Winston Salem) e dois 500 (Dubai e Basileia). Para não perder o
costume: no ano que vem? Nunca se sabe.
O
último Masters 1000
Antes da disputa, o diretor do Masters
1000 de Paris já havia mostrado interesse em mudar a data do torneio, jogando-o
para fevereiro. A proximidade com o ATP Finals e os tops capengando é
preocupante para qualquer diretor de um grande evento. No fim de temporada isso
é acentuado. E a sucessão de acontecimentos “inesperados” em 2012 dá mais força
para uma possível mudança de data.
Rafael Nadal não joga desde junho.
Situação anormal. Ainda assim, disputou o torneio apenas 3 vezes na carreira
(2007-08-09). Roger Federer, atual campeão, desencanou do ranking, alegou
“questões pessoais” e deve voltar com força para o ATP Finals. Confesso que
também ficaria mais animado com a possibilidade de um sétimo (!!) título no
torneio que reúne os 8 melhores da temporada. Além disso – não que Federer
precise – ganhar 5 jogos em Londres dá quase três vezes mais premiação em
dólares (1,76 mi vs 620 mil) do que em Paris.
Novak Djokovic se esquivou de
justificar a derrota devido a preocupações com a saúde do pai. Não perdia em
uma estreia há dois anos e meio. Apesar dos méritos do saque de Sam Querrey, um
jogador com a experiência do sérvio, que tinha perdido um set e ganhado 10 nos
4 confrontos diretos com o americano, levar uma virada depois de ganhar os
primeiros 8 games.... Situação anormal. Andy Murray sofreu contra um “sacador”,
perdeu match point no segundo set e quis ir pra casa no terceiro. Situação
normal.
Mas a mudança no calendário está
longe de ser fácil. Além de patrocínio, $, tentativa de encurtar a temporada,
etc, envolveria mudanças em outros torneios. Em fevereiro, seria o primeiro
Masters da temporada. Um Masters na Europa, nesta data, não só enfraqueceria
(ainda mais) a gira latino-americana de saibro, mas até os torneios em quadra
dura dos EUA pré-Indian Wells-Miami. São muitos fatores a considerar, ainda não
dá pra imaginar essa mudança.
Fato é que o Masters 1000 de Paris é
como o Australian Open: em suas categorias, são os torneios mais “zebráveis” do
circuito. Um no começo e outro no final da temporada. Um pode sofrer com a
falta de ritmo e outro com o excesso de cansaço dos jogadores para ver os tops
caírem antes das rodadas finais. Um título de Thomas Johanssson, as únicas
finais de Marcos Baghdatis, Fernando Gonzalez e Jo-Wilfried Tsonga (então 38º
do mundo), para citar alguns exemplos da Austrália. Os outros Grand Slams, nos
últimos 10, 15 anos, não tiveram tantos finalistas ou campeões inesperados. Não
acredito que seja coincidência.
E o Masters 1000 de Paris? É o único
que Tsonga, um nome de respeito, fez final. Duas, com um título e um vice.
Mesmo com duas finais de GS, Robin Soderling só tem uma em M-1000, e ganhou, em
Paris-10. Voltando mais de uma década, dá pra lembrar o título de Sebastian
Grosjean, seu único de Masters 1000. Uma arrancada que o colocou na Masters Cup
(atual ATP Finals) duas semanas depois.
Estatúpidas
- O último Masters 1000 sem Federer,
Nadal, Djokovic ou Murray entre os semifinalistas foi justamente em... Paris!
Em 2008. E os 4 estavam na chave, os 4 principais cabeças. Federer deu WO nas
quartas contra Blake; Nadal desistiu nas quartas contra Davydenko depois de
tomar 6/1; Djokovic caiu antes, em três sets para Tsonga nas oitavas; Murray
perdeu para Nalbandian nas quartas. Ainda assim, a semifinal teve 4 cabeças:
Davydenko (6) X Nalbandian (8) e Blake (11) X Tsonga (13), com Tsonga sendo
campeão sobre o argentino.
- O último Masters 1000 sem Federer,
Nadal, Djokovic ou Murray entre os quadrifinalistas foi justamente em... Paris!
Em 2006. Federer (1) e Nadal (2) não deram as caras, Djokovic e Murray ainda
eram 16 e 17 do mundo, respectivamente. Uma outra Era.
Depois
da curva
Esse domínio do top 4 nos grandes
torneios gera, positivamente, a já conhecida repercussão, espaço na mídia, etc.
A WTA, oscilante, não teve tanta atratividade para a “mídia em geral” enquanto
as líderes do rankings não se firmavam – por esse e outros motivos. Mas, negativamente,
penso em um futuro próximo na ATP.
Em 2012, dois ex-líderes do ranking
deram adeus às quadras. Cada um tinha conquistado um Grand Slam e mais de 15
títulos na carreira. O “espaço na mídia” não foi dos maiores para os dois.
Atualmente, só há 4 tenistas que já alcançaram o topo do ranking em atividade (Federer,
Nadal, Djokovic e Lleyton Hewitt). Dentro de alguns anos, nomes muito
importantes para o tênis – ao menos na minha visão – vão anunciar a
aposentadoria e a “mídia em geral” pode perguntar: quem é? Ganhou o que?
Ganhou muita coisa. Mas os Grand
Slams (e os Masters 1000) ficaram restritos ao top 4 por quase uma década(!).
No texto de despedida vão faltar aqueles “campeão (ou "só" vice) de Roland Garros em 20XX”, “dono
de três troféus de Masters 1000”, “medalhista olímpico”, etc. Para mim, ao
final da carreira, não chega a fazer muita diferença a “qualidade” dos títulos
ou o ranking mais alto que alguém alcanço. Mas para “os outros”, isso é A notícia.
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