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6 de junho de 2020

Como o Brasil controlou a pandemia do novo coronavírus

Registro histórico para quando, eventualmente, as futuras gerações forem pesquisar como a covid-19 foi erradicada no Brasil, precisamente no dia 05 de junho de 2020.

Twitter do Ministério da Saúde, 31/03/2020 

Twitter do Ministério da Saúde, 14/04/2020

Twitter do Ministério da Saúde, 28/04/2020

Site covid.saude.gov.br, 28/04/2020

Twitter do Ministério da Saúde, 05/05/2020

Twitter do Ministério da Saúde, 12/05/2020

Site covid.saude.gov.br, 12/05/2020

Site covid.saude.gov.br, 19/05/2020

Ocultado do Twitter do Ministério da Saúde, 26/05/2020

Site covid.saude.gov.br, 26/05/2020

Ocultado do Twitter do Ministério da Saúde, 02/06/2020

Site covid.saude.gov.br, 02/06/2020

Ocultado do Twitter do Ministério da Saúde, 05/06/2020

Site covid.saude.gov.br, 05/06/2020



3 de fevereiro de 2015

Os supertenistas por trás dos técnicos

Stefan Edberg, Boris Becker, Michael Chang, Magnus Norman, Ivan Ljubicic, Martina Navratilova, Lindsay Davenport, Amélie Mauresmo. Esses foram alguns nomes que pautaram diversas conversas durante o Australian Open. Em comum, carreiras bem sucedidas dentro de quadra e um retorno ao tênis como treinadores. Nada de revolucionário. O ponto, que parece ter vindo mais à tona em Melbourne, é que eles estão cada vez mais em foco e até “roubam” os holofotes que, naturalmente, pertencem aos atletas.

Em 2012, quando Andy Murray trouxe Ivan Lendl de volta ao tênis depois de quase 20 anos, a aprovação dava conta de que, além do trabalho nos treinamentos, o tcheco-americano diluiria o peso que o britânico carregava extra-quadra. As atenções não teriam um único alvo. Funcionou enquanto durou: 2 troféus de Grand Slam e ouro olímpico em quase 3 anos. Com o fim da parceria, Murray se juntou a Mauresmo, ex-número 1 e campeã do Australian Open e de Wimbledon. Luta sexista/feminista à parte, a repercussão da escolha – conscientemente ou não –, até agora, tem sido parecida: sobre Murray não há muito que falar, vamos explorar Mauresmo porque é novidade, ele segue sua vida dentro de quadra.


Depois da final de domingo, Murray ouviu 3 perguntas sobre a francesa, 1 delas porque não tinha respondido a anterior. Imagino quantas seriam em caso de título, em uma reciclagem do “britânico quando ganha, escocês quando perde”: méritos de Mauresmo quando ganha, de Murray quando perde.

A parcela de crédito ou culpa de cada técnico, estrela ou não, é sempre difícil de mensurar. Quando o tenista já é consagrado fica ainda menos visível para os espectadores. É improvável uma transformação drástica nas características do tenista e a companhia da estrela no dia a dia parece mais camaradagem e ajuste de um ou outro detalhe para o atleta. Caso de Roger Federer-Edberg e Novak Djokovic-Becker.

Por outro lado, a missão de alçar uma revelação ao topo é diferente, mas também “obscura” em termos de meritocracia. Em novembro, a norte-americana Madison Keys se juntou à compatriota Lindsay Davenport, ex-número 1, com 3 títulos em 7 finais de GS. Naquele momento, a tenista de 19 anos já tinha 1 título, passagem pelo top 30 da WTA e 3 vitórias sobre top 10. Menos de 3 meses de trabalho e no 3º torneio juntas, Keys alcança a semifinal do Australian Open. Quanto foi mérito de Davenport? Novamente, difícil saber. Muitas vezes nem o próprio tenista percebe em que está evoluindo. Mas, voltando ao ponto, a exploração da figura do técnico se mantém. Tanto que, após a derrota para Serena Williams, a jovem pôde se divertir já no final da coletiva com o seguinte fragmento:

Pergunta: Não teve nenhuma pergunta sobre a Lindsay (Davenport) ainda. Você poderia ter feito isso sem ela?
Madison Keys: Você quer dizer que não teve nenhuma pergunta sobre a Lindsay HOJE.


Os “supertécnicos” não dão coletivas pós-jogo e pré-final. Raramente são expostos publicamente pelos seus comandados. Não precisam se justificar sobre essa ou aquela tática de jogo definida junto ao jogador. Muitas vezes exercem a função juntamente com outro treinador. São lembrados imediatamente depois de uma jogada que foge das características do pupilo e dá certo em determinado ponto, o tal “dedo do técnico”. Em resumo, é um ótimo cargo. A menos que você seja Jimmy Connors e vá trabalhar com Maria Sharapova.

Fora da curva
Ainda sobre a supervalorização do técnico – que, é claro, tem o seu valor e a capacidade/responsabilidade de tirar do tenista o melhor que ele pode render –, um assunto explorado além da conta em Melbourne atende pelo nome de Daniel Vallverdu. Recém-chegado à equipe de Tomas Berdych, o venezuelano chegou a receber os créditos pela campanha sólida do tcheco. Campanha esta que já acontece há 5 anos no Grand Slam australiano, com 3 quartas e 2 semis.


Porém, o auge da exploração de Vallverdu, que trabalhou com Murray por bons 5 anos, veio na semifinal que reuniu o atual e o ex-comandado. Antes, durante e depois do jogo o nome (e a importância) do treinador foi exaustivamente exaltado. Talvez se a mudança de técnicos de Murray não fosse tão recente a repercussão seria menor. Talvez não. O britânico rechaçou o exagero tanto na entrevista ainda na quadra como na coletiva pós-jogo e, em uma fala mais abrangente, lembrou quem ganha ou perde cada partida, de fato.

“Todos podem entrar no jogo com um plano ou ideias de como quer jogar. Mas coisas que você acha que vão funcionar nem sempre funcionam, você precisa ser capaz de fazer ajustes no meio do jogo. É aí que não se trata, necessariamente, do treinador”

Depois da curva
Acrescentando à frase acima, outro aspecto interessante em Grand Slam é observar como os principais nomes do circuito se preparam para adversários pouco conhecidos, de resultados e ranking modestos. O velho “eu nunca olho a chave” ainda reina, só para depois de aposentado o tenista escrever em um livro que olhava, sim, a chave. Serena Williams antes da estreia, por exemplo, quase chegou a dizer que só descobre quem é a sua adversária quando entra na quadra!

Pergunta: O que você sabe sobre a sua primeira adversária? Você sabe alguma coisa? O nome dela é Alison.
Serena Williams: Eu não sei com quem eu jogo. Eu nunca olho a chave. Eu acho que o nome dela é Alison. Eu sempre tento me manter muito focada.

Pergunta: Ela é belga.
Serena Williams: Ok.

De volta ao assunto 15 perguntas depois:

Pergunta: O sobrenome da sua adversária, você pode dizer?
Serena Williams: Eu não olho a chave. É, eu nunca olho a chave. Eu ouvi que o seu nome é Alison.

Pergunta: O sobrenome é Van Uytvanck.
Serena Williams: Eu nunca sei nada. Eu nunca olho a chave, então...


Cada tenista sabe como gosta de encarar os seus adversários e parte da análise dos rivais é função do treinador. Porém, uma coisa é reproduzir o clássico “não me importo que favoritos caiam precocemente porque estou longe de eventualmente enfrentá-los” e outra é dizer que não se importa com o seu próximo adversário. Quase um complexo de futebol brasileiro: eu sou o melhor e não preciso me preocupar com o outro time; faço o jogo que eu gosto e eles que precisam se adaptar ao meu estilo. Funciona enquanto funcionar...

Em geral, a abordagem dos homens me parece mais cuidadosa e até mesmo mais respeitosa – com o tenista e com o esporte. Fiquemos com 3 exemplos deste Australian Open para encerrar:

Djokovic, perguntado sobre Gilles Muller antes do confronto inédito de oitavas de final:
“Mesmo que eu nunca o enfrentei eu o vi jogar muitas vezes, porque ele está no circuito há um tempo, foi o melhor juvenil do mundo, tem um grande jogo, um grande serviço, vai à rede, o que não é algo que muitos jogadores fazem hoje em dia. Tem um bom saque com slice, é um jogador muito agressivo. Sofreu com algumas lesões nos últimos anos, mas acho que nos últimos seis meses ele tem jogado perto do seu melhor tênis. Ele definitivamente merece respeito, pela experiência que tem, por alcançar a 4ª rodada, as finais (semifinal) de Sydney na semana passada, então ele está em uma boa sequência”.

Serena, questionada se o “estudo” sobre adversárias que ela não conhece muito bem é feito na quadra ou em pesquisas antes do jogo, respondeu:
“É algo que eu sempre fiz na quadra”.

Petra Kvitova, após a derrota para Keys na 3ª rodada:
“Durante o jogo eu não gosto de tentar descobrir o que está acontecendo se ela está jogando tão bem. Eu ainda estava tentando focar em mim”.


Fotos: Getty Images (1 e 3) e Tennis Australia.

11 de fevereiro de 2013

Evoluindo em harmonia sem atravessar o samba

O carnaval em curso e eu percebo que perdi toda a originalidade esportiva que deve estar por aí com "Defesa do Santos atravessa o samba", "Comissão de frente nota 10 do Paulista", "Palmeiras peca em evolução, mas nega queda: Grupo de acesso é pra conjunto pequeno", "Forlán é destaque do abre alas e deixa a mocidade alegre no Acadêmicos do Beira-Rio", "Em tom maior, Tite esbraveja após empate e garante que ataque com pato vai vai dar samba", etc, etc. Ficou tudo pra 2014.

Apesar dos pesares, lembro um texto do produtivo período da festa popular brasileira de 2012, também conhecido como marketing pessoal, e vejo que está tudo em harmonia no jornalismo enquanto atividade de apuração. As (pseudo/semi/sub) celebridades e os sambas-enredo mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão. O que aconteceu continua acontecendo e ainda vai acontecer de novo. Me perdi nos tempos verbais, mas, desta vez, o principal e o resumo sambam no mesmo tom, embalados pela bateria e dignos de uma embolada entre mestre sala e porta bandeira.

Depois da curva
Post de 2 parágrafos. Estou a caminho da mercantilização de ideias e comercialização do espaço digital a nível de blog. Aceito propostas de possíveis patrocinadores. Tratar com a minha assessoria.

Alguma musa de alguma escola em algum desfile
para render mais cliques e atrair parceiros financiadores

6 de fevereiro de 2013

Entre títulos e cliques, o principal e o resumo


Alguns títulos vistos pelo território livre digital nas últimas 2 semanas.

Mulher de Luizão dá barraco e apela para ponto fraco para ofender colega de reality show
Namorada de Piqué, Shakira tem alta do hospital quatro dias após parto do primeiro filho
Filha de Cerezo fala em arrependimento após cirurgia e recebe 1ª mensagem de apoio do pai
Em clima de romance, Ronaldo é visto com namorada em restaurante no Rio
Em reality show, mulher diz que faz sexo com Luizão mais de três vezes por semana

Quatro dessas chamadas estavam na editoria de esportes. É difícil imaginar por quê? Ou mais difícil pensar qual não estava?

Lógica simples do batido “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Se celebridade/fofoca/barraco/“flagra” dá audiência (lembrando que um clique para reclamar/xingar/espernear, no fim das contas, ainda é um clique), que seja. A coisa mais importante dentre as menos importantes ataca para todos os lados e, para quem só conseguiu pensar na segunda questão, parece já ter vencido a guerra. E o principal fica fora do resumo, como diria o poeta.

Depois da curva
Quem clica (= audiência) perde muito do direito de reclamar das matérias que habitam cada vez mais o jornalismo.

4 de fevereiro de 2013

Domingo eu quero ver


Você liga a televisão no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo. É no Brasil. Tem brasileiro competindo! Deve valer alguma coisa.

Você assiste e até acha interessante. É bom ver um esporte diferente de vez em quando e não tem nada melhor nos outros canais mesmo. Você torce, afinal, tem brasileiro, p#**@! Você acha que o cara tá certo em sair correndo e deixar todo mundo pra trás quando ainda faltam mais de 20 km. Você fica nervoso quando o pelotão (depois de alguns minutos você já é especialista e aprendeu os termos do esporte em animadas animações da emissora) alcança a fuga restando apenas 1 km e xinga o cara que não teve perna e deixou todo mundo chegar. Mas você se irrita mesmo na chegada, quando 90 brasileiros perdem para um dos 9 argentinos que estavam na disputa. “Argentino de m&*#@! Vem aqui no Brasil e ainda ganha da gente (você estava na competição!). Por isso que isso aí não vai pra frente!”.

Por mais algumas horas – mais precisamente até 16h – você ainda fica indignado e comenta com amigos e/ou parentes que te ligam/encontram na rua: “Cê viu aqueles brasilêro na bicicleta? Nem pra ganhá dos argentino! Perdi 1 hora vendo aquilo lá”, lembra, arrependido, antes de ligar a televisão de novo e perder mais 2.

Você entra na internet no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo (os streams de hoje em dia fazem milagre e você vai parar na Al Jazeera Sport Global). É no Oriente Médio. Deve valer alguma coisa! E tem brasileiro competindo.

Você assiste e acha interessante. “Mas eles vão correr no meio da areia? O Rio de Janeiro é mais bonito”. Nem dá pra identificar o solitário brasileiro em meio a quase 150 ciclistas. Você não torce. Assiste. Britânico, norueguês, italiano, suíço. A transmissão destaca os favoritos. “Tem gente do mundo inteiro e o tal brasileiro nem estava no Rio de Janeiro competindo”, questiona. Sim, é apenas mais um no pelotão, correndo por uma das maiores equipes do mundo, contra os principais adversários que ele pode ter na sua área, o ciclismo de estrada. Ele não aparece – e se aparecesse não estaria cumprindo sua função na equipe direito.

Outros 3 aparecem. Uma fuga restando 15 km. Por quase 20 minutos, a etapa é deles. Você escolhe um para torcer. Depois de alguns minutos até esquece o brasileiro. “É, o deserto nem é uma paisagem tão feia assim”. E ninguém foi até lá pela paisagem (pelos dólares petrolíferos talvez). O terceiro não aguenta o ritmo e o sprint final é disputado por dois competidores. A etapa chega ao fim e, para o seu desespero, o vencedor não foi o vencedor. “Eles fazem isso de domingo porque é pra acabar no domingo, p#**@!”. Ainda vão pedalar 587 km nos próximos 5 dias. “E quem ganhou? Um americano? Ah, deve ser da turma daquele drogado que deu entrevista, falaram que era importante. Duvido que ele ganha amanhã de novo”, aposta, ainda meio contrariado.


Na reta
O ciclismo foi um exemplo a partir de transmissões que aconteceram no último mês. Poderia ser um futebol de praia ou o famoso desafio internacional de vôlei de praia 4x4 misto Brasil X Estados Unidos. Atrações que são os frutos de parceria com alguma(s) promotora(s) e cobrem a grade enquanto a Fórmula 1 não volta. Alguns desses eventos têm muito pouca importância – sendo generoso – e outros um pouco mais. O skate de ontem, por exemplo, tinha.

Cada um pode entrar na internet pelo celular, sem ao menos se levantar do sofá, para pesquisar se aquele é um “jogo de verão” ou um torneio sancionado internacionalmente, consolidado dentro da modalidade e que atrai os principais nomes do esporte para a TV na manhã de domingo. Ou seja, relevante. Isso, é claro, se o telespectador achar relevante estar informado sobre detalhes assim...


Banca de areia
Um dos grandes pontos positivos da internet é quantidade/variedade/oportunidade seguidas do poder de escolha. Dia desses fui parar em uma transmissão ao vivo de um ITTF na Áustria. Pra quem gosta de acompanhar competições mundialmente importantes, é o lugar certo. Pra quem gosta de torcer por competições bairristicamente importantes, acabou de perder alguns minutos aqui e imagino que não perderá mais tempo nessa perda de tempo, vulgo blog.

Depois da curva
A quem interessar possa, o Tour of Qatar tem mais cinco etapas, terminando sexta-feira, e as transmissões de cada etapa deverão estar disponíveis neste link, por volta de 8h (Brasília). O vencedor da etapa de domingo foi o norte-americano Brent Bookwalker, da BMC Racing Team. Murilo Fischer chegou em 19º, junto com os 40 primeiros do “pelotão”, e leva na camisa o número 43, da Française de Jeux (FDJ).

Há alguns anos como principal nome do Brasil no ciclismo de estrada, o catarinense tem no currículo a conclusão (o que já não é pouco) dos tradicionais Giro d’Italia e Tour de France. Na prova francesa, já chegou em 3º em uma etapa, quando tinha a missão de “lançar” um companheiro de equipe para o sprint e, consequentemente, acabava ficando entre os primeiros.


Fotos: (1) Divulgação, (2) Print screen, (3, 4, 5 e 6) ASO/B. Bade

20 de dezembro de 2012

Retrospectiva do inútil ao desagradável


Ah, o fim de ano. O dia que vira noite às 15h, o motorista que arrisca passar pela água, as pessoas que se protegem como podem no ponto de ônibus, o aeroporto que fica 40 minutos fechado, as árvores centenárias que vão ao chão, as terras que deslizam e bloqueiam rodovias e... as retrospectivas! Somam uns 90% da utilidade jornalística na época.

Por fora da curva, o jeito é pensar na união do inútil ao desagradável. Logo, esporte + redes sociais. Se, por acaso, alguém chegou até este texto, deve estar mais preocupado em conseguir trocar o presente do inimigo secreto, em acionar a salvação divina para o carro inundado, em reclamar da escolha divina da miss universo, em xingar quem está xingando algum time, em saber quando tem o próximo Casados x Solteiros de ex-futebolistas, em discutir se ideia tem acento ou não, etc (esses são os 10% restantes de útil).

Que seja breve. O que teve de importante (pra quem?) em algumas modalidades em um tuíte. A retrospectiva fast-Freud, como diria o poeta. Porque o mundo não espera – mas o fim dele podia pelo menos ser depois do horário marcado no salão de beleza, diria a madame.

Tênis
Federer trezentas e umas. Djokovic 1 de novo. Nadal foi. Murray apareceu. Há relação? Sharapova em RG. Acabaram 2 piadas. 1 GS para Soares

Ciclismo
Wiggins inédito e histórico(2x). Contador voltou. Schlecks querem esquecer. Armstrong foi. Vai mudar algo?

Basquete
LeBron finalmente. Brasil voltou ao que se espera. Acabaram 2 piadas. 3ª idade ainda manda no NBB

Velocidade
Regularidade do Alonso não deu. Regularidade do Lorenzo deu. F-1 em extinção pelo ret$rn$ e pelos pilotos no Brasil. Rossi em 2013(?)

Vôlei
Continua na mesma. Disputa títulos. Se ganha é o melhor do mundo. Se perde é o pior.

Vôlei de praia
Na mesma do vôlei

Natação
Medalhas em Londres dependem do ponto de vista . Valem ouro ou lata. Phelps foi

Atletismo
Nem o vento londrino parou Bolt. As corridas de rua estão dominando as ruas e não precisam do futebol para serem promovidas com sucesso

Boxe
Falcões

Badminton
Teve trambique em Londres. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Canoagem, hipismo, remo, taekwondo e tiro
Não vi e, diferentemente de outros esportes ou de outras pessoas, prefiro não comentar

Desportos na neve e no gelo
Em extinção

Esgrima
Teve polêmica em Londres. Volta às notícias quando alguém morrer

Ginástica artística
Arthur Zanetti

Handebol
Teve trambique na França. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Judô
Sobrevivendo vitoriosamente como poucos esportes no país

Lutas
Não, obrigado

Rugby
Vai ser grande

Vela
Não lembro

Futebol
Ainda prefere discutir se a bola entrou, se foi dentro da área, se estava impedido, se a bola tá muito leve, etc. E a C$pa d$ Mund$ tá aí

Depois da curva
Invariavelmente, o jornalismo cíclico dá as caras nesta época do ano. Como aproveitar as sobras de comida da ceia/reveióm, como distrair os filhos nas férias e outras pautas eternas. O jornalismo podia tirar férias de 15 dias. Mas aí, como também diz o poeta sobre determinadas greves, o perigo é a população perceber que não precisa do serviço prestado pelos grevistas...

Derrapada
O fim do mundo está marcado para o primeiro dia do verão. Atenção ao simbolismo e à conexão entra as duas tragédias.

30 de julho de 2012

Jogando na sombra


Um cara vem andando em sua direção. A velha sensação de “já vi essa pessoa”. Você disfarça, vira pro lado e volta a olhar. Ah, ele joga basquete. Ou jogava? Não é muito novo. Mas é o basquete, parecido com o jornalismo. Os profissionais não se aposentam. Pra conviver com a dúvida por muito tempo. Devia ter feito outra coisa. Se for pra fazer plantão, que seja médico. Se for pra jogar, que seja futebol.

Faz tempo que ele joga. Muito tempo. É, ainda está jogando. Não tem como parar. E há uns 12 anos já era veterano. Lembro que jogava no Rio. Esse cara mesmo, certeza. Ano passado estava em Franca. Cheguei a ver um jogo no ginásio, ele quase parecia novo perto dos outros do time. Mas, se em uma tarde durante a semana está aqui, não está mais lá. Óbvio.

Tem um time que é logo ali na frente, uns 5 quarteirões. Deve estar fazendo tratamento médico, se recuperando de lesão. Nossa, com tanto tempo ainda não desiste. Ou foi contratado e está indo treinar. Mas não está usando um tênis próprio de basquete. Não vai chegar em um carrão? Não está bêbado, virado da noite anterior? Não, treino não é.

Se bem que tem uma mochila, o tênis pode estar lá dentro. Não deve querer gastar na rua, só na quadra, com o piso adequado. O patrocinador devia dar mais pares, mandar testar e analisar as pisadas durante um ano e desenvolver o melhor equipamento, de acordo com cada atleta. Ele é um veterano, pô! Já usam até pele de ornitorrinco pra essas coisas. Não, ele só deve querer treinar e jogar, é o bastante.

Então, pra confirmar, vou perguntar se ele é o novo reforço do time. Mas ninguém está parando ele no meio da rua. Vai ver não querem ser inconvenientes. Também não vou ser. Caras assim não devem gostar de tietagem. Ou gostaria de saber que alguém o reconheceu, que acompanha o seu trabalho? Um dia descubro. Ele está indo trabalhar, imagino que queira chegar na hora.

Sobre as outras coisas, meros detalhes, dá pra descobrir chegando em casa. Clube + nome do jogador + posição que joga deve ser suficiente pra confirmar. Pronto, foi anunciado há umas três semanas pra compor o elenco. Está com 36 anos. Sabia que não era muito novo. Pode se dar bem indo pra um time que chegou a 4 semifinais na última temporada e conquistou 1 título. E deve estar treinando sério pra mostrar disposição. Não como muitos profissionais da áreas com especializações diferentes.

Ah, se não fosse do basquete. Poderia estar em um time de uma quinta divisão estadual, fora dos grandes centros. Se alguém inventasse uma negociação, estaria no primeiro destaque de jornais, revistas, sites, rádios. A famosa “especulação”. Não precisa ser pra um time tradicional. Pode ser de uma terceira divisão estadual, é a “notícia” “boa de vender”. Enquanto não se vende, continua no mercado. Há 36 anos. E se...

Depois da curva
Saiu um formato de texto-clichê que tá na moda, né? O leitor acredita que foi assim mesmo que aconteceu e o autor não parece autor. Parece um cara batendo papo no boteco, contando uma história. É fácil imaginar que se está lendo um pensamento. Mas ainda prefiro pensar que está na moda porque é uma das poucas maneiras que o leitor tem conseguido entender um texto, com frases de 5 palavras, sem que ele precise voltar ao início de uma oração quando chegar ao seu final, como acontece com esta.

Mas, e se foi assim que aconteceu?

21 de maio de 2012

No más


Precisa gringo (tentar) fazer com que a prática jornalística se dê ao respeito.




Os exemplos são recentes. Uma rede de microblog O Twitter informou que o programa dominical “Da idade da pedra ao homem de plástico” continuou a piada e praticamente debochou de Herrera em relação ao ocorrido pós-jogo. Não sei, não vi. Mas não duvido de que o programa futebolístico diário da mesma emissora volte ao assunto logo mais, na hora do almoço. Afinal, (1) não aconteceu nada mais relevante no mundo esportivo no fim de semana e (2) dar o braço a torcer pra quê?

Com Loco Abreu, o repórter estava ouvindo a mensagem que o produtor/diretor/apresentador/narrador lhe passava, e não conversando com a mãe/esposa. Com Barcos, “foi Maikon Leite que mandou te entregar”. Sim, com aspas. E com Herrera, é tradição! Jogadores se matam pra fazer 3 gols domingo. Porque quarta-feira não ganha trilha sonora, então tanto faz marcar 1 ou 6 no meio da semana. Só falta começar a história da alegria, da descontração, da festa típica do povo brasileiro, que o jogador estrangeiro não tem, por isso não entra na brincadeira.

Variações sobre um mesmo tema
Não se trata apenas de sair pela tangente, mas sim de sair por cima. Lembra (um pouco) a resposta em língua brasileira do norte-americano Shamell, questionado pelo repórter em inglês (http://www.youtube.com/watch?v=qdtkwVaL4vE). Essa não está nos padrões atuais do jornalismo-piada, era um trabalho sério, uma pergunta séria pós-jogo. E não teve exaltação ou patada do jogador. Só não teve pesquisa/“estudo” suficiente para cobrir o não-futebol. Mas, se era sério, deveria ter tido. O que realmente lembra é o pós-ocorrido, a volta por cima, mantendo (e renovando) a piada. Outra matéria!

Um bate-papo descontraído entre o repórter e o jogador, agora em bom e claro português, para mostrar que os dois se divertiram com a situação e está tudo bem. Como se o espectador esperasse por um desfecho tal qual ao assistir a uma novela. E como se não tivesse sido um erro. E, ainda, como se pouco importasse o que o cara faz em quadra, como a equipe dele está no campeonato, etc. A relevância (ao menos para o pauteiro/editor) do atleta, da equipe E do esporte que ele pratica está no erro, ou melhor, na piada.

Várias variáveis
Poucas horas depois de Herrera se recusar a ganhar o bônus musical em reconhecimento ao seu feito, o basquete teve mais uma entrevista que lembra (bem pouco) o assunto mais comentado pelos brasileiros em uma rede social 1º lugar do TT BR (nem tem personagem estrangeiro). São José ganhou do Flamengo, “vamos pra quadra com o trabalho de reportagem”! Entrevista jogador, entrevista outro jogador e entrevista mais um jogador. Esse, o armador Fúlvio (quem não o conhece pode dar uma pausa no post para gugar se ele dá entrevista em latim, hebraico ou italiano).

A pergunta, que me pareceu sem ponto interrogação, mais ou menos, foi: “Uma vitória importante, em que São José chegou a tomar sufoco no final, mas fez 2 a 1 na série(?)”. A resposta, mais ou menos: “Eu discordo. Acho que a gente teve o jogo na mão e em nenhum momento deixou ele escapar. A gente abriu 10 pontos no segundo quarto e só relaxamos um pouco no final, aí eles meteram umas bolas de 3, mas a diferença poderia ter sido maior”. Na hora pensei: mais uma patada em repórter (mesmo que o tom de voz tenha sido tranquilo). Minutos depois mudei de ideia. Parece que pelo excesso de “Não, com certeza” e “grazadeus saímu com us 3 ponto” ouvidos em campo, a resposta em quadra foi um ponto fora da curva. Um susto. Mas com educação. Se o repórter tem o direito de fazer uma pergunta incluindo sua visão do jogo, o jogador também o tem. E as visões eram diferentes, só isso. Soa estranho porque foge do senso comum. Talvez o Fúlvio não esteja preocupado se não será mais chamado para participar de programas da emissora. Se não será mais procurado para entrevistas ao vivo pós-jogo. Talvez não tenha um patrocinador/assessor que o aconselhe a ficar o máximo que puder com um fone de ouvido e jogando conversa fora com apresentadores/comentaristas do estúdio porque gera retorno de mídia. Que gera mais patrocínio. Que gera mais entrevista (exposição). Que gera mais patrocínio...

Talvez ele não queira vender a sua imagem, só o seu trabalho. Talvez ele tenha consciência de que em um esporte que não atende pelo nome de futebol é quase impossível vender a imagem e ter contratos de patrocínio. O retorno tende a zero. Talvez seja muito “talvez”. Talvez o post tenha muita bobagem e o interneteiro ficou pelo caminho. Se não, permito-me concluir as bobagens.

Variando
Voltando a uma ramificação do jornalismo-piada, me lembro de uma coletiva do Rio Champions no final de 2011. Guga, Carlos Moyá, Alex Corretja (eles respondem em espanhol, não precisa gugar) à mesa. Pergunta (pedido) para Guga: “Queria que você falasse das qualidades de muso do Moyá”. O brasileiro (1) ouviu errado, (2) fingiu que ouviu errado ou (3) não queria acreditar que tinha ouvido certo. Resposta: “De músico!?”. Repórter: “Não, de MUSO. (Querendo enfiar a cabeça debaixo da cadeira) Me mandaram perguntar isso... tá aqui na pauta...”.

Às vezes o repórter se acha engraçado, quer ser engraçado ou procura uma pauta diferente de “X ganha de Y”, “Juninho diz que vai jogar com raça” ou “O técnico garante força total”. Resta encontrar uma torcedora musa, uma árbitra/bandeirinha musa, uma filha de jogador musa ou até uma gandula musa. A musa que passa a coroa para o próximo ilustre desconhecido que será o novo ídolo do próximo verão, dizia o poeta. “E o principal fica fora do resumo”, dizia outro poeta.

Escrever algo diferente, ainda que seja uma bobagem, gera mais comentário. Fazer um título que deixe uma dúvida no ar gera mais cliques. E mais comentários revoltados por clicarem na matéria pensando que era uma coisa e era outra. Ou não era nada. Não importa, o retorno de audiência é quantitativo. 200 comentários ridicularizando a matéria = 200 comentários. Na TV também. “Muita gente esculachando o repórter que perguntou em inglês? Vamos fazer mais uma matéria sobre o assunto, só que ignorando o assunto, certo?”.

Mas, às vezes, existe a necessidade da piada na pauta, independente do apreço do repórter pela comédia. E quem determina essa obrigatoriedade não é quem vai dar a cara à tapa em uma coletiva ou em um pós-jogo, mas quem fica no ar condicionado contando os cliques, comentários, likes, RT se curtir, etc, etc, etc.

Tempos difíceis esses...

Atualização 11h10
Tive o desprazer da vergonha alheia de ver a matéria dominical graças à indicação de Felipe Priante. Aos interessados http://www.youtube.com/watch?v=7pHa0hE41sY&feature=relmfu


16 de fevereiro de 2012

Jornalismo cíclico (Parte 2)


Desde a última edição do jornalismo cíclico, tudo que ia acontecer aconteceu. E mais um pouco. Às vésperas do carnaval, a escassez de pautas dá as caras novamente e o que se vê em jornais, TVs e internet são apenas (poucas) variações de um mesmo tema. Para quem vai viajar – ou ficar inconsciente – nos próximos dias, mas quer se manter informado, algumas matérias que poderão ser vistas até quinta-feira já estão abaixo. Se alguém ficar isolado de informações e parar de ler este post aqui, também não terá perdido nada.

17 de fevereiro
São Paulo em véspera de feriado
- Trânsito recorde do ano na saída do paulistano para o feriado, no final da tarde. É o primeiro feriado prolongado, efetivamente, de 2012. Para quem não viu televisão antes de um feriado prolongado nos últimos 17 anos, atenção: Recomenda-se fazer uma revisão no carro antes de “cair na estrada com a família, para a diversão não virar dor de cabeça”. Um pequeno detalhe é que a “dica” da revisão só é noticiada no último dia antes do feriado, quando até os mecânicos já devem ter encerrado o expediente. Outras recomendações inéditas que o jornalista pedirá para que os policiais rodoviários deem: Diminua a velocidade se a estrada estiver molhada, se beber, não dirija, e não ultrapasse pelo acostamento.
- Os preparativos para o primeiro dia de desfile das escolas de samba de São Paulo.
- Viagem: Saiba quais são os seus direitos se a casa que você alugou na praia é um terreno baldio, se a sua bagagem foi extraviada, etc.
- Saúde: Dicas para se alimentar de algo diferente de miojo na casa alugada com mais 27 amigos, beba muita água, tome cuidado com o sol e use camisinha.

18 de fevereiro
- Alôôô bateriiiiiiiia. A hora é ééééééssa!
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Vai-Vai e Mancha Verde conquistam público no Sambódromo (Explicação: São as escolas que têm mais “torcedores” entre os presentes no Anhembi)
- Compilação de acidentes nas estradas na ida para o feriado. A operação descida no sistema Anchieta-Imigrantes continua e o número de carros imóveis na estrada também.
- O futebol sempre reserva pautas inovadoras. Principalmente para o repórter revolucionário que não viu as matérias feitas há um ano, no mesmo feriado. A rodada dos campeonatos estaduais, antecipada pela data de vadiagem oficializada, terá textos surpreendentes. Exemplos: “A comissão de frente do Itapipoca de Santa Gertrudes mostrou samba no pé nos 4 a 1 sobre o ....”, “O Atletiquense venceu a 4ª seguida e segue nota 10 no quesito evolução”, “Joãozinho Gaúcho e Joãozinho Paraense mostraram entrosamento em uma tabelinha a la mestre-sala e porta-bandeira e levantaram a torcida na passarela do futebol”, “O Operariano apresentou seu abre-alas logo aos 3 minutos de desfile, em lance pela direita. A comemoração de Joãozinho Baiano contou até com paradinha e coreografia da alas dos baianos”, “O Nacional Mineiro atravessou o samba e é o primeiro rebaixado para o grupo de acesso em 2013”.
- Maria Joana da Silva é flagrada no camarote de cerveja (isenção para propaganda). O “______  ______ é flagrado em camarote” é a versão carnavalesca do “______  _______ corre na orla e exibe boa forma de biquíni”.

Jennifer Lopez é flagrada em camarote da Brahma = Brahma paga R$ 2 milhões
para Jennifer Lopez vir ao Brasil e ficar uns minutos no camarote

19 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Gaviões encerra desfile aos gritos de “É campeã!”.
- Quantos mijões foram detidos nas ruas do Rio de Janeiro.
- Algum acidente com trio elétrico no Rio de Janeiro ou no nordeste.
- Carnaval de Olinda, Recife e Salvador na Band, nos próximos 3 dias. Pausa para uma tese sobre nada. Esse tipo de transmissão,  seja com o Leão Lobo ou com a Adriane Galisteu, é o ápice para que o telespectador (se alguém estiver assistindo) se questione: Por que eu ainda não me matei? E não se trata de gosto. Se você gosta de ficar em casa, dormindo o dia inteiro, com preguiça de levantar para pegar o controle e odeia as músicas de carnaval, ver um trio elétrico tocando ininterruptamente, cercado por milhares de foliões (palavra usada exaustivamente nessas “coberturas jornalísticas”) bêbados e se pegando, é motivo para suicídio. Se você gosta de ficar espremido(a), suado(a), em meio a pessoas bêbadas e está lamentando não ter comprado o abadá do Asa pra pegar geral, ver um trio elétrico tocando ininterruptamente, cercado por milhares de pessoas bêbadas e se pegando, vai te deixar com mais raiva por não estar lá. E isso é motivo para suicídio. De qualquer jeito, não há como se dar bem assistindo ao carnaval de rua da Band. ATENÇÃO, este blog não incentiva o suicídio e utilizou a palavra duas vezes de maneira hiperbólica.
- Alguém é flagrado em algum camarote.

20 de fevereiro
Bombom e Viviane Araújo: Vote e escolha a musa do carnaval
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Beija-Flor e Portela levantam a Sapucaí.
- As músicas que não saem da cabeça dos foliões / entrevista com os cantores.
- Entrevista com o gringo que adorou o turismo sexual a caipirinha, aprendeu a falar as palavras “oi”, “samba” e “mulata” e promete voltar no próximo ano.
- Saúde: Pautas sobre doenças transmitidas pelo beijo, o calçado adequado para “aguentar as horas de folia”, como curar a ressaca, etc.
- Alguém é flagrado em algum camarote. Se for beijando alguém casado(a) ou que tem namorado(a) rende mais cliques.

21 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”.
- Mangueira e Salgueiro levantam a Sapucaí.
- Apuração das escolas de samba de São Paulo terá briga entre corintianos, palmeirense e são-paulinos, “torcedores”, respectivamente, de Gaviões da Fiel, Mancha Verde e Dragões da Real. Se não no Sambódromo, em alguma estação de metrô. Gaviões, com samba-enredo sobre Lula, será campeã. Se atrasar ou algum carro quebrar, a campeã é a Vai-Vai, “levando mais um título do carnaval de São Paulo para o querido e tradicional bairro do Bixiga”.
- Alguém é flagrado em algum camarote. Se for um jogador de futebol, dobram os cliques na internet. Se o jogador for o Neymar ou o Adriano, octuplicam os cliques. Entre as mulheres, aquelas que já fizeram dezenas de capas de Playboy / Sexy aparecem em trajes minúsculos. Se o título da “matéria” ainda tiver um “paga peitinho”, você vai clicar, mesmo sabendo que todas já mostraram muito mais em outros carnavais, em outras publicações, em outras páginas...

22 de fevereiro
- Galeria de musas em desfiles ou blocos de rua. Para o leitor se sentir incluído, “vote na sua preferida”. Próximo ao “final” do evento, a pauta pode ser substituída por “Confira o look das famosas que arrasaram no carnaval”. Resume-se a galeria + legenda, agregando fotos do dia 17 ao 21.
Sabrina Sato e Ellen Roche foram destaques na passarela do samba.
Confira a galeria com os looks das famosas e escolha a musa do carnaval
- Apuração das escolas de samba do Rio de Janeiro. Algumas agremiações cantaram a Amazônia, outras o nordeste, outras Machado de Assis, outras a chegada dos portugueses ao Brasil e outras homenagearam personalidades históricas dentro da própria escola. Com qualquer tema, a campeã é a Beija-Flor. Após alguns dias, o público digeriu as lições sobre os desfiles e virou expert em alegoria, evolução, mestre-sala e porta-bandeira. A apuração pode até se aproximar do fanatismo em um jogo de futebol. Outros 2 erros por excesso de confiança do folião de ocasião são: (1) Achar que rainha e madrinha de bateria são diferentes e (2) garantir que sabe a diferença. Na semana seguinte ninguém lembra que isso existe, as pautas são outras, a economia do país retomando o ritmo, os políticos voltando do recesso de fim de ano...

23 de fevereiro
- O saldo de mortes no feriado anterior. OBRIGATÓRIO comparar com os números do feriado anterior – o reveióm – e com o carnaval de 2011.
- Os foliões que se negam a deixar a folia. Algumas aspas de entrevistados: “A gente vai até domingo!”, “já vou procurar o pacote pra comprar e voltar no ano que vem”, “Muito bom... (o repórter continua com o microfone apontado, esperando outras palavras e o entrevistado não tem nada a falar. Aí conclui, 5 segundos depois)... muito bom mesmo!”.
A próxima pauta
- Passado o carnaval, é hora de fazer pauta no comércio com a próxima data apelativa: “Os mercados já estão assim (aponta o dedo para cima e a câmera inclina): cheios de ovos de Páscoa”. Entrevistas com mães dizendo que os ovos estão caros, mas, para agradar os filhos, em data que só tem uma vez por ano, vale tudo. Os filhos também são entrevistados: “Você gosta de chocolate? Gosto”. Pelo lado comercial, incluir um economista na reportagem para falar que os ovos estão 142% mais caros que no ano anterior e que mesmo se o aumento fosse de 857%, as vendas seriam as mesmas.

Derrapada
“Todo carnaval tem seu fim”, diz o poeta, e ele sempre vem entoado pelo Ricardo Chaves no célebre refrão: “Acabo-o-uô-o, aacaabô!”. Mas, fato é, que a saideira cada vez demora mais para chegar. Todo ano, os compositores reservam o ápice de criatividade para o carnaval e tomam as ruas de Rio de Janeiro, Salvador, Olinda, Recife, Ouro Preto e as rádios do resto do país. Depois, somem por 11 meses e retornam no carnaval seguinte. Por enquanto...

“Me agarra”, “me beija”, “me pega”, “vou te pegar”, “a dança do verão”, “tá calor”, “a galera sai do chão”, “o bloco vai passar” são alguns exemplos, para não entrar no campo das onomatopéias e dos duplos sentidos, mais óbvios que a campeã do carnaval carioca. Se falam que o Brasil só começa a trabalhar depois do carnaval, pelo menos algumas pessoas têm que trabalhar antes – ou durante –, lucrando com suas indispensáveis criações musicais. Mas alguém espera não ouvir os clássicos (e os quase clássicos) desprovidos de sentido, em qualquer carnaval?

Vou te comer(x37), o reboleixon-xon(x53), bom-xibom-xibombombom(x67)... E porque não o praieiro-guerreiro-solteiro, o Nero e a dança da manivela, andou na prancha, cuidado com o tubarão, o Araketu que deixa todo mundo pulando que nem pipoca, olha(x23) água mineral(x3), o cara que bate na mulher feito maionese(WTF?), o piu piô pirulitô(x9), a Miiiiiila, a dança que é uma bomba, é o bicho(x2) vou te devorar? Alguém tem a ilusão de que vai escapar dessas? Nada escapa da matemática simples: a cada ano, surgem novas criaturas musicais e NENHUMA música dos anos anteriores entra em extinção. Logo, chegará o tempo que não haverá tempo para reproduzir todos os minutos de deleite sonoro aos foliões. Ah, os foliões... E a tortura terá duração ininterrupta de 365 dias.

Enquanto o fim não chega, restam os anos bissextos e os clássicos sambas-enredos que merecem estar na lembrança.



1 de janeiro de 2012

Jornalismo cíclico


“Furacões, terremotos, tsunamis, enchentes, secas. A natureza mostrou sua força de diversas maneiras em XXXX. Um alerta (ênfase aqui) para a humanidade?” As frases com certeza estiveram em algum bloco das retrospectivas de dias atrás e vão estar em todos os outros anos. É só trocar o X pelo número correspondente.

É uma parte importante das famosas “30 pautas do jornalismo”, que alguém, algum dia, já disse em algum lugar. O número, por si, é limitador. Assim como este Blog não traz novidades, 90% (ou mais) das notícias do ano também não. Então, neste 1º de janeiro de 2012, é dia de começar a montar a retrospectiva do ano. Seguem as pautas da semana.

1º de janeiro
- Como foi a virada do ano em diferentes países, começando por Nova Zelândia, passando por Austrália, Japão, China, Índia, Israel, Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido, até chegar nos Estados Unidos e no Brasil. Nacionalmente, mostrar a queima de fogos de Copacabana, Avenida Paulista, Florianópolis e Salvador. Nesses locais, é importante que a matéria tenha casais ou mães/pais com os filhos desejando um feliz ano novo.
- Logo após a pauta anterior, é hora de mostrar gente atingida por fogos de artifício nas praias do Brasil. Depois, matéria com profissionais que passam o reveióm trabalhando.
- Líderes políticos desejando feliz ano novo em algum discurso.
- Primeiro bebê a nascer no ano.
- Fiéis no Oriente Médio, muro das lamentações, etc.
- A volta do feriado nas estradas do país (Pode ser adiada para o dia 2 se o primeiro dia do ano cair na sexta-feira ou sábado).
- Melhor brasileiro na São Silvestre, vencida por um queniano ou etíope.
- Como aproveitar as comidas que sobraram do reveióm.
- O(s) estado(s) do(s) vencedor(es) da Mega Sena da Virada (importante saber se Rondônia tem um novo milionário, e Amapá não)
OBS.: Se for ano pós-eleição, longas e exaustivas matérias da tomada de posse.

02 de janeiro
Dois clássicos do começo do ano:
Acidente em estrada...
- O saldo das mortes nas estradas no feriado. OBRIGATÓRIO comparar com os números do ano anterior e com os do último feriado prolongado.
- A clássica: “Muitos ainda comemoram o ano novo e o brasileiro não começou a trabalhar”. Quanto cada um vai gastar logo no primeiro mês e até o carnaval, com IPVA, IPTU, etc.
- Nada acontece no futebol. Logo, especular contratações, lembrando o sucesso/fracasso de cada time no ano anterior e posições mais carentes do time. Em Minas Gerais, pauta sobre o aniversário do Cruzeiro, fundado em 1921.
- Ainda dá tempo? Como perder os quilos que ganhou nas festas de fim de ano para o verão.
- Como se planejar e cumprir as promessas que fez para o ano novo.
- Enchentes no sudeste.

03 de janeiro
... e enchentes, de preferência em pequenas cidades do interior
(sim, existem grandes cidades no interior)
- Enchentes em São Paulo.
- Enchentes no interior de São Paulo. “Alguma cidade desconhecida foi completamente destruída pela chuva”.
- Enchentes no Rio de Janeiro.
- Enchentes em Minas Gerais.
- Enchentes em mais algumas cidades em outros estados.
Nos textos das pautas anteriores, alternar as frases. “A força das águas arrastou tudo que encontrava pela frente”. “Em apenas 15 segundos, choveu o esperado para 239 dias”. “Esta família perdeu tudo e teve que ser resgatada de helicóptero”. “Foi a chuva mais forte da região em 1.466 anos”. “A chuva destruiu parte da estrada e a cidade ficou isolada”.
- Mostrar desmoronamento e mortes por soterramento.

04 de janeiro
- Manifestações em virtude do aumento da passagem de ônibus e/ou metrô em alguma capital.
- Conflitos no Oriente Médio.
- Copa São Paulo de Futebol Junior. “Centenas de meninos tentam a sorte no torneio, mas só alguns vão se destacar”. Sonho de jovem de cidadezinha do interior, de 37 habitantes, em ser profissional e dar futuro melhor à família (mais de 9 minutos de matéria).
Depoimento de jovens que são fãs do Ronaldo e querem um dia ser como ele.
- A primeira morte da edição do Rally Dakar
- Dia Mundial do Braille (se alguma pauta cair).
- (Se outra pauta cair e for um ano terminado em 3) Nascimento de Isaac Newton, em 1643.

05 de janeiro
- Enchentes em todo o país.
- Conflitos no Oriente Médio.
- A economia e o comércio começam (começam!) a funcionar e fazem as contas para recuperar o que perderam ($) nos dias de recesso.
- FÉRIAS: como distrair os filhos em casa.
Mostrar pais brincando com filhos E sobrinhos que vão na casa brincar junto.
Mostrar que irmãos sempre brigam quando ficam muito tempo juntos.
Mostrar pais que têm que deixar filhos com babás.
Dar dicas de brincadeiras para fazer com os filhos.
Encerrar matéria com: “Os pais ficam cansados, mas essa turminha tem energia de sobra”.

06 de janeiro
- Conflitos no Oriente Médio.
- Resumo das enchentes da primeira semana.
Número de mortos.
Medidas que os prefeitos anunciaram depois da primeira enchente (como se antes não desse para ter feito nada).
Cidades mais atingidas.
Quanto choveu.
- Contraste: Seca no nordeste ou tempestades de neve no hemisfério norte.
- A primeira rodada da Copa São Paulo de Futebol Junior, com goleadas dos times “grandes”, gols mais rápidos, nomes esdrúxulos, etc.
- Pautas acabando. Apelar para “dia de reis” ou “atrações internacionais que devem desembarcar no Brasil neste ano”(pauta válida pra qualquer dia de janeiro).

Na verdade (entende-se que tudo apresentado até aqui tenha sido mentira), as únicas exceções da semana serão mortes de famosos estrangeiros ou, na escassez de pautas, nascimento de filhos de famosos.

Faltou alguma pauta? Comente AÍ.

Depois da curva: Feliz ano novo. Que este seja o último.