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11 de fevereiro de 2013

Evoluindo em harmonia sem atravessar o samba

O carnaval em curso e eu percebo que perdi toda a originalidade esportiva que deve estar por aí com "Defesa do Santos atravessa o samba", "Comissão de frente nota 10 do Paulista", "Palmeiras peca em evolução, mas nega queda: Grupo de acesso é pra conjunto pequeno", "Forlán é destaque do abre alas e deixa a mocidade alegre no Acadêmicos do Beira-Rio", "Em tom maior, Tite esbraveja após empate e garante que ataque com pato vai vai dar samba", etc, etc. Ficou tudo pra 2014.

Apesar dos pesares, lembro um texto do produtivo período da festa popular brasileira de 2012, também conhecido como marketing pessoal, e vejo que está tudo em harmonia no jornalismo enquanto atividade de apuração. As (pseudo/semi/sub) celebridades e os sambas-enredo mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão. O que aconteceu continua acontecendo e ainda vai acontecer de novo. Me perdi nos tempos verbais, mas, desta vez, o principal e o resumo sambam no mesmo tom, embalados pela bateria e dignos de uma embolada entre mestre sala e porta bandeira.

Depois da curva
Post de 2 parágrafos. Estou a caminho da mercantilização de ideias e comercialização do espaço digital a nível de blog. Aceito propostas de possíveis patrocinadores. Tratar com a minha assessoria.

Alguma musa de alguma escola em algum desfile
para render mais cliques e atrair parceiros financiadores

3 de março de 2012

Tá na cara...

Reprodução UOL

... que um cidadão que escreve um título desse não está preocupado em criar um post sensato. Porque no post não são raras as bobagens, que se transformam em comentários exaltados, que se transformam em grande número de comentários na reunião de negociação de anunciante / renovação de blogueiro.

Mas no título...  é só trocar comentários por cliques nas linhas acima. A velha máxima internetesca do falem-bem-falem-mal-mas-falem-de-mim. Um clique revoltado vale o mesmo que um clique interessado em ler o post, ou um que queira dar risada das babaquices que imagina que o mesmo contenha. No fim, números.

Alguém pode achar que “provocar” as 3 maiores torcidas de São Paulo e a maior do Rio de Janeiro não passa de coincidência. Hum... Se o título tivesse, por exemplo, “Palmeiras (ou São Paulo, ou Flamengo) tem jogo perigoso no final de semana”, as visitas seriam as mesmas?

Números, números... Talvez eu devesse aderir. Principalmente sobre futebol.

4 de janeiro de 2012

RT se curtir


É sempre bom começar um post com uma referência (tese do autor) porque quem não gostar (da referência), se, por acaso, começou a ler, já pode parar e voltar a revolução de xingar muito no Twitter. A deste post é Seinfeld.

No episódio duplo final da 4ª temporada (The Pilot), Jerry e George criam o piloto de um seriado sobre nada e tentam vendê-lo à NBC. Em outras linhas, o diálogo entre o presidente da emissora e George foi o seguinte:
- Por que alguém vai assistir a um programa sobre nada?
- Porque está na televisão!
- Ainda não.

O presidente ainda não tinha “comprado” a idéia (o Word tem até dezembro pra parar de acentuar palavras que deveriam ter acento, mas alguém conseguiu vender a idéia – de novo – de que as mudanças eram necessárias...).
Vendendo o peixe: Russell Dalrymple não deu RT nem curtiu
Enquanto a curva por dentro iria pelo caminho idealista-sonhador-anti-capitalista de que a internet abriu as portas para que todos produzissem conteúdo, sem o “sensor”-patrão-dono-de-um-veículo-de-comunicação, a curva por fora faz o caminho mais longo (... ... ...).

O filtro de um superior obrigava os donos do projeto (ah, os projetos... Palavra quase tão vaga quanto bacana) a trabalharem à exaustão em cima da ideia, para que ela provasse ser merecedora de uma chance em um veículo. Um “não” significaria que ela não era boa o bastante, que precisaria ter modificações, ou simplesmente que não era de interesse da emissora no momento. E os blogs?

Ah, os blogs estão AÍ. Criando escritores profissionais. Reproduzindo textos. Repetindo o óbvio. Fingindo que saem do óbvio. Abrindo mentes. Fechando nichos. Servindo de diário. De psicólogo. Dando voz. E ouvidos?

Se ninguém aprovou o projeto, alguém precisa aprová-lo depois de colocado em prática. E nessa prática, só mudou a hora que o sensor atua. Divulgar entre amigos (assunto pra outro post) pode dar page views. Dezenas de comentários (outro assunto para outro post) podem dar repercussão. Mesmo se 99% deles forem negativos, o importante é repercutir – falem bem, falem mal, blá. O jeito é apelar para profissionais de comunicação nas mídias sociais. Aqueles que, antes de um blog, têm um trabalho. Por isso, nas redes sociais, têm público. É aí que entra o RT se curtir. Pensada ou não, uma expressão que contempla simultaneamente o Twitter e o Facebook. A ruim e velha necessidade de atenção também na web 3.0. A mendigagem virtual.

Imagino como funcionava o RT se curtir antes da internet. Caneta e papel, um texto nas mãos. A pessoa devia ir até a porta de jornais ou editoras para deixar sua obra-de-arte.
- Me avisa se gostar.
Na semana seguinte, outra obra-prima.
- Publica se gostar.
Na semana seguinte, o gran finale.
- Me contrata se gostar.

Depois da curva
- Você faz um blog para escrever o que quiser. Supõe-se que ninguém colocou pensamentos semelhantes aos seus disponíveis ao deleite do público, por isso, você PRECISA escrevê-los. Para chegar ao público, você recorre a um “comunicador”que atinge mais gente. Essa pessoa certamente tem um blog. Se ela não curtir, não vai dar RT. Se curtir, é porque tem um pensamento semelhante ao seu. Logo, já escreveu sobre no próprio blog. Sem RT.

- Você faz um blog porque tudo na “mídia oficial” passa por censura de algum editor. Aí seu pensamento livre, para chegar ao público, passa pelo crivo de algum comunicador da “mídia oficial”. É, em algum lugar deve fazer sentido.

31 de dezembro de 2011

Ano novo


Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos. Pular umas ondas, arremessar uns matos, vestir-se de doutor à espera da zero hora. Um pouco – ou muito – depois disso, dormir. Muito depois desse segundo disso, acordar de ressaca, de bebida ou de comida. Quase três terços do primeiro dia do ano já foram, na cama, no sofá, na TV, na mesa, no copo. O ano que vai ser O ano, que vai ser diferente. Pelo menos esse é (era?) o plano. A menos, um dia.

Emagrecer, viajar, subir de cargo no trabalho, fazer atividades físicas, manter um blog. A última, uma nobre meta para ser cumprida a posts curtos, sem que a tendinite fique maior que o mouse. E, por que não, engordar, ficar em casa, manter o cargo em que se está satisfeito e que proporciona uma vida vivível financeiramente? Porque pega mal. Dizem que é preciso ter objetivos, sonhos, plano de carreira. Senão não faz sentido viver. Um dia ainda provo... não, eu não consigo nem manter um blog. Um dia ainda provam que não faz sentido. A parte de viver, não a de não ser preciso objetivo, sonho, etc.

Se eu não relesse (palavra para ser incorporada ao cotidiano) o parágrafo acima, faria sentido. Como reli, percebi que não tem sentido algum. Mais uma meta para o blog: escrever de maneira incompreensível. Pega bem. Dizem que o fulano escreve bem, são textos com conteúdo. “Mas não me peça pra explicar o que está escrito. É difícil explicar, com palavras, o que ele quis dizer (com as palavras que usou)”.

Quando o post está quase virando um diário (dia-rio? Ih, olha o dia indo embora...) de terceira série – agora é ano, né? Ih, olha o ano seguindo o dia... – é hora de começar a encerrá-lo. Mas não antes de contar o que você pode esperar desse Blog. E você (acho que já – ou ainda? – estou falando sozinho) já esperou três parágrafos sobre nada pra tentar saber. Então saiba: é sobre tudo. Tudo que você já leu em sites, tudo que já foi retuitado, tudo que já foi compartilhado, tudo que já foi blogado e, acima de tudo, tudo que o dono do Blog quiser.

BOMBA: Pela primeira vez neste ano, o reveióm começou na Oceania
Análise de notícias bombásticas, que mudam sua vida ou só mudam o mundo, análises de notícias que vão estar no jornal amanhã (ou até mesmo ano que vem, ao lado do horóscopo te incentivando a estabelecer metas para os próximos trezentos e sessenta e alguns dias), textos sobre nada, textos para falar bem de alguma marca e, quem sabe, arrumar um patrocínio pra continuar falando bem (é assim que os precursores / criadores dessa “profissão” fazem?). Só não vão ter acessos, explicações de ironias, justificativas para a escolha dos assuntos dos posts, satisfação a alguém que distorcer o que está escrito (os chamados semianalfabetos funcionais). Então, comente AÍ.

- Na verdade (entende-se que tudo apresentado até aqui tenha sido mentira), tudo que não vai ter no Blog é criatividade. Terão, basicamente, as famosas “releituras”, com referências, principalmente, a gênios do humor e filósofos do cotidiano. Sim, outros milhares de blogs já têm isso. E você continua perdendo tempo em alguns deles. Fique à vontade para perder por aqui também. Quem sabe sua perda de tempo não gera um ganho ($) ao Blog depois de algum tempo... A lógica é semelhante à da televisão, mas isso é assunto para outro post. “Isso é assunto para outro post” também deve ser adotado. Lembra episódio que você assiste esperando um fim, porque sabe que o próximo programa tem que entrar na grade da emissora, aí avisam que tem segunda parte no dia (ou semana) seguinte. E no dia seguinte, os planos para o ano precisam começar a sair da teoria e a entrar na prática.

Outras verdades
“Na prática, a teoria é outra”, dizia o filósofo profexô de futebol. Espero que, na prática, manter o Blog seja um pouco menos chato que na teoria. Se passar de sete dias, já quebrei o recorde anterior e cumpri a meta para o ano.

“Isso é assunto para outro post”. Se o assunto nunca mais aparecer no Blog, ninguém vai lembrar. É como quando o professor (ou o aluno apresentando seminário) garante: o Fulano vai falar sobre isso mais pra frente nesta aula.