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4 de maio de 2013

O pelotão pede passagem. Ah, Itália...


Começa hoje a sequência dos Grand Tours, as provas mais importantes da cada temporada. Giro d”Italia (04-26 de maio), Tour de France (29 de junho-21 de julho) e Vuelta a España (24 de agosto-15 de setembro). Sequência, sim, porque um mês de descanso entre o término de um e o início de outro é tempo pra qualquer EPO ser requisitado para quem sonhar em competir nos 3. Nos últimos 20 anos, somente 13 ciclistas completaram as 3 competições em um mesmo ano. Pensar em ganhar, então...

Os mais sensatos – ou menos insanos – se contentam com a tentativa de uma “dobradinha”. O último a fazê-lo foi o espanhol Alberto Contador, em 2008, mas tendo “pulado” o Tour. A última conquista dupla em seguida data de 1998, com “o pirata” Marco Pantani vencendo Giro e Tour. Se sua trágica morte deixou o domínio do esporte para Lance Armstrong, a não menos trágica “morte” do estadunidense deixa o ciclismo para...

Gesink, Basso (desistiu anteontem), Wiggins, Hesjedal (atual campeão), Nibali, Sanchez e Evans

A montagem acima traz os principais candidatos ao título do Giro, com o atual campeão ao centro. Contador e Chris Froome não estarão, logo, as atenções recaem, principalmente, sobre Bradley Wiggins e, na sequência, a Ryder Hesjedal e Vincenzo Nibali.

Na subida
As podium girls já estão prontas
Depois de uma temporada fora de série, vencendo qualquer troféu-imprensa de TV, rádio, internet, revista e jornal de “melhor atleta do ano no Reino Unido”, Wiggins assume o risco de tentar vencer Giro e Tour e, ao não priorizar um deles, fracassar em ambos. Se a 100ª edição da prova mais tradicional do ciclismo colocou mais escaladas, o atual campeão viu o caminho para o bi ficar mais tortuoso (ah, os trocadilhos com estradas, percursos, altimetria, etc).

Mais interessante que seu próprio desempenho é a novela sobre quem manda na Sky Pro Cycling e deve ser O cara pra ganhar o Tour. Geraint Thomas, companheiro de equipe de Wiggins e Froome, já adiantou à BBC que "We don't want it to go down the football route and it become a soap opera but I think the odd story like this is good", que é só a equipe falar quem ele deve ajudar e se tiverem 2 da equipe no pódio, como em 2012, está tudo certo. Wiggins diz que não está definido e garante que pode ganhar os dois. Froome declara que já decidiram: ele vai ser o britânico da vez na prova francesa.

Como quem não quer nada – além de jogar lenha na fogueira – Contador já diz desde o ano passado que Froome, vice-campeão do Tour, tem condições de vestir a camiseta amarela. Algo como “não sei como esse cara se sujeita a ser o coadjuvante se pode ser o protagonista”, obviamente em uma tentativa de semear a discórdia dentro da própria equipe – coisa que ele viveu tão de perto na Astana, sua antiga equipe.

Voltando a quem está no Giro, Nibali aparece não só como o favorito da torcida, mas também no provável grande rival da forte Sky. Além de bater Froome na Tirreno-Adriatico, em uma disputa que parecia perdida até uma estranha penúltima etapa, o italiano ainda ganhou o Giro del Trentino. Suas fichas estão apostadas nas montanhas.

Hesjedal não ganhou nada em 2013, mas, como o ciclismo é primordialmente um esporte de equipes, colaborou com a conquista de Daniel Martin na Volta a Catalunya, que usou como preparação para o Giro, seu grande foco na temporada. O atual campeão sempre deve ser lembrado nas casas de apostas.

Os demais candidatos da foto acima parecem maiores incógnitas – exceto por Ivan Basso, campeão em 2006 e 2010, que desistiu da prova anteontem devido a um cisto no períneo (um dos riscos de se ficar muito tempo no selim...). Cadel Evans parece estar indeciso sobre apostar no Giro ou se preparar para o Tour. Samuel Sanchez lidera a Euskaltel-Euskadi e busca... um pódio! Sem nunca ter ganhado um Grand Tour, mas com dois pódios na Espanha e um na França, além de vitórias em etapas, o ciclista das Astúrias volta ao Giro depois de 7 anos e declarou que seu objetivo é alcançar o pódio que falta no currículo. Falta ambição? Robert Gesink, bem, nunca esteve em um pódio e compete no Giro pela primeira vez.

Com a largada em Napoli, a prova já começa em pizza.
E o prefeito chamou Taylor Phinney para o delivery

Depois da curva
O percurso de 3455km em 21 etapas tem 3 time trials e 5 dias com chegada em montanha. O primeiro contrarrelógio, no domingo, é por equipes, e o último, na quinta-feira (dia 23), antecede duas etapas íngremes e escala quase 1000 metros ao longo de 20,6km. É onde o Giro deve ser decidido, para cumprir tabela no domingo.

As etapas de montanha estão reservadas para os dias 14, 18, 19, 24 e 25. Além das duas últimas, que definirão quem vestirá a maglia rosa,  destaque para o domingo, 19, quando os ciclistas invadirão a França para a escalada do histórico Col du Galibier, encerrando o dia.

Na reta
Entre os brasileiros, Murilo Fischer, da Française des Jeux, e Rafael Andriato, da Vini Fantini, estarão lá. Quem “não estará” no Giro é a Radioshack Leopard. Além da ausência dos irmãos Schleck, Fabian Cancellara pensa no Campeonato Mundial e, para isso, pretende pular o Giro e o Tour e usar a Vuelta como preparação.

As podium girls já estão prontas para as cerimônias de entrega das maglias, o prefeito de Nápoles já chamou Taylor Phinney para o pizza delivery e o Mark Cavendish e o Matthew Goss não estão nem aí para a classificação geral e vão ganhar algumas etapas. Vai começar.

Mark Cavendish e Matthew Goss, rindo à toa: "Vamos ganhar
umas etapas e eles que se matem  nas montanhas"

11 de fevereiro de 2013

Evoluindo em harmonia sem atravessar o samba

O carnaval em curso e eu percebo que perdi toda a originalidade esportiva que deve estar por aí com "Defesa do Santos atravessa o samba", "Comissão de frente nota 10 do Paulista", "Palmeiras peca em evolução, mas nega queda: Grupo de acesso é pra conjunto pequeno", "Forlán é destaque do abre alas e deixa a mocidade alegre no Acadêmicos do Beira-Rio", "Em tom maior, Tite esbraveja após empate e garante que ataque com pato vai vai dar samba", etc, etc. Ficou tudo pra 2014.

Apesar dos pesares, lembro um texto do produtivo período da festa popular brasileira de 2012, também conhecido como marketing pessoal, e vejo que está tudo em harmonia no jornalismo enquanto atividade de apuração. As (pseudo/semi/sub) celebridades e os sambas-enredo mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão. O que aconteceu continua acontecendo e ainda vai acontecer de novo. Me perdi nos tempos verbais, mas, desta vez, o principal e o resumo sambam no mesmo tom, embalados pela bateria e dignos de uma embolada entre mestre sala e porta bandeira.

Depois da curva
Post de 2 parágrafos. Estou a caminho da mercantilização de ideias e comercialização do espaço digital a nível de blog. Aceito propostas de possíveis patrocinadores. Tratar com a minha assessoria.

Alguma musa de alguma escola em algum desfile
para render mais cliques e atrair parceiros financiadores

6 de fevereiro de 2013

Entre títulos e cliques, o principal e o resumo


Alguns títulos vistos pelo território livre digital nas últimas 2 semanas.

Mulher de Luizão dá barraco e apela para ponto fraco para ofender colega de reality show
Namorada de Piqué, Shakira tem alta do hospital quatro dias após parto do primeiro filho
Filha de Cerezo fala em arrependimento após cirurgia e recebe 1ª mensagem de apoio do pai
Em clima de romance, Ronaldo é visto com namorada em restaurante no Rio
Em reality show, mulher diz que faz sexo com Luizão mais de três vezes por semana

Quatro dessas chamadas estavam na editoria de esportes. É difícil imaginar por quê? Ou mais difícil pensar qual não estava?

Lógica simples do batido “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Se celebridade/fofoca/barraco/“flagra” dá audiência (lembrando que um clique para reclamar/xingar/espernear, no fim das contas, ainda é um clique), que seja. A coisa mais importante dentre as menos importantes ataca para todos os lados e, para quem só conseguiu pensar na segunda questão, parece já ter vencido a guerra. E o principal fica fora do resumo, como diria o poeta.

Depois da curva
Quem clica (= audiência) perde muito do direito de reclamar das matérias que habitam cada vez mais o jornalismo.

4 de fevereiro de 2013

Domingo eu quero ver


Você liga a televisão no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo. É no Brasil. Tem brasileiro competindo! Deve valer alguma coisa.

Você assiste e até acha interessante. É bom ver um esporte diferente de vez em quando e não tem nada melhor nos outros canais mesmo. Você torce, afinal, tem brasileiro, p#**@! Você acha que o cara tá certo em sair correndo e deixar todo mundo pra trás quando ainda faltam mais de 20 km. Você fica nervoso quando o pelotão (depois de alguns minutos você já é especialista e aprendeu os termos do esporte em animadas animações da emissora) alcança a fuga restando apenas 1 km e xinga o cara que não teve perna e deixou todo mundo chegar. Mas você se irrita mesmo na chegada, quando 90 brasileiros perdem para um dos 9 argentinos que estavam na disputa. “Argentino de m&*#@! Vem aqui no Brasil e ainda ganha da gente (você estava na competição!). Por isso que isso aí não vai pra frente!”.

Por mais algumas horas – mais precisamente até 16h – você ainda fica indignado e comenta com amigos e/ou parentes que te ligam/encontram na rua: “Cê viu aqueles brasilêro na bicicleta? Nem pra ganhá dos argentino! Perdi 1 hora vendo aquilo lá”, lembra, arrependido, antes de ligar a televisão de novo e perder mais 2.

Você entra na internet no domingo de manhã e, por acaso, encontra uma competição de ciclismo. É ao vivo (os streams de hoje em dia fazem milagre e você vai parar na Al Jazeera Sport Global). É no Oriente Médio. Deve valer alguma coisa! E tem brasileiro competindo.

Você assiste e acha interessante. “Mas eles vão correr no meio da areia? O Rio de Janeiro é mais bonito”. Nem dá pra identificar o solitário brasileiro em meio a quase 150 ciclistas. Você não torce. Assiste. Britânico, norueguês, italiano, suíço. A transmissão destaca os favoritos. “Tem gente do mundo inteiro e o tal brasileiro nem estava no Rio de Janeiro competindo”, questiona. Sim, é apenas mais um no pelotão, correndo por uma das maiores equipes do mundo, contra os principais adversários que ele pode ter na sua área, o ciclismo de estrada. Ele não aparece – e se aparecesse não estaria cumprindo sua função na equipe direito.

Outros 3 aparecem. Uma fuga restando 15 km. Por quase 20 minutos, a etapa é deles. Você escolhe um para torcer. Depois de alguns minutos até esquece o brasileiro. “É, o deserto nem é uma paisagem tão feia assim”. E ninguém foi até lá pela paisagem (pelos dólares petrolíferos talvez). O terceiro não aguenta o ritmo e o sprint final é disputado por dois competidores. A etapa chega ao fim e, para o seu desespero, o vencedor não foi o vencedor. “Eles fazem isso de domingo porque é pra acabar no domingo, p#**@!”. Ainda vão pedalar 587 km nos próximos 5 dias. “E quem ganhou? Um americano? Ah, deve ser da turma daquele drogado que deu entrevista, falaram que era importante. Duvido que ele ganha amanhã de novo”, aposta, ainda meio contrariado.


Na reta
O ciclismo foi um exemplo a partir de transmissões que aconteceram no último mês. Poderia ser um futebol de praia ou o famoso desafio internacional de vôlei de praia 4x4 misto Brasil X Estados Unidos. Atrações que são os frutos de parceria com alguma(s) promotora(s) e cobrem a grade enquanto a Fórmula 1 não volta. Alguns desses eventos têm muito pouca importância – sendo generoso – e outros um pouco mais. O skate de ontem, por exemplo, tinha.

Cada um pode entrar na internet pelo celular, sem ao menos se levantar do sofá, para pesquisar se aquele é um “jogo de verão” ou um torneio sancionado internacionalmente, consolidado dentro da modalidade e que atrai os principais nomes do esporte para a TV na manhã de domingo. Ou seja, relevante. Isso, é claro, se o telespectador achar relevante estar informado sobre detalhes assim...


Banca de areia
Um dos grandes pontos positivos da internet é quantidade/variedade/oportunidade seguidas do poder de escolha. Dia desses fui parar em uma transmissão ao vivo de um ITTF na Áustria. Pra quem gosta de acompanhar competições mundialmente importantes, é o lugar certo. Pra quem gosta de torcer por competições bairristicamente importantes, acabou de perder alguns minutos aqui e imagino que não perderá mais tempo nessa perda de tempo, vulgo blog.

Depois da curva
A quem interessar possa, o Tour of Qatar tem mais cinco etapas, terminando sexta-feira, e as transmissões de cada etapa deverão estar disponíveis neste link, por volta de 8h (Brasília). O vencedor da etapa de domingo foi o norte-americano Brent Bookwalker, da BMC Racing Team. Murilo Fischer chegou em 19º, junto com os 40 primeiros do “pelotão”, e leva na camisa o número 43, da Française de Jeux (FDJ).

Há alguns anos como principal nome do Brasil no ciclismo de estrada, o catarinense tem no currículo a conclusão (o que já não é pouco) dos tradicionais Giro d’Italia e Tour de France. Na prova francesa, já chegou em 3º em uma etapa, quando tinha a missão de “lançar” um companheiro de equipe para o sprint e, consequentemente, acabava ficando entre os primeiros.


Fotos: (1) Divulgação, (2) Print screen, (3, 4, 5 e 6) ASO/B. Bade

20 de dezembro de 2012

Retrospectiva do inútil ao desagradável


Ah, o fim de ano. O dia que vira noite às 15h, o motorista que arrisca passar pela água, as pessoas que se protegem como podem no ponto de ônibus, o aeroporto que fica 40 minutos fechado, as árvores centenárias que vão ao chão, as terras que deslizam e bloqueiam rodovias e... as retrospectivas! Somam uns 90% da utilidade jornalística na época.

Por fora da curva, o jeito é pensar na união do inútil ao desagradável. Logo, esporte + redes sociais. Se, por acaso, alguém chegou até este texto, deve estar mais preocupado em conseguir trocar o presente do inimigo secreto, em acionar a salvação divina para o carro inundado, em reclamar da escolha divina da miss universo, em xingar quem está xingando algum time, em saber quando tem o próximo Casados x Solteiros de ex-futebolistas, em discutir se ideia tem acento ou não, etc (esses são os 10% restantes de útil).

Que seja breve. O que teve de importante (pra quem?) em algumas modalidades em um tuíte. A retrospectiva fast-Freud, como diria o poeta. Porque o mundo não espera – mas o fim dele podia pelo menos ser depois do horário marcado no salão de beleza, diria a madame.

Tênis
Federer trezentas e umas. Djokovic 1 de novo. Nadal foi. Murray apareceu. Há relação? Sharapova em RG. Acabaram 2 piadas. 1 GS para Soares

Ciclismo
Wiggins inédito e histórico(2x). Contador voltou. Schlecks querem esquecer. Armstrong foi. Vai mudar algo?

Basquete
LeBron finalmente. Brasil voltou ao que se espera. Acabaram 2 piadas. 3ª idade ainda manda no NBB

Velocidade
Regularidade do Alonso não deu. Regularidade do Lorenzo deu. F-1 em extinção pelo ret$rn$ e pelos pilotos no Brasil. Rossi em 2013(?)

Vôlei
Continua na mesma. Disputa títulos. Se ganha é o melhor do mundo. Se perde é o pior.

Vôlei de praia
Na mesma do vôlei

Natação
Medalhas em Londres dependem do ponto de vista . Valem ouro ou lata. Phelps foi

Atletismo
Nem o vento londrino parou Bolt. As corridas de rua estão dominando as ruas e não precisam do futebol para serem promovidas com sucesso

Boxe
Falcões

Badminton
Teve trambique em Londres. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Canoagem, hipismo, remo, taekwondo e tiro
Não vi e, diferentemente de outros esportes ou de outras pessoas, prefiro não comentar

Desportos na neve e no gelo
Em extinção

Esgrima
Teve polêmica em Londres. Volta às notícias quando alguém morrer

Ginástica artística
Arthur Zanetti

Handebol
Teve trambique na França. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Judô
Sobrevivendo vitoriosamente como poucos esportes no país

Lutas
Não, obrigado

Rugby
Vai ser grande

Vela
Não lembro

Futebol
Ainda prefere discutir se a bola entrou, se foi dentro da área, se estava impedido, se a bola tá muito leve, etc. E a C$pa d$ Mund$ tá aí

Depois da curva
Invariavelmente, o jornalismo cíclico dá as caras nesta época do ano. Como aproveitar as sobras de comida da ceia/reveióm, como distrair os filhos nas férias e outras pautas eternas. O jornalismo podia tirar férias de 15 dias. Mas aí, como também diz o poeta sobre determinadas greves, o perigo é a população perceber que não precisa do serviço prestado pelos grevistas...

Derrapada
O fim do mundo está marcado para o primeiro dia do verão. Atenção ao simbolismo e à conexão entra as duas tragédias.

30 de julho de 2012

Jogando na sombra


Um cara vem andando em sua direção. A velha sensação de “já vi essa pessoa”. Você disfarça, vira pro lado e volta a olhar. Ah, ele joga basquete. Ou jogava? Não é muito novo. Mas é o basquete, parecido com o jornalismo. Os profissionais não se aposentam. Pra conviver com a dúvida por muito tempo. Devia ter feito outra coisa. Se for pra fazer plantão, que seja médico. Se for pra jogar, que seja futebol.

Faz tempo que ele joga. Muito tempo. É, ainda está jogando. Não tem como parar. E há uns 12 anos já era veterano. Lembro que jogava no Rio. Esse cara mesmo, certeza. Ano passado estava em Franca. Cheguei a ver um jogo no ginásio, ele quase parecia novo perto dos outros do time. Mas, se em uma tarde durante a semana está aqui, não está mais lá. Óbvio.

Tem um time que é logo ali na frente, uns 5 quarteirões. Deve estar fazendo tratamento médico, se recuperando de lesão. Nossa, com tanto tempo ainda não desiste. Ou foi contratado e está indo treinar. Mas não está usando um tênis próprio de basquete. Não vai chegar em um carrão? Não está bêbado, virado da noite anterior? Não, treino não é.

Se bem que tem uma mochila, o tênis pode estar lá dentro. Não deve querer gastar na rua, só na quadra, com o piso adequado. O patrocinador devia dar mais pares, mandar testar e analisar as pisadas durante um ano e desenvolver o melhor equipamento, de acordo com cada atleta. Ele é um veterano, pô! Já usam até pele de ornitorrinco pra essas coisas. Não, ele só deve querer treinar e jogar, é o bastante.

Então, pra confirmar, vou perguntar se ele é o novo reforço do time. Mas ninguém está parando ele no meio da rua. Vai ver não querem ser inconvenientes. Também não vou ser. Caras assim não devem gostar de tietagem. Ou gostaria de saber que alguém o reconheceu, que acompanha o seu trabalho? Um dia descubro. Ele está indo trabalhar, imagino que queira chegar na hora.

Sobre as outras coisas, meros detalhes, dá pra descobrir chegando em casa. Clube + nome do jogador + posição que joga deve ser suficiente pra confirmar. Pronto, foi anunciado há umas três semanas pra compor o elenco. Está com 36 anos. Sabia que não era muito novo. Pode se dar bem indo pra um time que chegou a 4 semifinais na última temporada e conquistou 1 título. E deve estar treinando sério pra mostrar disposição. Não como muitos profissionais da áreas com especializações diferentes.

Ah, se não fosse do basquete. Poderia estar em um time de uma quinta divisão estadual, fora dos grandes centros. Se alguém inventasse uma negociação, estaria no primeiro destaque de jornais, revistas, sites, rádios. A famosa “especulação”. Não precisa ser pra um time tradicional. Pode ser de uma terceira divisão estadual, é a “notícia” “boa de vender”. Enquanto não se vende, continua no mercado. Há 36 anos. E se...

Depois da curva
Saiu um formato de texto-clichê que tá na moda, né? O leitor acredita que foi assim mesmo que aconteceu e o autor não parece autor. Parece um cara batendo papo no boteco, contando uma história. É fácil imaginar que se está lendo um pensamento. Mas ainda prefiro pensar que está na moda porque é uma das poucas maneiras que o leitor tem conseguido entender um texto, com frases de 5 palavras, sem que ele precise voltar ao início de uma oração quando chegar ao seu final, como acontece com esta.

Mas, e se foi assim que aconteceu?

21 de maio de 2012

No más


Precisa gringo (tentar) fazer com que a prática jornalística se dê ao respeito.




Os exemplos são recentes. Uma rede de microblog O Twitter informou que o programa dominical “Da idade da pedra ao homem de plástico” continuou a piada e praticamente debochou de Herrera em relação ao ocorrido pós-jogo. Não sei, não vi. Mas não duvido de que o programa futebolístico diário da mesma emissora volte ao assunto logo mais, na hora do almoço. Afinal, (1) não aconteceu nada mais relevante no mundo esportivo no fim de semana e (2) dar o braço a torcer pra quê?

Com Loco Abreu, o repórter estava ouvindo a mensagem que o produtor/diretor/apresentador/narrador lhe passava, e não conversando com a mãe/esposa. Com Barcos, “foi Maikon Leite que mandou te entregar”. Sim, com aspas. E com Herrera, é tradição! Jogadores se matam pra fazer 3 gols domingo. Porque quarta-feira não ganha trilha sonora, então tanto faz marcar 1 ou 6 no meio da semana. Só falta começar a história da alegria, da descontração, da festa típica do povo brasileiro, que o jogador estrangeiro não tem, por isso não entra na brincadeira.

Variações sobre um mesmo tema
Não se trata apenas de sair pela tangente, mas sim de sair por cima. Lembra (um pouco) a resposta em língua brasileira do norte-americano Shamell, questionado pelo repórter em inglês (http://www.youtube.com/watch?v=qdtkwVaL4vE). Essa não está nos padrões atuais do jornalismo-piada, era um trabalho sério, uma pergunta séria pós-jogo. E não teve exaltação ou patada do jogador. Só não teve pesquisa/“estudo” suficiente para cobrir o não-futebol. Mas, se era sério, deveria ter tido. O que realmente lembra é o pós-ocorrido, a volta por cima, mantendo (e renovando) a piada. Outra matéria!

Um bate-papo descontraído entre o repórter e o jogador, agora em bom e claro português, para mostrar que os dois se divertiram com a situação e está tudo bem. Como se o espectador esperasse por um desfecho tal qual ao assistir a uma novela. E como se não tivesse sido um erro. E, ainda, como se pouco importasse o que o cara faz em quadra, como a equipe dele está no campeonato, etc. A relevância (ao menos para o pauteiro/editor) do atleta, da equipe E do esporte que ele pratica está no erro, ou melhor, na piada.

Várias variáveis
Poucas horas depois de Herrera se recusar a ganhar o bônus musical em reconhecimento ao seu feito, o basquete teve mais uma entrevista que lembra (bem pouco) o assunto mais comentado pelos brasileiros em uma rede social 1º lugar do TT BR (nem tem personagem estrangeiro). São José ganhou do Flamengo, “vamos pra quadra com o trabalho de reportagem”! Entrevista jogador, entrevista outro jogador e entrevista mais um jogador. Esse, o armador Fúlvio (quem não o conhece pode dar uma pausa no post para gugar se ele dá entrevista em latim, hebraico ou italiano).

A pergunta, que me pareceu sem ponto interrogação, mais ou menos, foi: “Uma vitória importante, em que São José chegou a tomar sufoco no final, mas fez 2 a 1 na série(?)”. A resposta, mais ou menos: “Eu discordo. Acho que a gente teve o jogo na mão e em nenhum momento deixou ele escapar. A gente abriu 10 pontos no segundo quarto e só relaxamos um pouco no final, aí eles meteram umas bolas de 3, mas a diferença poderia ter sido maior”. Na hora pensei: mais uma patada em repórter (mesmo que o tom de voz tenha sido tranquilo). Minutos depois mudei de ideia. Parece que pelo excesso de “Não, com certeza” e “grazadeus saímu com us 3 ponto” ouvidos em campo, a resposta em quadra foi um ponto fora da curva. Um susto. Mas com educação. Se o repórter tem o direito de fazer uma pergunta incluindo sua visão do jogo, o jogador também o tem. E as visões eram diferentes, só isso. Soa estranho porque foge do senso comum. Talvez o Fúlvio não esteja preocupado se não será mais chamado para participar de programas da emissora. Se não será mais procurado para entrevistas ao vivo pós-jogo. Talvez não tenha um patrocinador/assessor que o aconselhe a ficar o máximo que puder com um fone de ouvido e jogando conversa fora com apresentadores/comentaristas do estúdio porque gera retorno de mídia. Que gera mais patrocínio. Que gera mais entrevista (exposição). Que gera mais patrocínio...

Talvez ele não queira vender a sua imagem, só o seu trabalho. Talvez ele tenha consciência de que em um esporte que não atende pelo nome de futebol é quase impossível vender a imagem e ter contratos de patrocínio. O retorno tende a zero. Talvez seja muito “talvez”. Talvez o post tenha muita bobagem e o interneteiro ficou pelo caminho. Se não, permito-me concluir as bobagens.

Variando
Voltando a uma ramificação do jornalismo-piada, me lembro de uma coletiva do Rio Champions no final de 2011. Guga, Carlos Moyá, Alex Corretja (eles respondem em espanhol, não precisa gugar) à mesa. Pergunta (pedido) para Guga: “Queria que você falasse das qualidades de muso do Moyá”. O brasileiro (1) ouviu errado, (2) fingiu que ouviu errado ou (3) não queria acreditar que tinha ouvido certo. Resposta: “De músico!?”. Repórter: “Não, de MUSO. (Querendo enfiar a cabeça debaixo da cadeira) Me mandaram perguntar isso... tá aqui na pauta...”.

Às vezes o repórter se acha engraçado, quer ser engraçado ou procura uma pauta diferente de “X ganha de Y”, “Juninho diz que vai jogar com raça” ou “O técnico garante força total”. Resta encontrar uma torcedora musa, uma árbitra/bandeirinha musa, uma filha de jogador musa ou até uma gandula musa. A musa que passa a coroa para o próximo ilustre desconhecido que será o novo ídolo do próximo verão, dizia o poeta. “E o principal fica fora do resumo”, dizia outro poeta.

Escrever algo diferente, ainda que seja uma bobagem, gera mais comentário. Fazer um título que deixe uma dúvida no ar gera mais cliques. E mais comentários revoltados por clicarem na matéria pensando que era uma coisa e era outra. Ou não era nada. Não importa, o retorno de audiência é quantitativo. 200 comentários ridicularizando a matéria = 200 comentários. Na TV também. “Muita gente esculachando o repórter que perguntou em inglês? Vamos fazer mais uma matéria sobre o assunto, só que ignorando o assunto, certo?”.

Mas, às vezes, existe a necessidade da piada na pauta, independente do apreço do repórter pela comédia. E quem determina essa obrigatoriedade não é quem vai dar a cara à tapa em uma coletiva ou em um pós-jogo, mas quem fica no ar condicionado contando os cliques, comentários, likes, RT se curtir, etc, etc, etc.

Tempos difíceis esses...

Atualização 11h10
Tive o desprazer da vergonha alheia de ver a matéria dominical graças à indicação de Felipe Priante. Aos interessados http://www.youtube.com/watch?v=7pHa0hE41sY&feature=relmfu


3 de abril de 2012

1/3


Você já caiu nas inéditas piadas de 1º de abril, não ouve a palavra próspero há 3 meses, recebeu feliz ano novo depois do carnaval e este blog continua desatualizado (desatualizado é o melhor termo para substituir ruim. O blog poderia estar atualizado, com produção em série de posts ruins. Eu prefiro deixá-lo desatualizado com posts ruins). Enquanto isso, os estaduais se arrastam, mas você se emociona ao ver os gols de Rio Verde, 2, Itumbiara, 1, em rede nacional, logo depois de descobrir que Roger Federer virá ao Brasil. Roger quem? Exatamente.

Rio Verde já sonha com a classificação no Goianão

Esse cara aí teve uma matéria de quase 10 minutos no Esporte Espetacular do último domingo. De volta ao estúdio, um dos apresentadores disse algo do tipo: é muito especial poder ver um dos maiores atletas de todos os tempos escrevendo a história do esporte. Imagino quantos se perguntaram: “QUEM está vendo um dos maiores atletas...?”. Ou, por que não: “Qual esporte esse cara faz?”. Vida que segue, isso é assunto pra outro post (não esqueci a tática...).

O que aconteceu tenisticamente em 3 meses merece umas linhas. Se a temporada da ATP tem, oficialmente, 10 meses e 1/2 de torneios, o primeiro terço vem com 3 meses e 1/2, daqui duas semanas. Como nos próximos 15 dias acontece um fim de semana de Copa Davis e 2 ATPs 250, prefiro escrever agora a esperar os grandes torneios de Casablanca e Houston, conhecidos como 6º e 7º Grand Slam, respectivamente.

Considerando apenas GS e Masters 1000, esse terço da temporada é o que oferece menos pontos (4 mil, contra 7 mil do meio de abril até o final de julho, e 6 mil de agosto até o meio de novembro, fora 1500 extras do ATP Finals). Porém, o momento é propício pela transição para o saibro depois dos primeiros Masters do ano. E se até Kirilenko e Petrova anteciparam a páscoa é melhor antecipar tudo porque este post já ficou velho enquanto eu escrevia.

Bolinha de sabão
De 4 títulos que tinha para defender, Djokovic teve sucesso em 2 e nos outros 2 parou na semi. Sinal de alerta. Quanto drama. Nesse tempo, 1 vitória contra Nadal, 2 contra Murray, 2 contra Ferrer. Derrotas para Murray e Isner. Se não for desmerecer aqueles que o derrotaram justificando más atuações do número 1 e considerar que o sérvio não é mais o imbatível de 2011, imagina se fosse. Ganhar Miami, sem jogar seu melhor, passando por Baghdatis, Troicki, Gasquet, Ferrer, Monaco e Murray sem perder sets pode servir de alerta aos secadores.

Embalado pelas 17 vitórias de 2011 pós-US Open, o velho Federer iniciou a temporada com gás novo. Mais do que títulos, todo mundo quer acompanhar a (eterna?) busca pela liderança. Doha foi aquecimento (com WO na semi), AO foi a primeira chance de reduzir a diferença significativamente e Copa Davis contra Isner... Títulos seguidos nos 500 de Roterdã, Dubai e Masters de Indian Wells. Até então, destaque para vitória contra Nadal, Murray e 4 contra o freguês Del Potro. Aí chegou Miami. A boa fase credenciava o número 3 a principal favorito(?). Pelos menos no Fantasy, antigo Draw Challenge, do site da ATP, sim. Entre os chutadores, 47,4% apontaram Federer como campeão, contra 24,9% para Djokovic e 19,6% para Nadal. Na chave, o teórico duelo contra o número 1 na semi. Na prática, uma inesperada queda para Roddick na 3ª rodada. Se no jogo Federer pagou pela pressa, convertida em erros não-forçados, por um game ruim de serviço no 3º set e por um norte-americano anormalmente resistente / paciente (no 1º e no 3º sets), no resultado recebeu um balde de água fria na maior pretensão para a temporada. Ou na maior pretensão que os outros acreditam que ele tem...

Serpentina

As linhas sobre Federer vieram antes do Nadal por tomarem os 3 meses como base. No ranking desse período, o suíço é o vice-líder.

Aos secadores, a escassez de títulos de Nadal é motivo de preocupação. Em 2011, foram 3, todos no saibro, o primeiro ano desde 2004 sem troféu em superfícies diferentes. Nas últimas 11 decisões, são 8 vices, 7 para Djokovic. Os números seriam alerta se as quedas fossem precoces, mas, em 4 torneios, Nadal tem 1 vice e 3 semis. O equilíbrio da longa final do AO foi encarado como a descoberta de uma maneira para bater Djokovic. Apesar disso, depois vieram atuações irregulares contra Federer e o vento em IW e Tsonga em Miami e o WO de Miami. Se Nadal ainda não encontrou a forma ideal de combinar seu “antigo jogo” com mais agressividade e tem uma lesão batendo à porta, duas semanas de “descanso” pré-saibro são essenciais. Para aqueles que gostam de ver a temporada europeia de saibro como uma oportunidade de queda do espanhol, por ter muitos pontos a defender, há aqueles para lembrar que, desde sempre, Nadal nunca sentiu a pressão da defesa de pontos, principalmente no saibro. Entre 2005 e 2011, entre Monte Carlo e Roland Garros, foram 5 anos com 4 títulos e 2 anos “fracos” com 3 troféus.

Correndo

Sempre evito escrever sobre Murray, porque... ele é o Murray. Mas já escrevi qualquer coisa sobre o top 3, então vai. Título em Brisbane, exigir tudo de Djokovic no AO e depois derrotá-lo em Dubai trazem uma impressão. Perder em 2 sets para Garcia-Lopez na estreia de IW, outra. Para mim, cabe divagar sobre Murray e Djokovic, que têm 7 dias de diferença de idade.

ATENÇÃO, parágrafo-teoria abaixo sem embasamento científico.
Os dois surgiram para o top 10 entre 2007-2008 e até meados de 2010 foram os eternos 3º e 4º do mundo (a ordem variava). Em alguns torneios, conseguiam incomodar Federer OU Nadal, subiam à vice-liderança e depois voltavam à posição que lhes cabia. Para pôr fim a isso, o sérvio precisou atingir um nível absurdo E contar com ele por alguns meses. Assim, passou a incomodar Federer E Nadal. Acredito que o britânico tem condições de chegar a esse nível – em alguns jogos, mesmo em 2008 ou 2009, até já mostrou para quem não acredita. Os principais problemas passam a ser: manter o jogo elevado por alguns meses E incomodar não só Federer E Nadal, mas, agora, Federer E Nadal E Djokovic. A outra opção, que Djokovic também tinha, seria continuar jogando o jogo, satisfeito como 3º ou 4º da ATP, esperando Federer E Nadal sentirem uma lesão, entrarem em decadência, ficarem velhos, etc.

Procurando
Voltando ao ano de Murray, Miami rendeu bons números, já que ele tinha caído na estreia em 2011. Fora de quadra passou por Raonic e Nadal. Em quadra teve sonolentas e erráticas vitórias contra Simon e Tipsarevic, um 1º set totalmente dominado por Djokovic e um 2º resistente, sofrendo mais com o serviço do que o sérvio, mas forçando o tie-break.

Na reta
- Ferrer: Sem golpes acima da média e aos 30 anos, o espanhol consegue manter atuações que sempre exigem muito do adversário. Em 6 torneios, já são 3 títulos (ATP 500 de Acapulco e ATPs 250 de Auckland e Buenos Aires) e derrotas para Djokovic (2 vezes) e Istomin. Se não bateu jogadores de melhor ranking que o seu, o 5º do mundo vacilou pouco diante de tenistas “menos badalados” na gira latino-americana e em Miami. O tal aproveitar as chances, uma chave aberta, fraca...

- Del Potro: Todos esperavam que o argentino voltasse, aos poucos, aos bons momentos de sua 1ª carreira. Depois de um ano quase completo, o ex-número 4 voltou. Em 2012, tem o título do ATP 250 de Marselha, parou 4 vezes em Federer, 1 em Ferrer e 1 em Baghdatis. Somou, porém, 3 vitórias contra tenistas de ranking superior (Tsonga – 2 vezes – e Berdych). Interessante listar que, na 2ª carreira, Del Potro tem 0-5 contra Federer (todas em quadra dura), 0-3 contra Nadal (dura, saibro e grama) e 1-1 contra Djokovic (vitória na desistência do sérvio na Davis).

- Raonic: Assim como em 2011, o montenegrino-canadense faturou o ATP 250 de San Jose e na semana seguinte foi vice do ATP 500 de Memphis (nos 2 torneios, derrotou os números 89, 35, 94, 61, 70, 68, 51 e 284. O tal aproveitar as chances, uma chave aberta, fraca...). Em janeiro, havia vencido o ATP 250 de Chennai, onde derrotou os então top 10 Almagro e Tipsarevic. Se o jovem de 21 anos já tem 3 títulos na carreira, as lesões não permitiram uma temporada europeia inteira no saibro ou resultados expressivos nos torneios maiores. Em 2011, na terra batida, chegou a derrotar os então top 30 Simon, Llodra e Gulbis, mas depois amargou as estreias dos M1000 de Madri e Roma e RG. Afastado por 3 meses pós Wimbledon, ficou de fora do US Open e quando voltou venceu 5 de 10 jogos. Em 5 chaves principais de GS (talvez muito para sua idade), Raonic passou da 3ª rodada uma vez (talvez pouco pela expectativa que gera no público ao vencer torneios menores). Em 11 chaves de M1000, tem como melhor resultado as oitavas, uma única vez. Curiosamente, na lentidão de Monte Carlo, condição que (teoricamente) não combina com seu jogo.

Depois da curva
E o que esperar do top 4 no saibro pré-RG? Djokovic e Nadal à frente, Federer um pouco por fora e Murray um pouco mais por fora? Os dois primeiros dispensam comentários depois de 2011. Não dá pra esperar que repitam todos os resultados e confrontos que marcaram o ano, mas ainda parecem as apostas mais seguras depois de IW e Miami (lesão à parte). Federer depende de não deixar o melhor reservado apenas pra RG, pensando não só na adaptação ao saibro, mas também em somar pontos. Murray, que ficou de fevereiro a maio sem finais em 2011, tem uma boa oportunidade de embalar depois da boa (e sortuda) campanha de Miami. Se com 2 derrotas em estreias nos EUA em 2011 o britânico foi para os Masters europeus e fez 2 semis e 1 oitavas, chegando com um pouco mais de confiança dá pra pensar mais alto.

Últimas divagações: Djokovic ganhou tudo até RG, e ainda assim quem defende mais pontos antes do GS francês é Nadal. Seguem os pontos do top 4, desconsiderando-se RG.

Nadal: 2700 pontos
Djokovic: 2250 pontos
Murray: 810 pontos
Federer: 630 pontos

Quem mais tem a lucrar, pré-RG, é o suíço, claro. Na prática, uma boa oportunidade de tirar os atuais exatos 900 pontos de diferença para Nadal e a chance de ser o segundo cabeça-de-chave em RG. A possibilidade de enfrentar Nadal ou Djokovic somente na decisão – não que Federer dependa do sorteio para se dar bem em Paris ou que Murray não mereça respeito – deve agradar.

Ainda sobre Federer, o retorno à liderança do ranking parece distante em grande parte pelos resultados em GS. Ironicamente, o que sempre foi o ponto alto de suas temporadas. Nos últimos 8 GS, apenas uma final – chegar pelo menos nas quartas-de-final não é suficiente, para os padrões Federer ou para ser número 1.

Caixa de brita
Indagações deveras intrigantes?
- Se a maioria dos torneios mede a velocidade dos serviços e winners em milhas/hora, por que mostram a distância percorrida pelos tenistas nos pontos em metros, e não em milhas?

- Quanto aquele cara que fica ao lado do gol no campeonato paulista paga pra assistir à partida dali? É promoção de patrocinador?

- Pra onde foi a turma do Twitter que começou o ano contando “Page 1 of 366”? Depois de 31 + 29 ficou difícil somar?

Me ajudem aí a responder. Obrigado.

3 de março de 2012

Tá na cara...

Reprodução UOL

... que um cidadão que escreve um título desse não está preocupado em criar um post sensato. Porque no post não são raras as bobagens, que se transformam em comentários exaltados, que se transformam em grande número de comentários na reunião de negociação de anunciante / renovação de blogueiro.

Mas no título...  é só trocar comentários por cliques nas linhas acima. A velha máxima internetesca do falem-bem-falem-mal-mas-falem-de-mim. Um clique revoltado vale o mesmo que um clique interessado em ler o post, ou um que queira dar risada das babaquices que imagina que o mesmo contenha. No fim, números.

Alguém pode achar que “provocar” as 3 maiores torcidas de São Paulo e a maior do Rio de Janeiro não passa de coincidência. Hum... Se o título tivesse, por exemplo, “Palmeiras (ou São Paulo, ou Flamengo) tem jogo perigoso no final de semana”, as visitas seriam as mesmas?

Números, números... Talvez eu devesse aderir. Principalmente sobre futebol.