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10 de março de 2013

Entre passeios e surpresas, playoffs se aproximam com a mesma cara de sempre


Rodada com alguns resultados inesperados no NBB5. Palmeiras ganhou de Franca e somou a 3ª vitória seguida, Paulistano bateu São José e, fora de casa, Bauru marcou a 3ª derrota do Flamengo em 27 jogos. Com praticamente 80% da fase de classificação disputada, os playoffs começam a ganhar forma e é hora da última arrancada pra tentar uma vaga e entrar embalado na fase eliminatória.

Paulistano encerrou série de 6 vitórias de São José
Vi Pinheiros X Mogi das Cruzes e o domínio dos mandantes foi tão grande que nem há muito a escrever. À equipe da capital, a segunda vitória nos últimos cinco jogos, uma oscilação que pode custar a vaga no G4 depois de derrotas para Minas, Limeira e São José. Mogi é muito dependente do Babby e quando marcaram a 3ª falta do pivô ainda no 1º quarto deu pra ver que o time, que luta por vaga nos playoffs, ofereceria pouca resistência. Pra completar, o banco só tinha 4 reservas. 36 pontos de frente para o Pinheiros (e só não foi mais porque a arbitragem evitou estourar o Babby em faltas e compensou em vários momentos), que ainda sofre pra ter o elenco completo – Morro está fora – e dá uma pausa no NBB para disputar a Liga das Américas entre sexta e domingo, assim como o Flamengo.

Nos outros jogos, Bauru e Palmeiras estão em um nível parecido de surpresa. A forte equipe do interior contou com 21 pontos de Gui Deodato e 20 pontos e 6 rebotes de Ricardo Fischer para surpreender o líder Flamengo no Rio de Janeiro. Um número interessante foi o de assistências: 17 a 9 para Bauru. Mostra um pouco de como os cariocas têm jogado.

Depois de um 1º turno vergonhoso, o Palmeiras parece outro time e venceu a 6ª em 9 jogos no 2º turno. Vindo de um jogo decidido após 4(!!!!) prorrogações contra Uberlândia, a vítima da vez foi o então top 4 Franca, com 18 pontos e 13 rebotes de Tiagão. O pivô parece a alma da equipe e sua intensidade sempre conquistou a torcida dos times que defendeu. Há duas semanas, contra Mogi, a comemoração de todo o elenco com o triunfo na prorrogação pareceu final de campeonato – de certa forma era, diante de um time “ganhável” para se distanciar do rebaixamento. E a cena do Tiagão em quadra, pulando e gritando o hino do clube que o revelou, merecia que eu subisse o vídeo tosco que fiz. Poupá-los-ei.

Cada vez mais, o Paulistano se firma como um time que em um dia pode derrotar um top 4 e n’outro ressuscitar alguém nas últimas posições – e nos playoffs não é fácil ter 3 dias como o primeiro. Nem mesmo o double-double de Jefferson (20P + 10R) e a costumeira boa atuação de Fúlvio (13P + 8R + 8A) foram suficientes para o São José, que se distancia do G4.

De resto, as vitórias de Brasília (sem Alex), Uberlândia e Liga Sorocabana contra times que provavelmente não estarão nos playoffs – Joinville, Suzano e Tijuca – confirmaram a lógica. Os catarinenses ainda têm chances, mas a equipe paulista e a carioca estão cada rodada mais próximos da “repescagem” para o rebaixamento. Completando o sábado, o Basquete Cearense, sensação do 1º turno, segue em queda livre e perdeu para Limeira. Com 2 vitórias e 7 derrotas no 2º turno, os nordestinos estão no limite para a vaga nos playoffs.

Depois da curva
Classificação mais visualizável no site da LNB
A rodada de quinta-feira tem 3 jogos envolvendo os times entre a 6ª e a 11ª colocação. Franca X Paulistano, São José X Minas e Liga Sorocabana X Limeira. Interessante. E se o Palmeiras superar Brasília no Distrito Federal já pode interditar o clube para encerrar as atividades e sair por cima.

Vitórias contra Uberlândia e Franca praticamente
garantiram o Palmeiras na "série A"
No geral, Flamengo e Brasília não devem deixar as 2 primeiras posições. E alguém vai impedir a final entre os dois maiores elencos do NBB? A briga pela condição de entrar nos playoffs apenas nas quartas de final deve ser boa e muito importante para o Pinheiros, que ainda precisa de físico para a Liga das Américas. A tabela, porém, não é favorável, tendo que visitar Franca, receber o Flamengo no encerramento do turno e viajar a Bauru na antepenúltima rodada, em jogo que pode ser decisivo para o G4. Os compromissos de Uberlândia também não são dos mais fáceis. Franca, que tem muitos confrontos diretos pela frente, e São José ainda podem incomodar.

No bloco intermediário, Paulistano e Minas devem confirmar a classificação sem problemas e brigar pelo mando de quadra nas oitavas de final. Os dois times desafiarão Brasília, Uberlândia, Bauru e Franca. Os paulistas ainda recebem o Flamengo e os mineiros visitam São José. Previsões impossíveis para as sequências diante da inconstância de ambas as partes. E para o Paulistano vale tentar apagar a varrida que tomou de Franca na temporada passada, somando duas derrotas feias em casa nas oitavas de final.

No grupo que briga pelos playoffs, a tabela mais favorável é da Liga Sorocabana. Mogi deve sofrer nas últimas cinco rodadas contra SJO, UBE, FRA, BRA e CEA. Joinville pode aproveitar os jogos contra Tijuca e Suzano e tem os duelos diretos com Liga Sorocabana e Limeira. Com os rivais que ainda tem pela frente, Vila Velha deve pensar mais em não cair do que em classificação, enquanto o Palmeiras pode sonhar. Na atual sequência, não custa nada. Mas a equipe alviverde precisa de, pelo menos, 4 vitórias em 8 jogos, sendo que muito provavelmente não terá resultados positivos contra Flamengo, Brasília e Bauru. O time deve pagar pelo 1º turno horrível e se contentar em permanecer na “elite” com a boa segunda metade de torneio. Suzano e Tijuca? Não vai estar rolando.

Fotos: Ale da Costa/Divulgação e Fábio Menotti/Divulgação.

31 de janeiro de 2013

Um turno, um time


Tem início nesta quinta-feira o segundo turno do NBB, que, para os desavisados, não é A NBB, pois o significado é Novo Basquete Brasil. Logo, O. (Se depois de 5 anos o apresentador do futebolístico da emissora proprietária dos direitos de transmissão do torneio ainda fala A NBB, vale tirar a dúvida).

A primeira rodada do returno já tem uns 4 jogos equilibrados/importantes para os playoffs e para o rebaixamento. Antes, dá pra lembrar a campanha perfeita do Flamengo e quem surpreendeu ou decepcionou após 17 jogos. Falar do nível técnico dos jogos ou da arbitragem não seria muito produtivo. Até pela enorme exposição e divulgação que o campeonato tem...

Marquinhos contra a ex-equipe: Pinheiros
deve estar satisfeito com transferências
Quando o Flamengo começou a formar a “seleção” para o NBB, restava aos secadores imaginar que um time cheio de estrelas tem (e sempre tem) a chance de não dar certo (para quem é anti-Lakers tem dado...), não engrenar, dar liga. Mas deu. Talvez até pelo fato de poucos times conseguirem manter por muito tempo o esquema com jogadas trabalhadas, em conjunto, e sempre apelarem para uma “jogada” individual (o Flamengo não tem nenhum jogador entre os 27 primeiros nas estatísticas de assistências). Ou pelos principais destaques do time terem vindo da mesma equipe e estarem “entrosados”. 17 jogos depois, Marquinhos e Olivinha são os dois jogadores que ficam mais tempo em quadra e que mais pontuam pelo Flamengo. De quebra, o ala é o cestinha do torneio (22,1 pontos/jogo) e Olivinha é o principal nome nos rebotes (10 por jogo).

Ainda acho que o Pinheiros, que também perdeu o armador Figueroa para Franca e o ala Renato Lamas para Minas, saiu perdendo nas transferências, mesmo tendo contratado 5 jogadores. Fato é que os “apertos” do time carioca foram 2 vitórias por apenas 5 pontos, quando visitou Bauru e Franca. Difícil imaginar a equipe deixando a primeira posição ao final da fase de classificação. Deve chegar com tranquilidade para ter o mando de quadra em qualquer confronto nos playoffs e ser favorito ao título. Diriam as más línguas que a grave lesão e o consequente afastamento de Marcelinho colaborou para a invencibilidade no 1º turno...

Antes do NBB5 começar, via alguns blocos de times para brigar pelas primeiras posições, para surpreender, por vaga nos playoffs e para não cair.

1º - Flamengo, Brasília, Pinheiros e São José
2º - Bauru, Uberlândia, Paulistano e Minas
3º - Tijuca, Mogi das Cruzes e Suzano
Os demais 7 times imaginava na briga pelos playoffs, entre o 2º e o 3º bloco.

Flamengo e Brasília corresponderam. Pinheiros e São José sofreram um pouco mais pelo calendário esdrúxulo que juntou 3 torneios simultâneos em meio à série final do Campeonato Paulista. Aos poucos a ressaca passa, mas os pivôs Morro e, principalmente, Murilo fazem falta ao time da capital e de São José dos Campos, respectivamente. Apesar de algumas derrotas inesperadas, os dois times se mantém em boas condições de brigar pelas vagas entre 2º e 4º colocados para os playoffs.

Flamengo X Brasília: maiores elencos do
NBB no "ótimo" Jogo 1000
No 2º bloco, Uberlândia é a surpresa positiva e Minas a negativa. A equipe comandada por Hélio Rubens perdeu a invencibilidade em casa na última rodada, para o líder Flamengo. Nas outras 4 derrotas, a única “normal” foi diante de São José, já que Liga Sorocabana, Joinville e Mogi das Cruzes não deveriam incomodar.

Sobre o outro time de Minas Gerais, pude acompanhar no ginásio o jogo válido pela 6ª rodada, contra o Paulistano, e a falta de padrão tático foi de assustar. A inconstância da equipe que tirou Betinho da capital paulista e contratou o veterano Renato pode ser exemplificada pela vitória por 20 pontos diante de São José e, dois dias depois, em casa, perder para o fraco Mogi das Cruzes.

No bloco que imaginei no meio, lutando pelos playoffs, os times dos técnicos Lula Ferreira e Alberto Bial são os destaques positivos e o Palmeiras, disparado, o negativo. O resto corresponde às expectativas, com Joinville, Limeira e Liga Sorocabana, hoje, se classificando. A jovem equipe de Franca é discreta com destaques individuais e perdeu jogos “perdíveis”, para os “grandes” Flamengo, Brasília, Uberlândia, Pinheiros e São José. A única derrota para o time pior classificado até o momento veio fora de casa diante de Limeira. Lula e companhia já devem saber onde estão e o que podem fazer nos playoffs.

A empolgação do Basquete Cearense foi freada no final do turno, com 4 derrotas nos últimos 6 jogos. Abrir o 2º turno em casa contra Uberlândia e Franca deve ser interessante. Não menos interessante é a “final” entre Suzano e Palmeiras contra o rebaixamento. O time da capital só tem 2 vitórias no NBB, uma exatamente contra o Suzano e outra contra São José, no dia seguinte(!!) à conquista do título paulista dos joseenses. Suzano soma 3 triunfos, contra os adversários diretos na luta contra o rebaixamento (Mogi das Cruzes, Vila Velha e Tijuca).

Limeira e Paulistano fazem duelo importante pelo meio da tabela e, pelo topo, as atenções ficam com Brasília X Franca e Bauru X São José.

Derrapada
Um campeonato que busca destacar o nível técnico (como qualquer outro) deixa a emissora oficial na TV por assinatura transmitir Flamengo X Palmeiras, há 2 semanas, porque é o “clássico do futebol”. Não aumento a identificação com o basquete exibir uma surra anunciada (106 a 61) entre o líder e o lanterna. E justificar a escolha pela tradição que o clube paulista tem no basquete não minimiza a mediocridade do elenco atual.

Flamengo X Palmeiras, o clássico do futebol; Ou o líder contra o lanterna

Fotos: Alexandre Vidal/Fla Imagem, Ricardo Cassiano/LNB e João Pires/LNB

20 de dezembro de 2012

Retrospectiva do inútil ao desagradável


Ah, o fim de ano. O dia que vira noite às 15h, o motorista que arrisca passar pela água, as pessoas que se protegem como podem no ponto de ônibus, o aeroporto que fica 40 minutos fechado, as árvores centenárias que vão ao chão, as terras que deslizam e bloqueiam rodovias e... as retrospectivas! Somam uns 90% da utilidade jornalística na época.

Por fora da curva, o jeito é pensar na união do inútil ao desagradável. Logo, esporte + redes sociais. Se, por acaso, alguém chegou até este texto, deve estar mais preocupado em conseguir trocar o presente do inimigo secreto, em acionar a salvação divina para o carro inundado, em reclamar da escolha divina da miss universo, em xingar quem está xingando algum time, em saber quando tem o próximo Casados x Solteiros de ex-futebolistas, em discutir se ideia tem acento ou não, etc (esses são os 10% restantes de útil).

Que seja breve. O que teve de importante (pra quem?) em algumas modalidades em um tuíte. A retrospectiva fast-Freud, como diria o poeta. Porque o mundo não espera – mas o fim dele podia pelo menos ser depois do horário marcado no salão de beleza, diria a madame.

Tênis
Federer trezentas e umas. Djokovic 1 de novo. Nadal foi. Murray apareceu. Há relação? Sharapova em RG. Acabaram 2 piadas. 1 GS para Soares

Ciclismo
Wiggins inédito e histórico(2x). Contador voltou. Schlecks querem esquecer. Armstrong foi. Vai mudar algo?

Basquete
LeBron finalmente. Brasil voltou ao que se espera. Acabaram 2 piadas. 3ª idade ainda manda no NBB

Velocidade
Regularidade do Alonso não deu. Regularidade do Lorenzo deu. F-1 em extinção pelo ret$rn$ e pelos pilotos no Brasil. Rossi em 2013(?)

Vôlei
Continua na mesma. Disputa títulos. Se ganha é o melhor do mundo. Se perde é o pior.

Vôlei de praia
Na mesma do vôlei

Natação
Medalhas em Londres dependem do ponto de vista . Valem ouro ou lata. Phelps foi

Atletismo
Nem o vento londrino parou Bolt. As corridas de rua estão dominando as ruas e não precisam do futebol para serem promovidas com sucesso

Boxe
Falcões

Badminton
Teve trambique em Londres. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Canoagem, hipismo, remo, taekwondo e tiro
Não vi e, diferentemente de outros esportes ou de outras pessoas, prefiro não comentar

Desportos na neve e no gelo
Em extinção

Esgrima
Teve polêmica em Londres. Volta às notícias quando alguém morrer

Ginástica artística
Arthur Zanetti

Handebol
Teve trambique na França. Volta às notícias quando alguém for preso / morrer DURANTE O JOGO

Judô
Sobrevivendo vitoriosamente como poucos esportes no país

Lutas
Não, obrigado

Rugby
Vai ser grande

Vela
Não lembro

Futebol
Ainda prefere discutir se a bola entrou, se foi dentro da área, se estava impedido, se a bola tá muito leve, etc. E a C$pa d$ Mund$ tá aí

Depois da curva
Invariavelmente, o jornalismo cíclico dá as caras nesta época do ano. Como aproveitar as sobras de comida da ceia/reveióm, como distrair os filhos nas férias e outras pautas eternas. O jornalismo podia tirar férias de 15 dias. Mas aí, como também diz o poeta sobre determinadas greves, o perigo é a população perceber que não precisa do serviço prestado pelos grevistas...

Derrapada
O fim do mundo está marcado para o primeiro dia do verão. Atenção ao simbolismo e à conexão entra as duas tragédias.

28 de novembro de 2012

Vim, vi e consegui voltar

Foi uma noite belutesca. Os famosos altos e baixos que dão as caras desde que Thomaz Bellucci disputa os principais torneios da ATP puderam ser vistos de perto. Pior que estejam tão presentes nas últimas – e raras – atuações frente ao público brasileiro – ATP Challenger Tour Finals de 2011, Brasil Open e agora o Challenger Finals da temporada atual. Ou pré-temporada...


Um atendimento depois de 3 games para re-remendar a mão esquerda. Um primeiro set de trocas de bola do fundo de quadra e o argentino Guido Pella, também canhoto, aceitando encarar as cruzadas de forehand com o número 1 brasileiro. No backhand ficava claro que o classificado sem convite não conseguia empurrar Bellucci para o fundo ou deslocá-lo suficientemente para as laterais. 1 set a 0.

Uma quebra no game inicial do 2º set. E aí começou. Pella devolve a quebra imediatamente e tem break point para abrir 3/1. A postura e a movimentação de Bellucci são diferentes das do início do jogo. E as emoções dos presentes também. Se no primeiro set pontos bonitos vencidos por Pella eram recebidos com slow claps entre duas ou três pessoas espalhadas pelo Ginásio do Ibirapuera, agora a torcida passou a ser público, se esqueceu de que “ganhar de argentino é melhor” e aplaudem o que precisa ser aplaudido. Não que torçam contra Bellucci. Os pontos e momentos delicados para o brasileiro têm volume – e gritos – muito maior. Talvez porque tenham sido muitos momentos delicados.

No tie-break, Pella erra um voleio curto que dificilmente Bellucci chegaria na bola, o que o deixaria com vantagem de 4/1. Público inflamado, já que o brasileiro devolveu o mini break. A torcida estava lá. No ponto seguinte, um erro não forçado de forehand do brasileiro para fora – de onde eu estava, bem fora. Uma leve reclamação de Bellucci com o árbitro e tímidas vaias dão as caras. Para a escolha da jogada em um ponto importante? Para o erro? Para a reclamação? Por que acharam que a bola foi dentro? Não descobri. Mas os longos aplausos voltam dois pontos depois, em um ponto... do argentino! Um grande voleio para abrir 6/3 no tie-break e, depois, aproveitar o terceiro set point. Nesse momento, muita gente deixa o Ibirapuera, ao que retornarei linhas abaixo (vídeo aqui).

Com o público desfalcado, Bellucci abre 3/0 e parece recolocar a vitória certa em curso. No sétimo game, três break points para abrir 5/1(!). Não aproveitados. Pella confirma, quebra e confirma para empatar o set decisivo por 4/4. Bellucci no saque com 40/15 antes de um longo e dramático nono game. Na sequência, Pella volta a igualar o set após um slice angustiante do brasileiro. Reflexo, não só de como estava o físico ou o psicológico do convidado, mas do que virou o jogo. E o 5/5 veio para coroar, com Bellucci sacando em 15/40 antes de enfrentar infinitos break points. O primeiro salvo com pancadas de forehand e backhand no fundo e no meio da quadra. O segundo com um bom saque. Outro com um saque aberto + backhand cruzado. Outro com uma paralela de backhand que nem ele acreditou. Até que, em uma curtinha nem tão curta seguida de um lob nem tão lob, o serviço é quebrado. Pella saca para o jogo, fecha depois de 2h53min. Bellucci sai, sem o esperado (ou programado?) discurso com o microfone no meio da quadra para agradecer quem ficou até minutos para 01h00 no Ibirapuera se angustiando em sua companhia.


Depois da curva
“Não é fácil ir dormir às três da manhã para jogar no dia seguinte de novo”, disse Bellucci após a derrota. Não deve ser mesmo. E como diz o poeta, não tá fácil pra ninguém.

No mesmo dia em que começou o ATP Challenger Tour Finals, teve início na cidade de São Paulo a segunda fase da Liga Sul-americana de Clubes de basquete. Três dias seguidos com rodada dupla em um quadrangular com três das cinco melhores equipes do Brasil – Brasília, Flamengo e Pinheiros – e um time venezuelano. Os jogos, a serem realizados na sede do clube paulista, foram marcados para 20h e 22h10(!!). Na expectativa de que o jogo de Bellucci, marcado para 21h, pudesse começar sem atrasos e, com o esperado 2 sets a 0, acabar antes de meia-noite, troquei o basquete, que não tinha chance de acabar antes de 00h, pelo tênis. Hoje e amanhã trocarei os dois pela televisão.

Por acaso, durante o jogo que precedia a estreia de Bellucci, Sheila Vieira, Felipe Priante, que neste ano compareceram ao ATP World Tour Finals e aos Jogos Olímpicos, respectivamente, e eu conversávamos sobre um dos motivos que afasta o público de eventos no Brasil: a famosa acessibilidade. A certeza de não apenas chegar ao local de um jogo, show, etc, mas também de conseguir voltar para casa dependendo de transporte público.

Sim, a duração de uma partida de tênis é imprevisível, etc, etc, etc. Um ponto não é problema dos eventos. Esses eventos acontecem e deixam de acontecer. O transporte segue o jogo na cidade durante os demais 364 dias do ano. O primeiro jogo do dia, entre Victor Hanescu e Aljaz Bedene, teve apenas dois sets e durou 2h17min. Tivesse terceiro set ou outro jogo também durasse isso... Uma prorrogação na rodada dupla de basquete, ou apenas um jogo decidido no final, com infinitos tempos técnicos dos dois lados, atrasaria tudo.

Que não se faça drama com um #classemédiasofre. O drama aconteceu em quadra. Fora dela, ficam as opções e escolhas. A de não ir. A de sair antes do final. A de ficar até o final e assumir riscos.

Então volto ao vídeo lá de cima, no momento em que Pella fechou o tie-break do segundo set: 23h40. A debandada do público passa por algumas explicações. Desânimo / frustração com a queda de rendimento de Bellucci. Trabalho cedo no dia seguinte. Residência longe – mesmo de carro ou táxi pode ser um problema. Dependência do transporte público. RÁ! No 4/4 do terceiro set, fiz as fotos abaixo dos locais do Ibirapuera que tinham mais público, que era muito menor do que na partida anterior, marcada para 19h, entre Adrian Ungur e Ruben Ramirez-Hidalgo.



Passada a teoria, vamos à prática. Assumi o risco. Deixei o Ibirapuera 00h47, para um destino perto. Menos de 6 km segundo o Google Maps. Não há estação de metrô perto do ginásio e mesmo se houvesse, não estaria mais funcionando pelo avançar da hora. Andar todo o caminho não parecia uma escolha prudente. Um ônibus e 1h esperando outro... Resolvi passear a pé por quase 2 km pelo cartão postal paulistano (tirando as pessoas que te pedem dinheiro e as que te obrigam a dar dinheiro, uma caminhada na madrugada de SP pode ser agradável. O problema é que na madrugada de SP só está acordado e andando quem vai pedir dinheiro ou te obrigar a dar dinheiro). Enfim, outro ônibus. Cheguei em casa 02h47. Acho que tive sorte. As madrugadas de São Paulo têm sido muito mais dramáticas para outro tanto de família nas últimas semanas. Concordo com Bellucci.

Créditos das fotos não-tiradas com uma mísera câmera digital 12.1 megapixels: Wander Roberto/inovafoto.

30 de julho de 2012

Jogando na sombra


Um cara vem andando em sua direção. A velha sensação de “já vi essa pessoa”. Você disfarça, vira pro lado e volta a olhar. Ah, ele joga basquete. Ou jogava? Não é muito novo. Mas é o basquete, parecido com o jornalismo. Os profissionais não se aposentam. Pra conviver com a dúvida por muito tempo. Devia ter feito outra coisa. Se for pra fazer plantão, que seja médico. Se for pra jogar, que seja futebol.

Faz tempo que ele joga. Muito tempo. É, ainda está jogando. Não tem como parar. E há uns 12 anos já era veterano. Lembro que jogava no Rio. Esse cara mesmo, certeza. Ano passado estava em Franca. Cheguei a ver um jogo no ginásio, ele quase parecia novo perto dos outros do time. Mas, se em uma tarde durante a semana está aqui, não está mais lá. Óbvio.

Tem um time que é logo ali na frente, uns 5 quarteirões. Deve estar fazendo tratamento médico, se recuperando de lesão. Nossa, com tanto tempo ainda não desiste. Ou foi contratado e está indo treinar. Mas não está usando um tênis próprio de basquete. Não vai chegar em um carrão? Não está bêbado, virado da noite anterior? Não, treino não é.

Se bem que tem uma mochila, o tênis pode estar lá dentro. Não deve querer gastar na rua, só na quadra, com o piso adequado. O patrocinador devia dar mais pares, mandar testar e analisar as pisadas durante um ano e desenvolver o melhor equipamento, de acordo com cada atleta. Ele é um veterano, pô! Já usam até pele de ornitorrinco pra essas coisas. Não, ele só deve querer treinar e jogar, é o bastante.

Então, pra confirmar, vou perguntar se ele é o novo reforço do time. Mas ninguém está parando ele no meio da rua. Vai ver não querem ser inconvenientes. Também não vou ser. Caras assim não devem gostar de tietagem. Ou gostaria de saber que alguém o reconheceu, que acompanha o seu trabalho? Um dia descubro. Ele está indo trabalhar, imagino que queira chegar na hora.

Sobre as outras coisas, meros detalhes, dá pra descobrir chegando em casa. Clube + nome do jogador + posição que joga deve ser suficiente pra confirmar. Pronto, foi anunciado há umas três semanas pra compor o elenco. Está com 36 anos. Sabia que não era muito novo. Pode se dar bem indo pra um time que chegou a 4 semifinais na última temporada e conquistou 1 título. E deve estar treinando sério pra mostrar disposição. Não como muitos profissionais da áreas com especializações diferentes.

Ah, se não fosse do basquete. Poderia estar em um time de uma quinta divisão estadual, fora dos grandes centros. Se alguém inventasse uma negociação, estaria no primeiro destaque de jornais, revistas, sites, rádios. A famosa “especulação”. Não precisa ser pra um time tradicional. Pode ser de uma terceira divisão estadual, é a “notícia” “boa de vender”. Enquanto não se vende, continua no mercado. Há 36 anos. E se...

Depois da curva
Saiu um formato de texto-clichê que tá na moda, né? O leitor acredita que foi assim mesmo que aconteceu e o autor não parece autor. Parece um cara batendo papo no boteco, contando uma história. É fácil imaginar que se está lendo um pensamento. Mas ainda prefiro pensar que está na moda porque é uma das poucas maneiras que o leitor tem conseguido entender um texto, com frases de 5 palavras, sem que ele precise voltar ao início de uma oração quando chegar ao seu final, como acontece com esta.

Mas, e se foi assim que aconteceu?

21 de maio de 2012

No más


Precisa gringo (tentar) fazer com que a prática jornalística se dê ao respeito.




Os exemplos são recentes. Uma rede de microblog O Twitter informou que o programa dominical “Da idade da pedra ao homem de plástico” continuou a piada e praticamente debochou de Herrera em relação ao ocorrido pós-jogo. Não sei, não vi. Mas não duvido de que o programa futebolístico diário da mesma emissora volte ao assunto logo mais, na hora do almoço. Afinal, (1) não aconteceu nada mais relevante no mundo esportivo no fim de semana e (2) dar o braço a torcer pra quê?

Com Loco Abreu, o repórter estava ouvindo a mensagem que o produtor/diretor/apresentador/narrador lhe passava, e não conversando com a mãe/esposa. Com Barcos, “foi Maikon Leite que mandou te entregar”. Sim, com aspas. E com Herrera, é tradição! Jogadores se matam pra fazer 3 gols domingo. Porque quarta-feira não ganha trilha sonora, então tanto faz marcar 1 ou 6 no meio da semana. Só falta começar a história da alegria, da descontração, da festa típica do povo brasileiro, que o jogador estrangeiro não tem, por isso não entra na brincadeira.

Variações sobre um mesmo tema
Não se trata apenas de sair pela tangente, mas sim de sair por cima. Lembra (um pouco) a resposta em língua brasileira do norte-americano Shamell, questionado pelo repórter em inglês (http://www.youtube.com/watch?v=qdtkwVaL4vE). Essa não está nos padrões atuais do jornalismo-piada, era um trabalho sério, uma pergunta séria pós-jogo. E não teve exaltação ou patada do jogador. Só não teve pesquisa/“estudo” suficiente para cobrir o não-futebol. Mas, se era sério, deveria ter tido. O que realmente lembra é o pós-ocorrido, a volta por cima, mantendo (e renovando) a piada. Outra matéria!

Um bate-papo descontraído entre o repórter e o jogador, agora em bom e claro português, para mostrar que os dois se divertiram com a situação e está tudo bem. Como se o espectador esperasse por um desfecho tal qual ao assistir a uma novela. E como se não tivesse sido um erro. E, ainda, como se pouco importasse o que o cara faz em quadra, como a equipe dele está no campeonato, etc. A relevância (ao menos para o pauteiro/editor) do atleta, da equipe E do esporte que ele pratica está no erro, ou melhor, na piada.

Várias variáveis
Poucas horas depois de Herrera se recusar a ganhar o bônus musical em reconhecimento ao seu feito, o basquete teve mais uma entrevista que lembra (bem pouco) o assunto mais comentado pelos brasileiros em uma rede social 1º lugar do TT BR (nem tem personagem estrangeiro). São José ganhou do Flamengo, “vamos pra quadra com o trabalho de reportagem”! Entrevista jogador, entrevista outro jogador e entrevista mais um jogador. Esse, o armador Fúlvio (quem não o conhece pode dar uma pausa no post para gugar se ele dá entrevista em latim, hebraico ou italiano).

A pergunta, que me pareceu sem ponto interrogação, mais ou menos, foi: “Uma vitória importante, em que São José chegou a tomar sufoco no final, mas fez 2 a 1 na série(?)”. A resposta, mais ou menos: “Eu discordo. Acho que a gente teve o jogo na mão e em nenhum momento deixou ele escapar. A gente abriu 10 pontos no segundo quarto e só relaxamos um pouco no final, aí eles meteram umas bolas de 3, mas a diferença poderia ter sido maior”. Na hora pensei: mais uma patada em repórter (mesmo que o tom de voz tenha sido tranquilo). Minutos depois mudei de ideia. Parece que pelo excesso de “Não, com certeza” e “grazadeus saímu com us 3 ponto” ouvidos em campo, a resposta em quadra foi um ponto fora da curva. Um susto. Mas com educação. Se o repórter tem o direito de fazer uma pergunta incluindo sua visão do jogo, o jogador também o tem. E as visões eram diferentes, só isso. Soa estranho porque foge do senso comum. Talvez o Fúlvio não esteja preocupado se não será mais chamado para participar de programas da emissora. Se não será mais procurado para entrevistas ao vivo pós-jogo. Talvez não tenha um patrocinador/assessor que o aconselhe a ficar o máximo que puder com um fone de ouvido e jogando conversa fora com apresentadores/comentaristas do estúdio porque gera retorno de mídia. Que gera mais patrocínio. Que gera mais entrevista (exposição). Que gera mais patrocínio...

Talvez ele não queira vender a sua imagem, só o seu trabalho. Talvez ele tenha consciência de que em um esporte que não atende pelo nome de futebol é quase impossível vender a imagem e ter contratos de patrocínio. O retorno tende a zero. Talvez seja muito “talvez”. Talvez o post tenha muita bobagem e o interneteiro ficou pelo caminho. Se não, permito-me concluir as bobagens.

Variando
Voltando a uma ramificação do jornalismo-piada, me lembro de uma coletiva do Rio Champions no final de 2011. Guga, Carlos Moyá, Alex Corretja (eles respondem em espanhol, não precisa gugar) à mesa. Pergunta (pedido) para Guga: “Queria que você falasse das qualidades de muso do Moyá”. O brasileiro (1) ouviu errado, (2) fingiu que ouviu errado ou (3) não queria acreditar que tinha ouvido certo. Resposta: “De músico!?”. Repórter: “Não, de MUSO. (Querendo enfiar a cabeça debaixo da cadeira) Me mandaram perguntar isso... tá aqui na pauta...”.

Às vezes o repórter se acha engraçado, quer ser engraçado ou procura uma pauta diferente de “X ganha de Y”, “Juninho diz que vai jogar com raça” ou “O técnico garante força total”. Resta encontrar uma torcedora musa, uma árbitra/bandeirinha musa, uma filha de jogador musa ou até uma gandula musa. A musa que passa a coroa para o próximo ilustre desconhecido que será o novo ídolo do próximo verão, dizia o poeta. “E o principal fica fora do resumo”, dizia outro poeta.

Escrever algo diferente, ainda que seja uma bobagem, gera mais comentário. Fazer um título que deixe uma dúvida no ar gera mais cliques. E mais comentários revoltados por clicarem na matéria pensando que era uma coisa e era outra. Ou não era nada. Não importa, o retorno de audiência é quantitativo. 200 comentários ridicularizando a matéria = 200 comentários. Na TV também. “Muita gente esculachando o repórter que perguntou em inglês? Vamos fazer mais uma matéria sobre o assunto, só que ignorando o assunto, certo?”.

Mas, às vezes, existe a necessidade da piada na pauta, independente do apreço do repórter pela comédia. E quem determina essa obrigatoriedade não é quem vai dar a cara à tapa em uma coletiva ou em um pós-jogo, mas quem fica no ar condicionado contando os cliques, comentários, likes, RT se curtir, etc, etc, etc.

Tempos difíceis esses...

Atualização 11h10
Tive o desprazer da vergonha alheia de ver a matéria dominical graças à indicação de Felipe Priante. Aos interessados http://www.youtube.com/watch?v=7pHa0hE41sY&feature=relmfu