15 de julho de 2013

Durante e depois do Mont Ventoux: Froome quase lá


“Essa montanha é tão histórica e significa tanto para essa corrida, especialmente na 100ª edição”.

A imagem e as aspas acima dão uma ideia do que representam os 20,8km do Mont Ventoux a 7,5%. Não escalarei o assunto. A foto é do colombiano Nairo Quintana Rojas, 6º no geral e agora líder entre os “jovens”, que chegou aos 1912m de altitude 29s depois do britânico Chris Froome, líder no geral a autor da frase.


Rápido e sempre
A etapa mais longa do Tour de France-100 ficou pra trás em um ritmo intenso. O francês Sylvain Chavanel, 1º a alcançar a base do Ventoux, tinha média de 46,7 km/h depois de 4h45min pedalados, com vantagem de 1min45s do pelotão – nessa altura ainda existia um pelotão. Antes, o francês integrou a fuga acompanhado de 8 competidores.

Entre os 9 da fuga, quem tinha o interesse mais claro era Peter Sagan: adicionar pontos à sua liderança entre os sprinters. Próximo da intermediária que premiava o 1º com 20 pontos, o eslovaco se posicionou à frente do grupo e se cansou de olhar pra trás. Nem precisou neutralizar possíveis ataques (como o de Chavanel, da Omega Pharma-Quick Step, que poderia tentar ajudar o companheiro Mark Cavendish “tomando” alguns pontos do líder da Cannondale) e nem houve sprint.


Enquanto isso, a Movistar ditava o ritmo do pelotão e evitava descansar para a escalada. Quando ela chegou, o 1º a ficar pra trás foi Sagan. A meta já tinha sido atingida, claro. Tinha? Depois de concluir os 242 km do dia mais de 28min atrás de Froome, o eslovaco declarou: “Fui para a fuga para conseguir alguns pontos, mas também tinha em mente chegar no top 10 no Mont Ventoux. Teria sido algo especial”. Teria. Mas é um daqueles sonhos que seria engraçado se não fosse triste... Ainda consigo só me divertir com a afirmação, assim como com a empinada e o tchau que deu ao pelotão quando foi engolido. “Esse aceno é por diversão, para as pessoas. Dá uma foto legal, não?”. Dá, sim.


Agora Sagan só pensa em sobreviver como puder à semana mais difícil do Tour. Os 99 pontos de vantagem sobre Cavendish, vice-líder na “disputa” pela camiseta verde, dispensam comentários.

No alto da montanha
No pé do Ventoux foi a vez da Sky tomar a dianteira com todos os 7 da equipe (2 já abandonaram), seguida pela Radioshack(?). Depois de dropar o camiseta verde, imediatamente em seguida foi o francês Pierre Rolland, então líder entre os montanhistas, que não aguentou. E seguiram, em resumo, a:

- 18 km do fim: 3 Skys já tinham ficado, Froome tinha a companhia de outros 3.
- 15 km: Depois de concluir 1/4 da subida, a vantagem de Chavanel para o pelotão era de 1min25s.
- 14 km: Só 3 da fuga original estavam na frente: Chavanel (a 56s), Markel Irizar (Radioshack) e Christophe Riblon (AG2R La Mondiale). Falando em Radiochack, o pelotão era reduzido em um ritmo mais intenso que a média de velocidade. Andy Schleck foi deixado pra trás de maneira violenta, assim como Andreas Kloden e posteriormente Irizar. O luxemburguês, cercado de boatos sobre sua saída da equipe após o irmão mais velho, Frank, ser chutado prestes a completar sua suspensão por doping, não se preocupa.


- 13 km: O espanhol Mikel Nieve supera Chavanel e assume a dianteira, com 54s de vantagem. No pelotão, o primeiro ataque é de Quintana, então 8º no geral a 5min18s. Sem resposta. Entre os concorrentes da Sky, Nicolas Roche, da Saxo-Tinkoff, fica pra trás.
- 12 km: Quintana também passa Chavanel. É a hora da alfinetada do dia no Twitter. Momentos antes, o ao vivo do site do Tour listou os melhores Movistars na classificação geral – Valverde (17º) e Rui Alberto Costa (18º). A equipe respondeu em tuíte posteriormente deletado que Quintana podia não ser favorito ou muito grande (1,67m de altura e 59kg), mas era o 8º na disputa. Um lapso do Tour ao virar as costas para os concorrentes à camiseta branca. No reduzido pelotão, Froome tem Richie Porte e Peter Kennaugh ao seu lado. Alberto Contador tem 3 companheiros: Roman Kreuziger, Michael Rogers e Jesus Hernandez.
- 11 km: Só 23 integram o pelotão, 39s atrás do líder. Cadel Evans, campeão há dois anos, mostra que a forma não é mais a mesma.
- 10 km: Quintana e Nieve dividem a liderança, a 40s. Enquanto Contador marca a roda de Froome, o grupo segue forte, agora sem Evans.


- 9 km: Depois do trabalho cumprido com a Sky, Kennaugh quase para na estrada. A Belkin, com os top 5 Bauke Mollema e Laurens Ten Dam, fica sem Robert Gesink.
- 8 km: Quintana lidera por apenas 15s. Com a violência de uma tarifa de ônibus, o “pelotão” é reduzido a 4(!!) ciclistas: Froome e Porte X Contador e Kreuziger. O tcheco logo deixa o espanhol em maus lençóis sozinho com os Skys.
- 7 km: O ataque mais absurdo desta edição até o momento. Contador responde por poucas dezenas de metros até que em uma curva Froome não vê nem sinais do espanhol ao olhar pra trás. Em 20s(!!!) o britânico alcança Quintana e mantém a aceleração, que o colombiano responde.


- 6 km: Froome e Quintana têm 14s de Contador, que começa a trabalhar junto com o compatriota Nieve, da Euskaltel - Euskadi.
- 5 km: 24s. Grupo com 5 top 10 (Mollema, Kreuziger, Ten Dam, Jakob Fuglsang e Joaquin Rodriguez) mais Valverde e Rogers já leva 1min11s.
- 3,5 km: Contador a 50s. Grupo de Mollema a 1min30s.
- 2 km: Contador a 52s. Grupo de Mollema, agora sem Valverde, a 1min40s.
- 1,3 km: Froome assume a dianteira sozinho, no que não considerou um ataque a Quintana. “Esperava ganhar tempo, mas não vencer a etapa. No final não acho que ataquei, só (Quintana) que não conseguiu acompanhar”. O colombiano de apenas 23 anos concorda. “Pensei que ele (Froome) estaria menos forte do que estava, mas ele fez um esforço violento e eu simplesmente não pude acompanhar”. O Mont Ventoux estava vencido depois de 5h48min45s de etapa, a 41,7 km/h.

Depois da curva
Antes do dia de descanso, Froome ampliou a vantagem sobre tudo mundo, é claro. O top 5 segue na mesma ordem: Mollema, Contador, Kreuziger e Ten Dam. As diferenças (2min28s, 2min45s, 2min48s e 3min01s) são mais expressivas (4min14s, 4min25s, 4min28s e 4min54s). Suficientemente expressivas para evidenciar o favoritismo do britânico. Fosse em outras edições, com a rota “mais leve” na última semana, o título estaria garantido. Não está, porque em uma única montanha pode-se tirar muito tempo. E os perfis das próximas etapas são assustadores:

- Terça-feira: Montanhas 3-2-2. O dia mais tranquilo, apesar da organização dar o coeficiente para a etapa como 4. Em uma escala de 1 a 6, em que 6 são apenas os time trials, o 5 indica os dias mais “difíceis”, o 4 um pouco menos difíceis e assim por diante. Os 242 km com o Ventoux também foram classificados como 4. Torço para que esteja enganado, mas os 168 km desta terça devem ser mornos e o top 5 vai ficar se estudando e nenhum ataque vai ser bem sucedido.


 - Quarta-feira: TT de 32 km, com duas montanhas categoria 2. Se em TTs planos a superioridade de Froome foi enorme, vai ser interessante ver os 13,3 km de subidas. E com subidas vêm duas descidas, que o saudoso Michael Rasmussen já ensinou que podem ser muito perigosas em TTs, onde o poeta diria que os ciclistas literalmente colocam a faca entre os dentes e / ou tiram leite de pedra.


- Quinta-feira: 2-3-2-HC-2-HC. Talvez a etapa que mais mereça ser vista – a 1ª que a organização dá coeficiente 5. Os hors concours são o histórico Alpe-d’Huez, que todos escalarão uma vez para descer e subir de novo. Nos últimos 64 km da etapa, 29,1, oficialmente, serão de montanhas categorizadas. Haja EPO!


- Sexta-feira: HC-HC-2-1-1 (coeficiente 4)(?). A etapa merece atenção porque atinge os 2000m de altitude no Col de La Madeleine, a 2ª escalada. O fato do dia começar com 2 HCs diminui as chances de ataques. Concorrentes que ficarem pra trás terão quase 80 km pra trabalharem em equipe ou até mesmo com outros concorrentes em busca da recuperação nas fáceis montanhas 2-1-1. E a etapa termina com 13 km de descida...


- Sábado: 2-3-3-3-1-HC. O último dia com montanhas decentes podia trazer mais sofrimento se não tivesse apenas 125 km. Difícil imaginar que aquele que liderar até sexta perca a vantagem no sábado. O estranho coeficiente é 5, talvez só pela chegada ser em HC.


Fora da curva
Emblemático
No dia que os poetas imortalizaram a metamorfose do atletismo à ciclismo, duas ponderações.

- O ciclismo ensina que o maior fica por último.

- Interessante reparar que cada matéria gasta, no mínimo, 1 parágrafo / 20s de reportagens que têm 4 parágrafos / 30s para explicar quem é Tyson Gay e Asafa Powell, por exemplo. O autorreconhecimento do que é um país antiolímpico de verdade. Daqueles que precisam de legenda pra foto abaixo.


13 de julho de 2013

O Tour de France começa a ser decidido: Retrospectiva em curso

Mais de 2.300 km rodados em 2 semanas e outros 1.000 km por vir nas etapas mais duras do Tour de France 2013. Hora de gastar umas linhas com o que aconteceu, o que não saiu como o esperado e o que os Alpes próximos da divisa com a Itália reservam a partir deste domingo.

Classificação geral neste sábado, após 2.325,5 km e 14 etapas; Maior e completa aqui
Sem surpresa
- A camiseta verde de Peter Sagan. O eslovaco da Cannondale só ganhou uma etapa, mas ficou no top 5 por 8 vezes. A regularidade é explicada pela tão anunciada dura rota para comemorar a 100ª edição do Tour. Enquanto sprinters “puros”, como Mark Cavendish e André Greipel, 2º e 3º na categoria, respectivamente, só conseguem tirar algo das etapas verdadeiramente planas, Sagan aproveitou aquelas com pequenas montanhas. Não as etapas que decidem o montanhista ou o campeão geral. Porém, suficientes para alguns sprinters quebrarem.

Peter Sagan e a rotina com as podium girls
Mais precisamente as etapas 2, 3 e 7, cada uma com 4 montanhas, sendo que nenhuma era hors concours ou sequer de  categoria 1. Vencendo uma delas e ficando em 2º nas outras 2, Sagan somou 95 nas chegadas, enquanto o britânico e o alemão ficaram restritos aos poucos pontos em sprints intermediários (com 16 e 9 pontos, respectivamente). Pra completar, Sagan ainda fez 36 nas intermediárias. A vantagem atual, 357 pontos contra 273 e 217, matematicamente não pode ser revertida. Sagan quebrar nos Alpes é pouco provável. O bicampeonato na categoria só escapa com algum acidente seguido de abandono. Um título esperado desde o anúncio de que o Tour-100 iria “privilegiar” montanhistas a sprinters. Já a camiseta amarela...

- A camiseta branca com bolinhas indefinida. Se as maiores montanhas ainda estão por vir, o título pode sobrar para o campeão geral ou então seguir nas mãos do francês Pierre Rolland. O atual líder, da Europcar, precisaria de alguma fuga-suicida em um (ou mais) dia(s) com muitas escaladas para ir coletando pontos antes do “pelotão”. E, normalmente, no final seria alcançado pelos candidatos ao título e nem ganharia a etapa. Entre aqueles que estão passeando pela França, uma aposta de zebra seria Ryder Hesjedal, campeão do Giro D’Italia em 2012. Sem chances na classificação geral, a Garmin poderia usar as montanhas como prêmio de consolação, se não para o canadense, até para o irlandês Daniel Martin. A ver.


- A Astana sem um propósito depois que Vincenzo Nibali, campeão do Giro, decidiu não ir à França para se preparar para a Vuelta a España. Três integrantes já desistiram, entre eles o líder da equipe, Janez Brajkovic, 9º em 2012. O dinamarquês Jakob Fuglsang, em 6º no geral, faz milagre e destoa dos demais.

- A cobertura restrita a: Cachorro-invade-estrada-em-~prova-de-ciclismo~, Ciclista-morre-em-acidente-incrível, As-musas-do-verão-europeu-em-~prova-de-ciclismo~, etc (Atenção: não houve morte no Tour. Mas o cachorro “invadiu” e ficou famoso no país da fofoca sobre novos técnicos. Invadiu mas não morreu. Ficaria ainda mais famoso. Uma pena).

Fora do cronograma
Froome vence a 8ª etapa, a primeira com boas montanhas
- Os planos da Sky com o Chris Froome. Tudo ia bem até a 8ª etapa: Froome detinha a camiseta amarela e o vice-líder era Richie Porte, assim como, há um ano, o queniano-britânico havia escoltado Bradley Wiggins ao inédito título para os britânicos (de tantos jejuns e tabus os feitos históricos por vezes se banalizam no Reino Unido...). Mesmo que o team time trial da 4ª etapa não trouxe a primeira vitória no Tour à equipe, deu alguns segundos de vantagem para os principais concorrentes.

Então veio a 9ª etapa. Um dia antes do primeiro descanso de 2013, era de se esperar que todos deixassem a vida nas cinco escaladas ao longo de 165 km porque teriam um dia de recuperação e pouco – ou nada – mudasse na classificação geral. Logo no início, Porte e todos os Skys deixaram Froome sozinho no primeiro grupo ao lado de seus concorrentes. O espanhol Alejandro Valverde, por mais de 50km, teve a companhia de 4(!) Movistars. O britânico se defendeu e defendeu a camiseta amarela enquanto Porte tomou 18(!!) minutos. O sinal amarelo foi aceso na Sky e mudou para laranja quando o bielorrusso Vasili Kiryienka não completou a etapa dentro do limite de tempo, sendo eliminado do Tour. E o sinal ficou vermelho 4 dias depois, quando o norueguês Edvald Boasson Hagen não escapou de uma queda nos quilômetros finais da 12ª etapa e, depois de cruzar a linha de chegada, precisou abandonar o Tour com o ombro direito lesionado. Geraint Thomas, ainda na disputa, tem uma fratura no quadril. Para o champanhe do próximo dia 21, em Paris, vai ter taça sobrando... com um olhar otimista para a Sky.

Em etapa plana, Saxo-Tinkoff recupera tempo para Contador
- Os ataques na 13ª etapa, ontem. Em 173 km planos, Valverde, então vice-líder, teve um pneu furado no quilômetro 83 e perdeu cerca de 40s. Alguns Movistars ficaram para trás na tentativa de recuperar o número 1 da equipe enquanto o pelotão apertou as pedaladas, liderado principalmente pela Belkin. A ex-Rabobank, com integrantes em 3º e 6º no geral, ambos a menos de 1min do espanhol, viu a brecha para recuperar terreno contra Valverde. Inesperadamente, a Movistar não conseguiu levá-lo de volta ao pelotão e deixou a disputa pelo título (talvez ainda sonhe com algo vindo do colombiano Nairo Quintana Rojas, 8º no geral, único que não ficou para ajudar Valverde).

Mais inesperadamente veio o ataque da Saxo-Tinkoff, cerca de 25 km antes da chegada. Contador e mais 5(!!!) atletas da equipe dinamarquesa fizeram um “2º TTT” para ganhar tempo sobre quem não acompanhasse. E esse alguém foi justamente Froome. Ao que parece a Sky acusou o golpe de ter sofrido com 2 abandonos. E Contador sabia que a diferença de 3min54s era grande para ser tirada somente nas montanhas. A Saxo-Tinkoff tratou de ganhar 1min09s sobre o britânico e, se não virou favorita, ao menos acabou com o favoritismo da Sky. Roman Kreuziger, Michael Rogers e Nicolas Roche nas montanhas impõem mais respeito do que a desfalcada equipe britânica. E Valverde, 9min54s depois, deixou a Movistar chateada...

Pneu furado de Valverde e quase 10 minutos na 13ª etapa vão ser lição

Depois da curva
Dizer que o Tour de France começa amanhã é exagero. Começa, sim, a ser decidido. Feriado da Queda da Bastilha, em um domingo, na 100ª edição da prova. Resultado: o dia mais longo do percurso em uma das montanhas mais clássicas da Europa. Os 242,5 km a serem percorridos têm o aperitivo de quatro montanhas (categorias 4-4-4-3) em 221,7 km. Quando a maioria das etapas deveria acabar nessa distância, a 15ª etapa trará os ciclistas ao pé do Mont Ventoux e reservará 20,8 km de subida a 7,5%. De 314m de altitude passarão a 1912m em menos de uma hora. Para os otimistas (ou temerosos) fica o consolo de que o dia seguinte será de descanso. Mesmo assim, haja EPO!

Mont Ventoux: 20,8 km de subida a 7,5%

Na reta
- A histórica edição 100 do Tour foi “feita” para montanhistas, mas até agora está sendo decidida pelo ótimo TT de Froome na 11ª etapa. O líder da Sky chegou em 2º e colocou muito tempo sobre todo mundo (2min em Valverde e 2min03 em Contador, por exemplo, principais rivais até aquele momento). A vitória na 8ª etapa, a primeira com montanhas significativas, também tem lá o seu peso.

Michal Kwiatkowski: cara certo na equipe errada? Ainda é cedo
- No TT, quem perdeu menos tempo dentro do top 10 foi o polonês Michal Kwiatkowski, que reassumiu a camiseta branca depois de um grande dia. O atleta da Omega Pharma-Quick Step foi o 4º este ano na Amstel Gold e na Tirreno-Adriatico. A equipe confirma abertamente que a única preocupação é posicionar o sprint de Cavendish para ganhar etapas (às vezes ele exagera). O potencial do polonês de 23 anos, daqui algumas temporadas, poderá encontrar uma casa que trabalhe para o título geral de um Grand Tour e tenha companheiros capazes de conduzi-lo a isso.

Duas semanas em algumas imagens:

Ônibus da Orica-Greenedge dá as boas vindas ao Tour-100
Queda na 1ª etapa
Sagan (verde) perde a 2ª etapa para Bakelants
Mar Mediterrâneo meramente ilustrativo
Sagan (acima) perde a 3ª etapa para Gerrans
Queda na 5ª etapa
Sagan (verde à esquerda) perde a 5ª etapa para Cavendish
Brajkovic e o Tour que a Astana quer esquecer
Sagan (verde) perde a 6ª etapa para Greipel
Sagan (verde) vence a 7ª etapa!
Froome assume a camiseta amarela
ao vencer a 8º etapa e...
... no dia seguinte é
"abandonado" pela Sky
Froome (amarelo) na 9ª etapa: Cadê a Sky?
O time trial da 10ª etapa para se recuperar
Queda na 11ª etapa
Sagan (verde) perde a 11ª etapa para Kittel
Valverde (esquerda) e Movistar na 13ª etapa:
Ninguém pela frente. No pior sentido possível

4 de junho de 2013

Roland Garros: Pré-jogo para a semifinal – Parte final

Uma semana se passou e as semifinais de Roland Garros continuam definidas. Novak Djokovic, Roger Federer, Rafael Nadal e David Ferrer estão a uma vitória dos anunciados duelos em busca de decisão.


Entre eles, o único que chega às quartas de final sem perder sets é. . . Ferrer! Algo que raramente tem algum significado significativo. O único que esteve perto da eliminação foi Federer. E nem foi aquela coisa que se diga “nossa, como estava perto”, já que ele controlou muito bem os dois últimos sets para reverter a desvantagem de 2 sets a 1 contra o francês Gilles Simon.

Então a diversão esteve mais presente nas campanhas dos quatro desafiantes: Jo-Wilfried Tsonga, Stanislas Wawrinka, Tommy Haas e Tommy Robredo.

O 10/8 do alemão contra o estadunidense John Isner depois de perder 12 match points no 4º set foi um dos momentos para se lembrar. A surra no russo Mikhail Youzhny nesta segunda mostrou que fisicamente tá tudo certo. Na medida do possível, aos 35 anos. O suíço não teve nenhum passeio e nas oitavas precisou de 4h16 para fazer 8/6 no francês Richard Gasquet. Um ótimo jogo em muitos aspectos. Gasquet mostrou risos contidos na coletiva pós-jogo, mas se deve ser difícil perder 15 das 16 vezes em que se disputa oitavas de Grand Slam, imagino como deve ser difícil perder da maneira como ele perdeu muitas vezes, como hoje, por exemplo.


Robredo é a única surpresa real. Aposto que após o sorteio da chave nomes como os de Tomas Berdych, Nicolas Almagro, Ernests Gulbis ou até Gael Monfils e Andreas Seppi eram mais cotados para as quartas nesse pedaço da chave. O espanhol de 31 anos esteve 2 sets abaixo contra o holandês Igor Sijsling(!) e depois se acostumou com o placar diante de Monfils e Almagro, dono das eliminações mais sofridas em GS em 2013.

E Tsonga está na dele. Assim como Ferrer não perdeu sets. Vem com um discurso estranho desde as primeiras rodadas, de que se caísse nas fases iniciais não teria nada a perder. Será? Ele fez quartas em 2012, disputa um GS em seu País e é o melhor francês no ranking há algumas temporadas.

Ou será que ele se forçou a acreditar no próprio discurso para lidar melhor com a pressão? De qualquer forma, deu certo até o momento em que ele foi o favorito.

E quem vai parar o top 4? Humildes considerações abaixo, com confrontos diretos entre parênteses e previsão de mínima e de máxima de zebra.

Federer X Tsonga (9 x 3)
Repetição das quartas do Australian Open, em que o francês levou o rival ao 5º set e deu uma força para Andy Murray na semifinal. Tsonga também foi o primeiro tenista a virar uma partida de GS depois que Federer abriu 2 sets a 0, em Wimbledon-11. O relativismo dos dois pesos e das duas medidas: (1) Tsonga atropelou até agora, não foi testado, chega descansado e o apagão do Federer contra o Simon mostra que ele está vulnerável. (2) Tsonga não foi testado porque não enfrentou ninguém de mais gabarito, vai sentir não ter tomado um susto até agora e o tombo de domingo serviu para acordar Federer. Tendo a ficar com algo mais parecido com a segunda opção, mas este é o duelo em que uma zebra seria menos zebra. Mínima de 19 e máxima de 75.


Ferrer X Robredo (6 x 2)
Enquanto não chega a semifinal contra alguém do Fantastic Four, Ferrer continua sendo Ferrer. Mesmo sem uma temporada de saibro tão brilhante. Em algum momento Robredo vai ter que acusar o golpe das rodadas anteriores, tanto pelo físico/mental dos 5ºs sets quanto pelo longo período que não chega à segunda semana de GS e por nunca ter passado das quartas. Mínima de 6 e máxima de 90.

Djokovic X Haas (4 x 3)
O Djokovic que precisava mostrar serviço apareceu na 3ª rodada contra o búlgaro Grigor Dimitrov e depois do 1º set contra o alemão Philipp Kohlschreiber. Apesar do luto pela morte de sua primeira treinadora, o sérvio deve estar babando por uma semi contra Nadal. Assim como as outras “zebras” Robredo e Wawrinka, Haas não tem nada a perder. Porém, as pequenas diferenças são o retrospecto menos negativo, a experiência de 4 semifinais em outros GS e ter vencido o último encontro entre eles, há três meses. Mínima de 15 e máxima de 80.

Nadal X Wawrinka (9 x 0)
Se vale o velho “ganhar em melhor de 3 sets é uma coisa e em GS é diferente”, quem nunca ganhou sequer um set em 9 jogos deve se preocupar. O suíço faz uma grande temporada e uma vitória igualaria o melhor ranking de sua carreira (9º em 2008), mas o histórico aqui fala alto. Como fala sempre que se comparar Nadal e “outro qualquer” no saibro. Mínima de 12 e máxima de 90.


Na reta
Em instantes, as primeiras quartas de final da chave feminina acontecem simultaneamente. Na Philippe Chatrier, a atual vice (5º do mundo) contra uma tenista que chega a essa fase em Paris pela primeira vez (4ª da WTA). Na Suzanne Lenglen, a número 1 do mundo, campeã em Paris há 11 anos, dona de 129 títulos de GS e invicta há 164 semanas diante da campeã do Aberto francês de 2009, ex-número 2 do mundo e atual 39. Nenhuma das 4 é francesa.

Se Nadal não estiver certo sobre a programação mal feita ou se não houve “pedido” de alguma jogadora, só dá pra entender Serena e Kuznetsova longe da quadra central como uma resposta ao descaso da estadunidense com Roland Garros nos últimos anos.

27 de maio de 2013

Roland Garros: Pré-jogo para a semifinal – Parte 3

Estreia de Roland Garros e Rafael Nadal sofre com o saque e a falta de respeito do adversário e perde 1 set. Inevitável a lembrança de John Isner na primeira rodada de 2011. Mesmo em 5 sets, todos sabiam como havia terminado. No segundo set o rival enfia a mão de qualquer lugar (e acerta!), coleciona winners e quase abre 2 sets a 0. Agora quem vem à mente é Robin Soderling, único que teve um final diferente contra o espanhol heptacampeão no saibro parisiense.

Até uma aproximação de slice no pé da rede quando já tinha um mini break de vantagem, Daniel Brands fez tudo que pôde e nada que acreditavam que pudesse fazer contra Nadal. Ernests Gulbis também fez recentemente, por mais de 1 hora, e perdeu um jogo melhor de 3 sets. Em melhor de 5, então... Quebras no 1º game do 3º e do 4º set normalizaram a situação para 4/6 7/6(4) 6/4 6/3. As semifinais continuam definidas.


Enquanto Nadal sofria, Jo-Wilfried Tsonga teve uma estreia firme, sem dificuldades contra Aljaz Bedene (6/2 6/2 6/3). Kei Nishikori cedeu apenas 5 games a Jesse Levine e Marcel Granollers foi o primeiro cabeça de chave eliminado, em jogo iniciado domingo, por Feliciano Lopez. Não chega a ser aqueeela surpresa. Só é mais que Igor Sijsling bater Melzer em 3 sets.

Surpresas de verdade aconteceram no feminino. As cabeças Agnieszka Radwanska, Na Li, Angelique Kerber, Caroline Wozniacki e Roberta Vinci venceram em sets diretos.

No jogo-mais-comentado-que-ninguém-viu, Nick Kyrgios, cotista australiano de 18 anos, eliminou o eterno Radek Stepanek (34 anos), em 3 tiebreaks. Sem transmissão, imagina-se que o número 1 do mundo juvenil e campeão do Australian Open da categoria em janeiro não tenha sentido a pressão. Chegou a perder alguns match points e salvou set points no tiebreak do 3º set.

O hawk-eye de Stakhovsky
Marin Cilic e Richard Gasquet foram sem drama e Nicolas Almagro com um pouco. O mais relevante do jogo do francês foi o ucraniano Sergiy Stakhovsky tirando foto da marca de uma bola pra depois da partida xingar muito no Twitter. De Gael Monfils X Tomas Berdych e da estreia de Rogerinho vi um pouco dos sets iniciais. Como previsto, a previsão estava errada e o tcheco tombou na estreia. Sigo duvidando do francês e confiando(?) no Ernests Gulbis(???). Depois do francês teria Sijsling ou Tommy Robredo e nas oitavas provavelmente Almagro ou Andreas Seppi. Uma chave decente. E John Isner fez 3 a 0 contra Carlos Berlocq e tem duelo de comadres contra Ryan Harrison na 2ª rodada.

Da série “tenistas que só as primeiras rodadas (e os 5 sets) colocam em evidência”: Paolo Lorenzi esteve perto de uma grande virada contra Tobias Kamke. Sacando em 2/1 no set decisivo, acabou eliminado por 6/3 6/3 3/6 0/6 6/3. Mais perto chegou Adrian Mannarino, que abriu 5/2 e teve 2 MP antes de perder por 6/3 2/6 6/3 5/7 7/5 para Pablo Cuevas.

Terça-feira, dia 3. O que não deixar de perder (por ordem de quadra). Está menos interessante que hoje e o site de Roland Garros prevê chuva praticamente para o dia todo:

O herói do dia. Porque não entro
no mérito de moda, tendências, etc
Novak Djokovic X David Goffin – O belga que cresceu com fotos de Federer no quarto apareceu para o mundo exatamente há um ano, quando entrou na chave como lucky loser, foi às oitavas de tirou um set do ídolo em RG. Neste ano venceu 2 jogos seguidos apenas uma vez em ATPs e vive má fase até em sorteios. Previsão de zebra com mínima de 7 e máxima de 95.

Nicolas Mahut X Janko Tipsarevic – Dose diária de lamentação pelas ausências de Murray e Del Potro por ver um jogo desse na Philippe Chatrier.

Benoit Paire X Marcos Baghdatis – Em um dia bom (ou surreal) podem ganhar de qualquer um. Expressão me agrada muito. Em caso de derrota é só falar que não estava em um dia bom. Mesmo se for contra Nadal, Djokovic, etc...

Stanislas Wawrinka X Thiemo de Bakker – O holandês que veio parar em Challengers brasileiros em 2012 é daqueles que faz jogos dignos de ter um ranking muito mais respeitado. Mas estão cada vez mais escassos. E o difícil é prever quando eles vão acontecer. O que explica a 95ª posição. Wawrinka em um dia normal atropela. Resta ver como o suíço está depois da desistência no Masters 1000 de Roma. Mínima de 20 e máxima de 92.

Alex Kuznetsov X Lucas Pouille – política de cotas.

Fora da curva
O melhor tenista brasileiro há um certo tempo estreia amanhã. Bruno Soares e o austríaco Alexander Peya abrem a rodada da quadra 10 contra James Cerretani (EUA) e Lukas Lacko (SVK). Sem TV ou internet.

Saibro azul
5 horas depois do início da rodada o site oficial do torneio ainda não tinha fotos dos jogos do dia. Na área destinada às entrevistas, que até o ano passado eram escassas, mas existiam, há 2: De Nadal e Sharapova após os títulos do ano passado. Cheguei a comparar o descaso com a estrutura de Challengers. Pelo menos para os do Brasil, retifico: em todos que já trabalhei / passeei / visitei o site, a atualização da galeria funciona e muito bem.

Fotos: Getty Images Europe (1 e 3) e AP/SIPA Michel Spingler.

26 de maio de 2013

Roland Garros: Pré-jogo para a semifinal – Parte 2

Não fosse pelo jogo da Venus Williams no final do dia e Roland Garros só iria começar nesta segunda. Porque Roger Federer e Serena Williams atropelarem, David Ferrer jogando pro gasto, Gilles Simon no sufoco e a escassez de zebras nem são notícia. O caminho pré-definido para a semifinal segue...

A segunda-feira deve ser mais animada, com 56 jogos + a o 5º set de Marcel Granollers X Feliciano Lopez. Até porque competir com Fórmula 1 em Monaco, 500 Milhas de Indianápolis, final da Copa Itália, última etapa do Giro D’Itália e a decisiva primeira rodada do campeonato é difícil.

Segunda-feira, dia 2. O que não deixar de perder (por ordem de quadra):

Rafael Nadal X Daniel Brands – O alemão está invicto contra o heptacampeão. Estatúpidas a parte, o atual 59º do mundo fez um bom “1º semestre”: Duas semifinais de ATP 250, uma quartas de ATP 500, marcou a primeira vitória da carreira contra um top 10(?) no começo do mês, contra Janko Tipsarevic, e contando qualifyings tem 28 vitórias no ano. Deve tirar uns 4 games e, com sorte e um saibro rápido, ameaçar com o saque. Chances de zebra com mínima de 1 e máxima de 99.

Tomas Berdych X Gael Monfils – O mais interessante da primeira rodada. Teoricamente. A fase do tcheco + o francês chegando cansado pós-Bordeaux-Nice facilitam. O lado bom é que não teremos Monfils se arrastando na segunda, terceira, quarta rodadas... Australian Open deixou saudades. Mínima de 15 e máxima de 80.


Jo-Wilfried Tsonga X Aljaz Bedene – Interessante para ver como o francês chega ao Grand Slam, contra um adversário que apesar da pouca experiência não é bobo (e ainda tem bobo no tênis?). Mínima de 20 e máxima de 67.

Sergiy Stakhovsky X Richard Gasquet – Gasquet em melhor de 5 sets sempre promete. Mas o ucraniano está longe do que era há alguns poucos anos. Mínima de 10 e máxima de 85.

Carlos Berlocq X John Isner – Cara de 5º set depois de alguns tie-breaks. A assombrosa temporada do estadunidense no saibro europeu (1V e 4D – contra adversários fora do top 40) somada à famosa “carne de pescoço” do argentino dão boa margem para a queda de um cabeça de chave. Mas, como diz o filósofo, na prática a teoria é outra. Mínima de 40 e máxima de 63.

Ernests Gulbis X Rogério Dutra Silva – Jogo para, como os tenistas brasileiros adoram responder em entrevistas, desfrutar. Curtir. Seja um jogo em Roland Garros, uma porta aberta em algum momento ou o entretenimento que o letão sempre proporciona em suas partidas. Mínima de 18 e máxima de 90.

Adrian Mannarino X Pablo Cuevas – Direto da sessão “por onde anda?”. Ou “que fim levou?”?.

Michal Przysiezny X Rhyne Williams – Já teve isso na terceira rodada do qualifying. E ninguém ainda descobriu como falar o nome do polonês.

Radek Stepanek X Nick Kyrgios – 16 anos de diferença de idade. E é tudo que dá pra falar do jogo.

Philipp Petzschner X Marin Cilic e Igor Sijsling X Jurgen Melzer – Jogos com potencial para serem decentes. E zebráveis.

Na reta
Lembrando: Chances de zebra (escala de 0 a 100)
Mínima: quanto eu acho que pode acontecer.
Máxima: se acontecer, quanto, de fato, terá sido zebra. Para mim.

Fotos: Site de Roland Garros.

À Itália o que é da Itália


A foto acima só precisaria de legenda porque a neve chega a encobrir o rosto do campeão do Giro D’Itália 2013. Em três semanas mais tranquilas do que o esperado – ao menos em relação aos seus adversários – o italiano Vincenzo Nibali foi testado apenas pelo clima e ainda contou com desistências de fortes concorrentes. Depois de sábado, declarou que “a neve fez a vitória ser épica”. A imagem não deixa dúvidas.

Se o time trial de montanha na quinta-feira foi daqueles pra botar à prova qualquer EPO, a vitória no mar (ou céu) branco de sábado serviu para mostrar o quanto o ciclista da Astana Pro Team foi melhor ao longo das 3 semanas. Daquelas pra se encher a boca e soltar o saudoso “isso é (insira aqui o esporte em questão)”. Nem os portugueses escapam.

O mais próximo de um susto foi na etapa 2, em que a Sky Procycling confirmou o favoritismo no team time trial e deixou Bradley Wiggins 14s à frente do italiano. As inesperadas quedas / problemas mecânicos do britânico nas etapas 4 e 7 deram a Nibali 1min27s de vantagem sobre o atual campeão do Tour de France. Enquanto Mark Cavendish e John Degenkolb ganhavam etapas, as montanhas esperavam os candidatos ao título.

Se o futebolístico do almoço da emissora oficial do Brasil falasse de esporte
faria o comentário indispensável: Nibali não viu ninguém à sua frente...
Novo problema mecânico na etapa 8 tiraram a esperada vitória de Wiggins no time trial individual e fizeram com que ele tirasse apenas 11s do italiano, que assumiu a maglia rosa, com Caden Evans e Robert Gesink entre ele e Wiggins. Veio o primeiro dia de descanso seguido pela etapa 10, a primeira nas montanhas. Trocando o pneu sem parar de pedalar, a Sky preparou um ataque do colombiano Rigoberto Uran Uran, que venceu a etapa, e quem não aguentou foi Wiggins. O velho “mais vale um na posição mais alta do pódio do que dois nas mais baixas” nem precisou ser lembrado, já que O escolhido da Sky abandonou dois dias depois, com gripe, resfriado, infecção, algo do tipo. Só restava uma opção.

Veio a sequência montanhosa das etapas 14 e 15 (a última precisou reduzir as escaladas devido ao risco de avalanche) e Nibali colocou a primeira mão no troféu, abrindo 1min26s para Evans, 2min46s para Uran Uran e 2min47s para Mauro Santambrogio. Depois do segundo descanso, dois dias nas planícies, onde qualquer um que sonha com o título não iria perder tempo. E então a grande apresentação na etapa 18: o último time trial do Giro, com 20,6km de subida.

... ou então: Nibali só não fez chover no Giro. Oh, wait...
É, ainda bem que eles cobrem outras coisas
Samuel Sanchez, top 10 nos 7 Grand Tours que disputou entre 2005 e 2011, renasceu da 15ª posição para fazer o melhor tempo e aguardar os 14 ciclistas restantes. Por 13 vezes a transmissão mostrou o espanhol acompanhando a transmissão enquanto sua vitória era mantida. Até que o último passou para a primeira posição batendo o tempo de Sanchez por eternos 58s. A liderança de Nibali passou a 4min02s de Evans, com um time trial trágico, e 4min12s de Uran Uran. A segunda mão estava na taça e já não faltava mais ganhar etapa.

Se os campeões sempre têm um pouco de sorte, a do italiano veio na etapa 19. Provavelmente o dia mais duro programado para o Giro, com três grandes escaladas. O esforço no dia anterior poderia cobrar seu preço, ainda que fosse pouco, mas saiu de graça. A etapa foi cancelada devido ao péssimo tempo. Um dia a menos para quem ainda poderia sonhar em reverter a vantagem do dono da maglia rosa. As duas mãos já podiam levantar o troféu.

Evans toma tempo na penúltima etapa e cai de 2º para 3º
Apesar da conquista praticamente garantida, faltava A imagem do título. A etapa 20 tratou de providenciar, como visto no início do post. O percurso alterado pelas condições climáticas reservou duas escaladas nos últimos 20km. Como quem quisesse provar apenas para si o quanto estava inteiro, Nibali provou. Na última subida deixou um trio(!) colombiano e todo mundo comendo neve para trás. Sua imagem tirando uma mão do guidão – duas vezes! – para empurrar os torcedores que corriam ao seu lado também é representativa. Algo como “é só vocês não me atrapalharem que isso já tá ganho”. E estava. Fazia mais tempo do que todos imaginavam. 4min43s, a maior diferença para o vice-campeão no últimos 7 anos.


Campeão da Vuelta a España em 2010, Nibali já havia sido 3º do Giro no mesmo ano e 2º em 2011. Agora “só” falta o Tour, onde foi 3º no ano passado. Porém, não confirmou presença e já disse que considera difícil competir na França. Seu objetivo para a temporada era o Giro e já disputou muitas provas (foi campeão da Tirreno-Adriático e do Giro Del Trentino, além do top 10 nos Tours de Omã e San Luis).

Depois da curva
Betancur, campeão entre os jovens
Menção mais do que honrosa à Colômbia. Não apenas por ter 2º, 3º e 4º colocados na sofrida penúltima etapa. Mas por ter o vice-campeão geral, Uran Uran. Por ter o campeão entre os jovens, Carlos Alberto Betancur Gomez (5º geral). Por ter uma equipe de ciclismo capaz de completar um Grand Tour. Ou simplesmente por ter uma equipe de ciclismo capaz de competir em um Grand Tour.

Menção mais do que honrosa 2: Mark Cavendish garantiu a camiseta vermelha a poucos quilômetros da chegada em Brescia, neste domingo. No sprint final, que para ele valia "apenas" a etapa, ganhou mais uma vez. A quinta neste Giro. Um monstro.


Na reta
Após o cancelamento da etapa 19, o italiano Danilo di Luca foi convidado a se retirar da disputa. Campeão do Giro em 2007, ele ocupava a 26ª posição quando se tornou público um teste positivo para EPO fora de competição, em 29 de abril. Conforme a cyclingnews.com, o diretor esportivo da sua equipe, Luca Scinto, declarou: “He's mad, he's a cretino, he needs treatment. There's nothing else to say. We gave him a second chance and the sponsors put their faith in him and this is how he pays us back. It's crazy that a rider thinks they can get away with it like that”. Seu histórico de doping não cabe nesse post.

Mas cabe um tuíte de um certo Lance Armstrong (ou “who’s Lance?”, como uma “escrita” na neve pôde ser vista na Itália), na manhã de sexta, quando a desclassificação do italiano foi anunciada.


Só discordo em um ponto: acho que ninguém tem mais crédito para falar sobre doping do que o estadunidense.

Na chegada
Em 96 edições do Giro, esta foi a 68ª vencida por um italiano. Um domínio que está longe de ser visto por franceses no Tour (36 de 92 – edições que tiveram um campeão...) ou espanhóis na Vuelta (31 de 67). Daí o título do post. Em 2012 o canadense Ryder Hesjedal havia sido o intruso.

25 de maio de 2013

Roland Garros: Pré-jogo para a semifinal

Djokovic X Nadal. Ferrer X Federer. Ficou decidido que essas serão as semifinais de Roland Garros. Enquanto não chega a hora dá pra se divertir por uns 10 dias no Grand Slam que mais traz saudades da Austrália.

Ou tentar entender porque o anunciante diz que Guga foi tricampeão brasileiro em Roland Garros. De certo propagandistas pensaram que muito espectador ia pensar que Guga não é brasileiro. Ou que espectador não pensa. Ou não.

Domingo, dia 1. O que não deixar de perder (por ordem de quadra):

Pablo Carreno-Busta X Roger Federer – Mais um moleque pra falar na coletiva pós-jogo que tinha fotos do Federer na parede do quarto. Se na Austrália o físico deixou o suíço na mão, Paris trata de colocá-lo em quadra no 1º dia. A margem preventiva para que ele descanse entre as primeiras rodadas, não sofra com eventuais intempéries que podem surgir durante a semana, etc. Se ele vai corresponder, já não depende da programação.


Steve Darcis X Michael Llodra – Pra quem tem saudades da “geração Guga”. Mas juntando os dois não dá um Michael Russell. As ausências de Andy Murray e Juan Martin Del Potro fazem isso aí ser escalado para a Philippe Chatrier. E é só o começo...

Gilles Simon X Lleyton Hewitt – O jogo que só vai acabar segunda. Mínima de zebra de 15 e máxima de 62. Mas o H2H, com 3 vitórias do francês em 3 duelos em quadra dura, onde o ex-número 1 fez apenas 12 games em 6 sets disputados, desequilibra. A maratona decretada no pré-jogo pode ficar pra outro dia.

Marinko Matosevic X David Ferrer – Jogo para o espanhol esquecer as derrotas recentes para o Nadal. A chave é bem favorável. Mínima de 5 e máxima de 99.

Milos Raonic X Xavier Malisse – Encontro de gerações. No caso, 5. Apesar da temporada ruim no saibro, o montenegrino-canadense deve se impor. Malisse, mesmo depois de não ser mais Malisse, já foi mais perigoso.

Benjamin Becker X Jeremy Chardy – A quadra 1 já tá assim... Hora de ver o que tem pra baixo.

Viktor Troicki X James Blake – Aquela primeira rodada que todo Grand Slam precisa ter. Um deles vai poder falar que ganhou um jogo na temporada.

Andreas Seppi X Leonardo Mayer e Marcel Granollers X Feliciano Lopez – Jogos com potencial para serem decentes, assistíveis no 4º e no 5º set.

Na reta
Chances de zebra (escala de 0 a 100)
Mínima: quanto eu acho que pode acontecer.
Máxima: se acontecer, quanto, de fato, terá sido zebra. Para mim.

Feminino
Tudo pode acontecer. Logo, a mínima é sempre 100 e a máxima é sempre 0.